Lembranças do Gueto de Varsóvia: insurreição e morte

Nosso último dia em Varsóvia foi marcado por um tour pela história recente da capital. Curiosas para conhecer os locais onde foram gravadas as cenas do filme O Pianista, do diretor Roman Polanski, fomos até o decadente bairro operário de Nowa Praga. O gue

  
  

Nosso último dia em Varsóvia foi marcado por um tour pela história recente da capital. Curiosas para conhecer os locais onde foram gravadas as cenas do filme O Pianista, do diretor Roman Polanski, fomos até o decadente bairro operário de Nowa Praga. O gueto judeu, na verdade, ficava um pouco afastado dali, mas este é o bairro que mais conserva as marcas do bombardeio sofrido pela cidade no início da década de 40.

Morador mostra para Claudia onde foram filmadas cenas de O Pianista

Morador mostra para Claudia onde foram filmadas cenas de O Pianista

Assim que cruzamos uma das pontes que liga os dois lados da cidade, notamos a diferença e logo pudemos ver os sinais da destruição. Em meio a prédios novos, outras construções deixavam à vista algumas perfurações de tiros e estilhaços de bomba. Andando por ali, encontramos um morador - o sr. Ryszard - que se ofereceu para ser nosso guia. Ele falando em polaco e nós respondendo em um dialeto que misturava inglês, português, espanhol e gestos, até que deu pra entender alguma coisa.

Local que serviu de cenário do filme de Polanski

Local que serviu de cenário do filme de Polanski

As esquinas das ruas Stalowa e Mała com Konopacka são as que mais figuram no filme. O Pianista mostra as agruras de uma Varsóvia toda destruída, com sua população tendo que lutar pela sobrevivência, mas sem esquecer o seu romantismo e espírito batalhador, ‘que das cinzas renasce’. As pichações e as fuligens que impregnam as fachadas dos condomínios completam a atmosfera de lugar esquecido no tempo, além dos becos e pátios que chegam a assustar. Não há o que pague uma experiência como essa.

Beco decadente em Nowa Praga

Beco decadente em Nowa Praga

Queríamos conhecer agora o local, ou os resquícios, do verdadeiro Gueto onde os judeus foram confinados pelos nazistas até serem pouco a pouco transferidos para campos de extermínio como os de Auschwitz e principalmente o de Treblinka, também na Polônia. De um total de 450 mil, 100 mil morreram ali mesmo de fome, epidemias e perseguições. Mas o episódio que marcou a história do Gueto de Varsóvia foi a insurreição promovida pela Resistência e a luta armada contra os alemães, em 1943.

Monumento aos Heróis mortos durante a insurreição no Gueto

Monumento aos Heróis mortos durante a insurreição no Gueto

Da noite de 15 para 16 de novembro de 1940, um muro de três metros de altura cercou uma área de aproximadamente 350 hectares do bairro de Muranow e isolou do resto da cidade e do mundo a maior colônia de judeus da Europa, cerca de 30% de toda a população de Varsóvia na época. No centro antigo do gueto, o Monumento aos Heróis homenageia os judeus mortos durante a insurreição: são homens, mulheres e crianças em meio a chamas.

Umschlagplatz, um vagão com dezenas de cruzes

Umschlagplatz, um vagão com dezenas de cruzes

Perto dali, na rua Stawki, está o monumento aos judeus mais bonito e significante que já vimos até agora: o Umschlagplatz, algo como Praça do Transporte, em alemão. Daquele ponto partiam os vagões de gado lotados de judeus com destino à morte certa em Treblinka. Nos consolos dos trilhos algumas inscrições em hebraico. Mais adiante um vagão traz dezenas de cruzes e, em uma dela, pudemos ver presa uma pequena bandeira da Polônia, outra homenagem a este povo que além de judeu era também polaco.

Já passado do meio-dia era hora de partir mais uma vez, agora rumo à Ucrânia. Tínhamos muuuuuuuuuuuuuita estrada pela frente - cerca de 400 quilômetros -, além da expectativa, já que quase nos proibiram de seguir para lá. Ouvimos de tudo, nos falaram de todos os perigos. Desde ladrões, máfia russa e da polícia corrupta. Quem disse que iríamos perder isso? Para não abusar muito da sorte, decidimos entrar no país e passar apenas por L’viv, a maior cidade próxima da fronteira. O que será que nos espera por lá?

  
  

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