Fim de semana nos parreirais

Com pouco dinheiro e sem possibilidade de trabalho, acabamos passando o fim de semana num gramado ao lado de um imenso parreiral. É difícil falar sobre a extensão, o que dá pra dizer é que onde o olho alcança ainda se produz uvas por aqui. A estação

  
  

Com pouco dinheiro e sem possibilidade de trabalho, acabamos passando o fim de semana num gramado ao lado de um imenso parreiral. É difícil falar sobre a extensão, o que dá pra dizer é que onde o olho alcança ainda se produz uvas por aqui.

A estação de trem da cidade

A estação de trem da cidade

Estamos a poucos metros de uma cidadezinha chamada Rilly de Montagne, um povoado minúsculo bem com cara de interior francês. O lugarejo é super silencioso, limpo e as casas todas bem cuidadas. Um dos poucos sons que ouvimos nesses dias foi o barulho das motocas, parece que todo jovem por aqui tem uma.

O povoado de Rilly encravado no meio dos parreirais

O povoado de Rilly encravado no meio dos parreirais

Nessa região da França, e acreditamos em outras também produtoras de vinhos, é assim. Parreirais que cobrem os vales e planícies e no meio aparece um povoado. A grande maioria das pessoas que vivem nesses lugarejos sobrevive da produção da bebida. Só em Rilly existem 70 vignobles (produtores de champagne). Uma placa na entrada da cidade já informa isso ao visitante.

A igrejinha de Rilly, uma bela e simples construção de pedra

A igrejinha de Rilly, uma bela e simples construção de pedra

A cidadezinha tem, no máximo, umas 12 quadras. Em cada uma delas, pelo menos, quatro ou cinco maisons diferentes de champagne. Rilly tem estação de trem, mercadinho, padaria (com os deliciosos pães franceses), um salão de beleza e uma igrejinha. O lugar fica a menos de 15 quilômetros de Reims, a maior cidade da região.

Monumento em homenagem aos franceses da região mortos em guerra

Monumento em homenagem aos franceses da região mortos em guerra

No fim da tarde, nos dias de semana, os ônibus trazem as crianças de volta pra casa vindas da aula. Na verdade, não há muita diferença das cidades pequenas no Brasil. O que destoa um pouco é a condição de vida das famílias. No Brasil, as pessoas, em geral nesses lugarejos, parecem ter uma vida mais humilde.

No sábado à noite, o agito da cidade estava por conta de uma pizzaria ambulante que estacionou bem na praça central, em frente à prefeitura. Era um motorhome parecido com o nosso, com uma janela gigante e com um forno à lenha lá dentro. Assim que passou a anoitecer, as pessoas começaram a chegar para comprar uma deliciosa pizza. Legal, né?

Ah! Estávamos esquecendo. Ainda não tínhamos desistido de trabalhar. Vimos que os horários das missas aqui são às 18h30, no sábado, e às 10h30, no domingo, e decidimos conversar com o padre. Normalmente os padres nessas cidadezinhas conhecem a comunidade e sabem quem está precisando de gente para o finzinho da colheita.

Nos preparamos e fomos para a igreja. Nossa intenção era assistir à missa e depois conversar com o padre. Fomos nos aproximando da igreja e tudo estava no maior silêncio. Já pensamos: “Alguma coisa não está certa”. Mais uma vez, dito e feito. A última missa em Rilly foi em agosto. Claro que haveria missa no sábado e no domingo, mas em outra comunidade da região. Demos com os “burros n’água”. O plano A e o plano B naufragaram. Agora temos que pensar num C...

Não estamos seguindo viagem nesses dias porque vamos receber visitas no próximo sábado. E o encontro será em Paris. Por isso, preferimos ficar na região por essa semana.

  
  

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