Nove meses de expedição na cidade histórica de Sintra

Deixamos nossa querida Lisboa bem cedo. Hoje estamos comemorando nove meses de expedição e queríamos conhecer a cidade histórica de Sintra e parte do litoral português, ainda próximo à capital. Andamos cerca de 25 quilômetros e chegamos à aconchegante Sin

  
  

Deixamos nossa querida Lisboa bem cedo. Hoje estamos comemorando nove meses de expedição e queríamos conhecer a cidade histórica de Sintra e parte do litoral português, ainda próximo à capital. Andamos cerca de 25 quilômetros e chegamos à aconchegante Sintra, classificada pela Unesco como Patrimônio Mundial da Humanidade desde 1995. A cidade de vale até lembra um pouco Vianden, em Luxemburgo.

No centro histórico de Sintra, a sede da bela Quinta da Regaleira

No centro histórico de Sintra, a sede da bela Quinta da Regaleira

As ruas de tão estreitas e sinuosas que são quase não permitiam que o motorhome andasse livremente pelo centro histórico. Patrícia dirigiu por ali com muita precaução, sempre impressionada com a velocidade dos outros motoristas que circulavam por ali. Felizmente, nada aconteceu. Estamos bem de motorista. Levamos um susto apenas na subida até o colorido Palácio da Pena. As pedras molhadas com a umidade da colina fizeram as rodas do carro resvalar algumas vezes. Ficamos alguns segundos sem sair do lugar, mas logo o carro respondeu e seguimos na subida... Ufa! Na descida, que mais receávamos, nenhum susto. Graças a Deus!

No alto da colina, o Castelo dos Mouros guarda a cidade

No alto da colina, o Castelo dos Mouros guarda a cidade

As ladeiras do centro são bastante charmosas, fora o cansaço que elas dão a quem não está muito acostumado a esse necessário sobe e desce. Além do Palácio da Pena (construído no século XIX para Ferdinando, rei consorte de Maria II), o Castelo dos Mouros (do século VIII), a Quinta da Regaleira e o Palácio Nacional de Sintra são as principais atrações da cidade de veraneio favorita dos então reis de Portugal. Os tempos medievais são lembrados até hoje em deliciosos passeios de charrete ou a cavalo.

Uma parada para abastecer o carro com água mineral

Uma parada para abastecer o carro com água mineral

A arquitetura destes prédios é caracterizada pelo estilo mourisco, dos Mouros, povo do norte da África que por muito tempo viveu nestas terras. Os riquíssimos azulejos dos séculos XVI-XVII pintados à mão estão presentes em quase todas as paredes. Esta decoração compõe também o interior do belo Palácio de Sintra, conhecido pelas suas enormes chaminés que se destacam do resto da construção erguida no final do século XIV. O Paço Real, como também é conhecido, tornou-se refúgio de verão preferido pela Corte e continuou sendo usado como residência da realeza até 1880.

O Palácio de Sintra era a residência de veraneio preferida dos reis de Portugal

O Palácio de Sintra era a residência de veraneio preferida dos reis de Portugal

Cláudia e Patrícia visitaram o palácio, enquanto Fabiula tomava conta do carro. O interior da construção é completamente diferente dos outros que já visitamos em outros países da Europa. Além do estilo mourisco, presente em algumas salas e janelas do belo prédio, acréscimos feitos no início do século XVI pelo rico Manuel I refletem este estilo. Para completar tamanha beleza, a reconstrução gradual do Paço resultou na fascinante combinação de estilos arquitetônicos bem diferentes.

O estilo mourisco marca os detalhes das janelas do Paço Real

O estilo mourisco marca os detalhes das janelas do Paço Real

É impossível entrar na Sala dos Brasões e não ficar impressionada. O teto em cúpula é decorado com os brasões de várias famílias da nobreza de Portugal. Tudo dourado, de muito bom gosto. As gigantescas chaminés também merecem atenção! Elas funcionam com um imenso exaustor e tem o tamanho de toda a cozinha, olhando para o alto é possível ver o céu pela saída dos chaminés.

Um dos quartos foi usado como prisão durante nove anos e mantém até hoje as grades na janela. O rei Afonso VI foi preso lá pelo irmão Dom Pedro (não tem nada a ver com os nossos Dons Pedros) que lhe roubou o trono e a esposa. Dom Pedro alegou que Afonso VI era louco. Talvez nem fosse na época, mas realmente ficou depois de tanto tempo trancafiado no quarto.

Depois do belo passeio e da aula sobre a arquitetura mourisca, aproveitamos que a cidade é famosa por suas fontes naturais e reservamos um pouco da água para abastecer o nosso carro. Em seguida, fomos para as praias Cascais e Estoril, esta do autódromo usado para as corridas de Fórmula 1. O mar estava bastante revolto e praias mesmo quase não existem, apenas grandes encostas repletas de pedra. A paisagem é agradável, mas não muito convidativa para um banho de praia.

Rodamos alguns quilômetros pela estrada que segue pela orla, passamos por Estoril que já foi o exílio de diversos monarcas europeus e pararmos o carro em um estacionamento ao lado de um posto de combustíveis, em Oeiras. Dali, nós avistávamos os contornos da ponte 25 de Abril iluminada, com o monumento do Cristo Rei ao fundo. Mais um pouquinho e estaríamos de novo em Lisboa, para então seguirmos até Évora, mais ao leste, ou ao litoral sul de Portugal.

  
  

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