O Brasil é aqui

Há alguns dias não fazia uma manhã tão gelada como a de domingo. Enquanto na Itália nevava, aqui na Holanda alguns carros amanheceram cobertos por uma fina camada de gelo. Mesmo com esse apelo para ficar na cama, o dia não era de folga. Tínhamos um compro

  
  

Há alguns dias não fazia uma manhã tão gelada como a de domingo. Enquanto na Itália nevava, aqui na Holanda alguns carros amanheceram cobertos por uma fina camada de gelo. Mesmo com esse apelo para ficar na cama, o dia não era de folga. Tínhamos um compromisso às 11h30 em Roterdã, que fica a cerca 50 quilômetros de Hilversum, cidade onde tínhamos aberto uma espécie de escritório na casa de Ulisses. Nossa tarefa era dar uma entrevista na rádio Voz de Cabo Verde, que aos domingos também tem programação brasileira.

Nossa `casa` em frente à casa de Ulisses

Nossa `casa` em frente à casa de Ulisses

Pouco antes das 10h, iniciamos nossa viagem, acompanhadas de Ulisses, o nosso anfitrião em Hilversum. Na Holanda, as rodovias são bem conservadas e as distâncias curtas para nós, já que nós temos como referência o continental Brasil. Sem dificuldade, encontramos o local combinado: a estação de trem que fica em frente ao Consulado do Brasil na Holanda.

Eurotrip em entrevista a rádio Voz de Cabo Verde

Eurotrip em entrevista a rádio Voz de Cabo Verde

Enquanto esperávamos Mara, ou formalmente Maria Teresa (a jornalista brasileira que iria nos entrevistar), aproveitamos para observar a arquitetura arrojada de Roterdã. Diferente da maioria das cidades que já visitamos. Esta tem pouquíssimos prédios antigos, a maioria tem em média meio século apenas. A explicação está na Segunda Guerra Mundial. O Terceiro Reich sabia da importância estratégica do porto de Roterdã, considerado a porta de entrada da Europa. Durante a guerra, a cidade sofreu vários bombardeios que liquidaram as construções. A cidade foi reconstruída de forma ousada, com edifícios em forma de pirâmide, por exemplo. Uma das poucas obras civis que não foram atingidas pela fúria nazista foi um túnel que liga duas partes da cidade ligada pelo mar. Na verdade não é apenas um, mas três. Um para pedestres, outro para ciclistas e o mais alto para o tráfego de automóveis. Nessa época, o lugar foi usado pelos holandeses como abrigo.

Jardins floridos de Delft

Jardins floridos de Delft

Voltando ao domingo, Mara chegou com uma amiga brasileira, Eunice. Tomamos um café e logo percebemos que Eunice era uma figura rara. Há dez anos morando em Roterdã, Eunice é casada com um holandês e morre de saudades do Brasil. Enquanto estivemos juntas demos muitas gargalhadas.

O centro de Delft é recortado por pequenos canais

O centro de Delft é recortado por pequenos canais

A rádio Voz de Cabo Verde fica a poucos minutos de carro do centro de Roterdã. Mesmo o motorhome sendo grande, não foi difícil encontrar estacionamento. A programação brasileira da rádio tem duração de uma hora, é ao vivo e vai ao ar entre as 13h e 14h. Mara, responsável pela apresentação, foi para o estúdio. Nós entraríamos no terceiro bloco. O programa é composto de música 100% nacional e notícias. Na seleção musical deste domingo, Ney Matogrosso, Jorge Benjor, Zélia Duncan, Peninha entre outros. A música de qualidade e a voz aveludada de Mara tornam o programa irresistível.

Eurotrip e os novos amigos brasileiros. Em sentido horário da esquerda paraa direita: Sierh, Sarita, Carol, Mario, Ulisses, Patrícia, Claudia, Ira, Sandro, Wagner e Fabiula

Eurotrip e os novos amigos brasileiros. Em sentido horário da esquerda paraa direita: Sierh, Sarita, Carol, Mario, Ulisses, Patrícia, Claudia, Ira, Sandro, Wagner e Fabiula

O terceiro bloco chegou e com ele a trupe do Eurotrip, como Mara nos apresentou. A conversa durou quase 15 minutos. Mara tinha lido o nosso site de cabo a rabo e lembrava de detalhes que até nós mesmas tínhamos esquecido. O papo foi descontraído e agradável. Falamos de Foz do Iguaçu, dos patrocinadores, do roteiro e das aventuras que três mulheres estão vivendo ao percorrer a Europa dentro de um motorhome.

Não tínhamos mais compromisso para o domingo. Foi então que Ira, outra brasileira que também trabalha no programa como voluntária, nos convidou para ir até a cidade onde ela, o marido holandês e o filhinho de sete meses moram, Delft.

O convite foi aceito imediatamente. Delft já estava nos nossos planos. A cidade é encantadora. Cheia de canais, canteiros floridos e belos cafés, a cidade é conhecida também devido à famosa porcelana pintada em tons de azul. Mara combinou de nos encontrar na principal praça da cidade no fim da tarde para nos acompanhar até a casa dela que fica numa rua chamada Élder Câmara. Lá fomos recepcionados (nós da Eurotrip e Ulisses) com um delicioso café da tarde. No início da noite, chegaram outros brasileiros amigos da família. O Brasil era aqui.

A noite terminou com um tour por dentro do motorhome. Nossa casa sempre chama atenção e nós fazemos questão de abri-la. Somente neste dia encontramos pelo menos umas oito pessoas que gostariam de nos acompanhar.

Nos despedimos e voltamos para Hilversum já pensando na agenda cheia que teríamos na segunda-feira.

  
  

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