Um Canal da Mancha nos separa da Grã-Bretanha

Nossa tarefa hoje é rodar cerca de quatrocentos quilômetros e chegar até Dunkerque, uma das últimas cidades francesas na costa. Deixamos o Vale do Loire pra trás e seguimos em direção à Normandia. Fizemos uma pesquisa pela internet e verificamos que o mel

  
  

Nossa tarefa hoje é rodar cerca de quatrocentos quilômetros e chegar até Dunkerque, uma das últimas cidades francesas na costa. Deixamos o Vale do Loire pra trás e seguimos em direção à Normandia. Fizemos uma pesquisa pela internet e verificamos que o melhor preço para a travessia nossa e do nosso carro era o de uma empresa de lá, por isso vamos à estrada.

Fachada da catedral Nôtre-Dame, em Rouen

Fachada da catedral Nôtre-Dame, em Rouen

Já nos primeiros 50 quilômetros de viagem, na cidade de Rouen, fizemos a primeira das seis paradas que teríamos no dia. Mas não há motivo para preocupação. As breves paradas foram feitas para abastecer o carro, fazer compras, descanso... Na verdade, quase passamos reto por Rouen porque não conseguíamos uma vaga para estacionar o carro. Mas insistimos um pouco e conseguimos espremer o motorhome entre dois carros bem perto do centro.

A cruz erguida na Place du Vieux-Marché, no local exato onde Joana d’Arc foi queimada viva em 1431

A cruz erguida na Place du Vieux-Marché, no local exato onde Joana d’Arc foi queimada viva em 1431

Foi nesta cidade, banhada pelo rio Sena, que em 1431, a santa padroeira da França desde 1922, Joana d’Arc foi queimada viva no dia 30 de maio. Essa região, na época era ocupada pelos ingleses, responsáveis por sua execução. No local exato, na Place du Vieux-Marché, foi erguida uma imensa cruz ao lado de um jardim, exatamente onde ela foi morta. A poucos metros, existe também uma igreja construída em homenagem à heroína francesa.

Estátua de Joana d’Arc, padroeira da França desde 1922

Estátua de Joana d’Arc, padroeira da França desde 1922

Além desse fato histórico, a cidade tem muitas atrações. A catedral Nôtre-Dame é uma delas. Situada bem no centro da cidade, a igreja foi erguida ao longo de centenas de anos. No século XIX, o pintor impressionista Claude Monet colocou seu cavalete em frente à igreja e a imortalizou. Infelizmente, a igreja só abre às duas da tarde e nossa intenção era partir antes, por isso acabamos não observando o interior da catedral.

Gros Horloge, no centro de Rouen

Gros Horloge, no centro de Rouen

A cidade é repleta de pâtisseries (confeitarias) que vendem deliciosos doces e baguetes de todos os preços e com diversos recheios. Não resistimos e compramos três baguetes para o almoço. No caminho da catedral, que fica na praça do mercado, passamos pelo Gros Horloge, um pouco parecido com o que vimos em Viena, na Áustria. A diferença é que nesse não há personagens que desfilam em horas determinadas, mas o relógio não perde a beleza.

Pâtisseries, restaurantes e museus na Place du Vieux-Marché, Rouen

Pâtisseries, restaurantes e museus na Place du Vieux-Marché, Rouen

De volta à estrada, paramos ainda num supermercado e em dois postos de combustíveis, uma vez para abastecer de diesel e outra de água. Faltando uns 180 quilômetros para Dunkerque, começamos uma peregrinação por todas as empresas que fazem a travessia do Canal da Mancha. Mesmo tendo a informação de que em Dunkerque o preço era melhor não custava nada dar uma paradinha. Numa dessas bem que poderíamos encontrar uma promoção.

A primeira foi em Dieppe e depois em Calais. Fomos também até a entrada do Eurotúnel, mas este era exatamente o dobro do que pretendíamos pagar. No caminho, passamos por um acampamento imenso de ciganos. Já havíamos encontrado ciganos na Suíça e no sul da Alemanha, mas nunca tantos. Nesse acampamento havia pelo menos uns quarenta trailers. É assim que eles vivem aqui. Durante nossa estada na França vimos cerca de cinco acampamentos ciganos. É interessante o jeito de vida que eles levam...

Bem, estávamos certas, o melhor preço mesmo era em Dunkerque. Chegamos lá eram quase nove horas da noite. Ainda poderíamos cruzar com o ferry das 21h30 ou 23h30. Mas preferimos passar a noite no estacionamento e seguir para o Reino Unido somente na manhã seguinte.

A noite foi segura, mas não exatamente tranqüila e silenciosa. O vai-e-vem de caminhões, as buzinas e o ronco dos motores atrapalharam um pouco o nosso sono, mas nada que tirasse o nosso ânimo para mais essa etapa da viagem. A propósito, já fechamos os 13 mil quilômetros de estrada e estamos prestes a entrar no nosso décimo terceiro país...

  
  

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