Sevilha e seus 2.500 anos de história

Como não vimos tudo ontem o que a maravilhosa Sevilha oferece, hoje vamos desbravar um pouco mais desta cidade que já conta com 2.500 anos de história e reconquistas e que guarda até hoje as influências dos povos que a dominaram: mouros, judeus, cristãos

  
  

Como não vimos tudo ontem o que a maravilhosa Sevilha oferece, hoje vamos desbravar um pouco mais desta cidade que já conta com 2.500 anos de história e reconquistas e que guarda até hoje as influências dos povos que a dominaram: mouros, judeus, cristãos e mudéjares (árabes convertidos ao cristianismo). Não bastassem tantos costumes diferentes, foi de Sevilha também que se descobriu a América. O Guadalquivir, o rio que divide a cidade em duas, foi a primeira etapa do longo caminho até as Índias descobertas por Cristóvão Colombo.

Domo dourado entalhado em madeira no Salão dos Embaixadores

Domo dourado entalhado em madeira no Salão dos Embaixadores

Com cerca de 700 mil habitantes, Sevilha é considerada a mais espanhola das cidades da Espanha. E, não é por menos... São daqui personagens de óperas famosas como a sedutora cigana Carmen, de Bizet, que trabalhava na Fábrica Real de Tabacos (hoje Universidade de Sevilha), e Fígaro, o barbeiro que cantava nas praças do tradicional Bairro de Santa Cruz. O legendário e sedutor Don Juan também é daqui. A dança flamenca e as touradas são os ícones desta bela e acolhedora região da Espanha.

A arquitetura mudéjar refletida nas suas ornamentadas arcadas

A arquitetura mudéjar refletida nas suas ornamentadas arcadas

Os Reales Alcázares (palácios reais, em árabe), segunda mais famosa atração sevilhana, foram nossa primeira parada de hoje. Vizinhos à Catedral, são chamados assim, no plural, porque abrigam um conjunto de palácios – do alcázar original, morada dos governantes árabes, às diversas adições em forma de salões, pátios e jardins realizadas por vários monarcas cristãos. Mas, o mais encantador é mesmo o palácio em estilo mudéjar, no qual seus artesãos o enriqueceram com arcadas, coloridos azulejos e caligrafia ornamental.

A caprichosa arte preservada pelos artesãos que moldaram o Pátio das Donzelas

A caprichosa arte preservada pelos artesãos que moldaram o Pátio das Donzelas

Na entrada, pátios belíssimos, dão uma mostra do que veríamos lá dentro. No Salão dos Embaixadores, o teto dourado entalhado em madeira lembra um planetário. Foram destas salas que a rainha católica Isabel I despachou navegadores para explorar o Novo Mundo, exatamente da Casa de Contratación. Os aposentos do rei Carlos V são grandiosos, decorados com enormes tapeçarias flamencas e azulejos de cores muito vivas.

Típico pátio construído durante o reinado cristão nos Reales Alcázares

Típico pátio construído durante o reinado cristão nos Reales Alcázares

Outro ponto alto do palácio é o Pátio das Donzelas, rico em detalhes. Segundo uma guia, era aqui que as mulheres da nobreza se banhavam em fontes de águas quentes. Somente os serviçais e alguns músicos podiam acompanhá-las neste momento. Para evitar qualquer “atrevimento” com suas mulheres, os nobres mandavam castrar os criados – assim estes perderiam todo tipo de desejo sexual - e os músicos eram cegados, não podendo admirar a beleza das donzelas, limitando-se apenas a tocar seus instrumentos musicais na presença delas. Lenda ou não, o ideal talvez fosse evitar estes “cargos” no palácio...

Portão principal da Plaza de Toros de la Maestranza, em Sevilha

Portão principal da Plaza de Toros de la Maestranza, em Sevilha

Se pudéssemos, ficaríamos ali um dia inteiro, perambulando em meio aos arcos, fontes e corredores deste labirinto de estilos, tudo muito diferente do que já vimos até agora. Estas características que enfeitam o sul da Espanha, principalmente a Andaluzia, se devem à grande permanência dos mouros nesta região, bem próxima ao norte da África, de onde são originários.

Bem próximo dali, fica também o Arquivo das Índias, que abriga toda a documentação sobre as navegações espanholas. O corpo de Cristóvão Colombo, o mais célebre entre os navegantes, está guardado em um mausoléu na Catedral da cidade. Um pouco adiante, cruzando pelas sinuosas vielas do centro histórico, também às margens do rio Guadalquivir, a soberana Plaza de Toros de la Maestranza preserva a tradição das touradas (corridas) espanholas, sempre aos domingos à tarde, desde a Páscoa até outubro.

A praça de touros de Sevilha é a segunda mais antiga da Espanha, iniciada em 1761, e tem capacidade para 14 mil espectadores. A primeira é a de Ronda, mais ao Sul do país. Queríamos muito visitá-la e assistir a uma tourada, mas teríamos que esperar até o domingo. E, como estamos na reta final da expedição e com data certa para voltar ao Brasil, não podemos mais atrasar a viagem.

No intervalo de uma atração e outra, fizemos algumas visitas a agências de viagens de Sevilha. O destino Iguassu, como nos informaram, é bastante conhecido. Mas, como a preferência dos espanhóis agora está mais para as badaladas praias do Caribe e como o Brasil não anda muito em alta, os que visitam a Terra das Cataratas fazem esta opção quando viajam pela Argentina. Bem ou mal, os espanhóis viajam muito mais para a Tríplice Fronteira que os portugueses, por exemplo.

  
  

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IVA=RUTH MEDRADOS.

IVA=RUTH MEDRADOS.

25/11/2008 19:51:20
Parabens pela reportagem, achei, facinante.Moro em Prado Bahia Brasil, e estou querendode fazer a caminhada de sevilia ate santiago de compostela. sera que poderia mandar por email como devo proceder: ficarei muito grata.