Feliz Natal!!!

Começamos a nossa epopéia de Natal na véspera, 24 de dezembro... dia que prometia ser inesquecível. Deixamos o estacionamento em Roma e seguimos para o nosso antigo porto em Lido de Óstia. Antes de deixarmos o carro no camping, passamos no supermercado e

  
  

Começamos a nossa epopéia de Natal na véspera, 24 de dezembro... dia que prometia ser inesquecível. Deixamos o estacionamento em Roma e seguimos para o nosso antigo porto em Lido de Óstia. Antes de deixarmos o carro no camping, passamos no supermercado e fizemos algumas comprinhas. Já no camping arrumamos tudo bem cedo para dar tempo de estarmos prontas até o final da tarde. Afinal, no início da noite tínhamos o compromisso para a Ceia na casa do Silvonei e sua família e mais tarde a Missa do Galo na Basílica São Pedro.

Nossa mesa preparada para o dia de Natal

Nossa mesa preparada para o dia de Natal

Antes de sairmos de casa, não podíamos deixar de fazer as já tradicionalíssimas rabanadas de Natal. A vontade era tanta que preparamos uma travessa enorme cheia de delícias. Passamos um café e nos deleitamos com as douradas e doces rabanadas. Antes de sairmos, deixamos nossa mesa de Natal arrumada também, apesar de que não passaríamos a noite de Natal no carro. Vejam na foto ao lado quantas delícias nos esperariam para o dia seguinte. Estavam lá até os presentinhos deixados pelos pais da Patrícia quando eles estiveram aqui com a gente nos fazendo companhia.

Visita do Babo Natale, Papai Noel em italiano, na casa do nosso amigo Silvonei

Visita do Babo Natale, Papai Noel em italiano, na casa do nosso amigo Silvonei

Tudo pronto, deixamos o carro e caminhamos uns dois quilômetros até a estação de trem. Por causa do feriado de véspera de Natal, os ônibus que passam pelo camping e seguem até o centro da cidade não estavam rodando. A caminhada foi boa para ficarmos bem quentinhas, afinal o frio estava mesmo implacável.

Praça São Pedro tomada por fiéis no dia de Natal para a benção do Papa

Praça São Pedro tomada por fiéis no dia de Natal para a benção do Papa

Chegamos à casa do Silvonei com um pouquinho de atraso porque tivemos que procurar a rua onde ele mora e não encontrávamos o caminho certo. Ele já estava nos esperando apreensivo. Conhecemos então sua esposa, Graziela, e sua filhinha, Kathryn, uma princesinha. Eles realmente formam uma família lindíssima. Fomos apresentadas ainda um padre mexicano de Guadalajara e que também trabalha na Rádio Vaticano, ao professor de italiano do nosso amigo e a Renata, amiga da família. Estávamos em ótima companhia.

Finalmente vimos o Papa João Paulo II

Finalmente vimos o Papa João Paulo II

Conversamos bastante, falamos sobre nossa viagem, ficamos sabendo um pouco sobre as tradições do México quanto à noite de Natal e tivemos uma bela aula de italiano com o professor.
Kathryn esperava ansiosa a chegada do Papai Noel ou Babo Natale, como dizem os italianos. E não é que ele veio mesmo? Todos ganhamos presentes e Kathryn, bem séria, até recitou um poema pra ele, sem errar nenhuma palavra. Uma gracinha! O Papai Noel Silvonei é que não parecia muito confortável na pele do seu personagem barrigudo, mas a idéia foi ótima e ele, engraçadíssimo, cumpriu muito bem o papel...

Telão na Praça São Pedro, no Vaticano

Telão na Praça São Pedro, no Vaticano

O jantar estava realmente maravilhoso. Graziela, que é libanesa, preparou alguns deliciosos pratos típicos de seu país e outros bem italianos, como salada de tomates com mussarela de búfala. De sobremesa foram servidos alguns doces bem tradicionais desta época do ano: Pandoro (uma espécie de panetone sem frutas cristalizadas), Panforte (parecido com torrone), chocolates e frutas secas, tudo acompanhado de champagne. Uma delícia! Muito obrigada amigos... Este Natal vai ser mesmo inesquecível.

Perto das 11h30 da noite fomos com Silvonei e Dom Paulo para o Vaticano. Nossos anfitriões transmitiriam a Missa do Galo para o Brasil e para a Espanha e países latino-americanos de língua espanhola, respectivamente. Estávamos acompanhadas de pessoas muito importantes, viram só?

Mas, quando chegamos à praça, bem em frente à Basílica, uma desagradável surpresa. Dezenas de pessoas com convites na mão tentavam entrar na igreja, mas eram imediatamente barradas pelos policiais que faziam o controle dos portões de acesso. A justificativa: está tudo lotado, ninguém mais pode entrar. Como assim “lotado”? E os nossos convites? Não adiantava perguntar e nem argumentar... eles estavam irredutíveis e ninguém mais entraria na Basílica para a tão esperada missa, apesar de muitas pessoas já terem deixado a igreja nos primeiros minutos da celebração.

Insistimos muito, assim como muitas pessoas, indo de um portão para o outro, mas nada feito. Ficamos sabendo mais tarde que a organização distribui cerca de 15 mil convites, quando na verdade é liberada a entrada de apenas sete mil pessoas. Os portões haviam sido fechados às 11h20, pouco antes de chegarmos. Decepcionadas, quase esquecemos de darmos uma a outra o abraço de Feliz Natal e nem tivemos ânimo de assistir à missa pelos telões espalhados pela praça. O frio estava pegando pra valer e não nos conformávamos com o que havia acontecido.

Neste vai-e-vem de um portão ao outro, ouvimos queixas de pessoas vindas de todas as partes do mundo. Eram americanos, alemães, canadenses, mexicanos, espanhóis inconformados com o que estava acontecendo... gente que veio ao Vaticano na véspera de Natal só para rezar e ver o papa de perto e que teriam de voltar pra casa sem assistir à celebração que marca o nascimento de Jesus. Conhecemos ainda outros dois brasileiros que estudam na cidade espanhola de Salamanca. Eles também estavam revoltadíssimos com tudo o que presenciaram.

Apesar de toda a confusão, já que não havíamos conseguido entrar na igreja, decidimos voltar para a praça no dia seguinte, quando ao meio-dia o papa dá a bênção de Natal aos fiéis. Mas antes disso ainda teríamos uma longa noite pela frente, começando pela espera no ponto de ônibus...

À tarde, havíamos combinado com Carla, namorada do irmão da Patrícia, que passaríamos o resto da noite com ela depois da missa. Ficamos de nos encontrarmos no hotel onde ela trabalha aqui em Roma. Mal sabíamos que iríamos ficar esperando pelo ônibus mais de uma hora. As pessoas chegam no ponto, olhavam as placas, esperavam um pouco e logo iam embora. A cena se repetiu por várias vezes até que ficamos sozinhas ali acompanhadas de outro rapaz, também irredutível na sua espera pelo “corujão”.

Quando chegamos ao hotel, às 3h30, Carla e algumas outras pessoas, entre elas duas brasileiras, ainda conversavam ao redor da mesa de Natal. Chegamos exaustas, geladas de frio, morrendo de sede e ainda decepcionadas. Mas, revê-la e conversar um pouco nos ajudou a ficarmos mais calmas. Quase nem acreditávamos em tudo o que havia acontecido até ali. Nem ela acreditou... Já eram quase 5h30 da manhã quando finalmente fomos deitar um pouco, com a promessa de levantarmos às 10h para a bênção do papa. Será que vamos ter disposição pra tanto?

Patrícia acordou Cláudia e Fabiula antes das 10h da manhã. Dessa vez não queríamos chegar tarde demais para conseguir um bom lugar... Passado um pouco das 10h30, já estávamos na Praça São Pedro e conseguimos lugar na segunda fila. A praça ficou lotada. Meio-dia em ponto apareceu o Papa João Paulo II para a benção. Finalmente conseguimos vê-lo. Foi muito emocionante ouvir o papa desejando Feliz Natal em português e difícil segurar as lágrimas... Durante 40 minutos, ele desejou votos de bom Natal em vários idiomas. Valeu a pena esperar...

Difícil depois foi voltar pra casa. Foram mais de cinco horas até que conseguíssemos fazer os vinte e poucos quilômetros que nos separavam do nosso motorhome. Foi uma provação...
Primeiro ficamos uns 45 minutos na parada do ônibus e nenhum passou. Decidimos mudar de estratégia e fomos à procura de um metrô. Caminhamos, caminhamos e caminhamos até a estação mais próxima. Quando chegamos o portão estava fechado, indicando que nenhum metrô partiria dali... Parecia brincadeira de mau gosto.

Voltamos tudo o que tínhamos caminhado e chegamos quase à Praça São Pedro novamente. Foi então que descobrimos que metrô não circulava no dia de Natal e os ônibus voltariam a rodar só depois das 16h30. Menos mal, fomos pro ponto à espera do bendito. Tínhamos que pegar dois ônibus e enfrentar mais uns 30 minutos de trem para chegarmos em casa.

Não conseguimos encontrar o ônibus que nos levaria até a estação do trem e acabamos pegando um táxi. Quando paramos em frente à estação, o luminoso indicava que o trem estava sem serviço. NNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

No Natal, a cidade de Roma praticamente pára. Quem não tem um carro ou as tradicionais motonetas está frito. E simplesmente não tínhamos como voltar pra casa. Nossa sorte foi que um bando de senhoras estava na mesma situação e iam para a mesma direção que nós. Fretamos um táxi e conseguimos finalmente chegar ao camping. Anotem os números: foram cinco horas e meia à procura de uma condução que nos levasse pra casa e tivemos de desembolsar 37 euros. Que dia...

Apesar de tudo, temos que deixar aqui o nosso muito obrigada ao Silvonei e sua família, a Carla e ao taxista que dirigiu longos quilômetros para nos deixar em casa e cobrou barato por isso. Ter visto o papa valeu os sacrifícios... Um Feliz Natal a todos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  
  

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