Um domingo junto a ilustres...

A lista de personalidades que conseguimos visitar hoje é de dar inveja: Oscar Wilde, Alan Kardec, Chopin, Balzac, Edith Piaf, Marcel Proust, Sarah Bernhardt, Molière, Jim Morrison, entre outras. Pena que todos já estão mortos! O portão principal do

  
  

A lista de personalidades que conseguimos visitar hoje é de dar inveja: Oscar Wilde, Alan Kardec, Chopin, Balzac, Edith Piaf, Marcel Proust, Sarah Bernhardt, Molière, Jim Morrison, entre outras. Pena que todos já estão mortos!

O portão principal do cemitério que se transformou em ponto turístico em Paris

O portão principal do cemitério que se transformou em ponto turístico em Paris

Na verdade, o que conhecemos foram os túmulos onde todos eles e milhares de outros anônimos estão enterrados no cemitério mais movimentado de Paris: Pére Lachaise. Pode parecer estranho, mas esse cemitério se tornou um ponto turístico badalado e está na lista de atrações de muitas, pra não dizer da maioria, das pessoas que visitam a capital francesa.

As marcas de batom no túmulo do escritor Oscar Wilde, no Pére Lachaise

As marcas de batom no túmulo do escritor Oscar Wilde, no Pére Lachaise

A maioria desses escritores, compositores, cantores, atores tem um túmulo sem muita ostentação. Às vezes, é até difícil localizar o que procuramos. O sarcófago da atriz Sarah Bernhard, por exemplo, a que interpretou a Dama das Camélias no cinema, quase nos passou despercebido duas vezes. Fica no meio de um amontoado de lápides. O mesmo ocorre com o do vocalista da banda The Doors, que morreu aos 27 anos, em Paris, talvez de overdose, e que está escondido no meio de outros túmulos. Mesmo assim é muito visitado. Com medo de extravagâncias dos fãs, o túmulo do roqueiro rebelde que, ainda em vida, já deu muito trabalho à polícia é o único com guarda de plantão no cemitério. Parece engraçado, mas ele que vivia provocando os policiais em seus shows, agora tem a eternidade vigiada exatamente por eles. Além de fotografar e filmar o lugar onde o ídolo está enterrado, alguns fãs aproveitam o momento para fumar maconha.

As homenagens a Alan Kardec, fundador da doutrina espírita

As homenagens a Alan Kardec, fundador da doutrina espírita

No túmulo do escritor Oscar Wilde , o problema são os beijos de batom. Cinco anos depois de escrever o Retrato de Dorin Gray, Wilde foi condenado por “delito de homossexualismo”. Muito provavelmente quem deixa as marcas de batom no túmulo são os fãs que o vêem como um símbolo. Além de beijos, muitos deixam flores e bilhetes.

No túmulo de Jim Morrison, os fãs aproveitam para fumar maconha

No túmulo de Jim Morrison, os fãs aproveitam para fumar maconha

Dois dos túmulos mais bonitos são os de Pierre Abélard e Héloïse, protagonistas de um trágico romance interrompido na Paris medieval do século 12. Abelardo era um filósofo que se apaixonou por Heloísa, de quem era tutor e que era 20 anos mais nova. Os dois tiveram um filho, Astrolábio, e casaram-se às escondidas. Quando o tio de Heloísa, um clérigo de Nôtre-Dame, soube, enviou-a para um convento e mandou castrar Abelardo que foi viver na abadia de St. Denis, onde continuou seus estudos. Mesmo distantes, os dois se corresponderam, mas nunca mais se viram. Os dois só voltaram a se unir quase 700 anos depois, mortos numa tumba em estilo neogótico.

A tumba de Pierre Abélard e Héloïse, finalmente juntos

A tumba de Pierre Abélard e Héloïse, finalmente juntos

Ah! Estava esquecendo. Fomos convidadas a nos retirar do cemitério. É que os jornalistas precisam pagar para filmar e fotografar o cemitério. Mesmo assim, a autorização só poderia ser dada a partir de segunda-feira, já que no domingo a administração não abre. Sorte que só fomos avisadas disso quando estávamos no último túmulo que pretendíamos visitar.

Descobrimos uma exposição super interessante sobre o naufrágio do Titanic, na Cite des Sciences & de l’Industrie de Paris. Ela era bastante concorrida e esperamos por quase uma hora antes de conseguir entrar, a fila era imensa. Lá conhecemos toda a história do navio que foi o maior e mais luxuoso da época. Na noite gelada de 14 de abril 1912, o navio não resistiu ao choque com um iceberg e afundou. Dos 2200 passageiros, apenas 711 sobreviveram. Um acidente causado pela imprudência. O capitão do navio já havia recebido vários informes de outros barcos de que na região apontavam muitos icebergs, mesmo assim não modificou a rota e continuou navegando a uma velocidade bastante alta, sendo quase impossível pará-lo ou desviá-lo completamente do obstáculo fatal.

A exposição mostra todos os detalhes com painéis, documentos da época e impressionantes relíquias resgatadas do Titanic a 3.800 metros de profundidade. São escotilhas retorcidas, o timão do navio, objetos pessoais como jóias, dinheiro, bolsas, roupas e porcelanas usadas para servir os passageiros durante a viagem, além da história dramática de algumas famílias. A mostra apresenta uma réplica dos quartos da primeira e da terceira classe, além da luxuosa escadaria que aparece nas cenas do filme Titanic, estrelado por Leonardo di Caprio. Infelizmente não é permitido fazer fotos durante a visita, por isso não temos como mostrar o que vimos.

Além de ver os objetos, o que nos impressionou muito foi conhecer os processos delicados e minuciosos (à base de eletrólise e banhos químicos) utilizados pelos técnicos para conservar os materiais trazidos do fundo do mar depois de terem ficado 73 anos lá embaixo. Se não houvesse um tratamento em cada peça, elas iriam se desintegrar ao chegarem à superfície. Desde 87, foram realizadas seis expedições para recuperar os artefatos, a última foi no ano de 2000.

Depois do acidente, os sobreviventes prestaram informações às autoridades e foram normatizados alguns procedimentos de navegação na região, como uma mudança na rota dos navios para evitar os icebergs. Depois disso, nunca mais foram registrados acidentes semelhantes ao do Titanic na área que corta o Oceano Atlântico, quase na faixa do Círculo Polar Ártico.

Antes de voltar pra casa, demos uma passada na internet pra dar um alô pra os amigos e para atualizar o nosso site. Como Paris é enorme, levamos quase uma hora pra chegar até o camping. Preparamos rapidamente algo pra comer, bebemos uma taça de vinho e fomos pra cama. Afinal, a segunda-feira seria um dia cheio com visitas a agências e operadoras de turismo.

  
  

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