Um polaco que ama Foz do Iguaçu

Nosso dia hoje começou depois do meio-dia, quando acordamos. Na noite anterior, tínhamos ido dormir de madrugada, depois das 3h30. Ficamos nós três e o Mauro no quarto do Fabrício. Fizemos um lanche – pão, maionese, tomate e sardinha, afinal era Sex

  
  

Nosso dia hoje começou depois do meio-dia, quando acordamos. Na noite anterior, tínhamos ido dormir de madrugada, depois das 3h30. Ficamos nós três e o Mauro no quarto do Fabrício. Fizemos um lanche – pão, maionese, tomate e sardinha, afinal era Sexta-feira Santa -, mandamos algumas mensagens de Páscoa para os amigos e resolvemos fazer um jogo de perguntas e respostas sobre história do Brasil e do mundo. Uma palhaçada só...

Daniel ao lado do carro com a homenagem a Foz

Daniel ao lado do carro com a homenagem a Foz

Assim que nós três levantamos, os meninos – que já haviam batido no motorhome para nos acordar e não tiveram resposta – voltaram ao carro e foram convidados para o café, quase almoço. Resolvemos subir até o quarto do Fabrício encher alguns galões de água para a viagem. Vimos nossos e-mails e, sem muita vontade de pegar a estrada, começamos uma rodada de perguntas e respostas, como na noite passada. Foram três partidas assim.

Torre da basílica de Czestochowa

Torre da basílica de Czestochowa

Mas, estava chegando a hora de partir novamente, agora com destino à cidade de Czestochowa, a 140 quilômetros de Cracóvia. Queríamos passar a Páscoa no santuário de Nossa Senhora do Monte Claro, padroeira da Polônia. Deixamos o Piast – a casa do estudante onde o Fabrício mora – às seis horas da tarde, ainda tínhamos algumas horas de sol para viajar. Nos despedimos dos nossos queridos amigos com um ‘até breve!’ Fizemos nossa oração habitual e partimos. Adoramos Cracóvia...

Detalhe do teto da capela onde fica a imagem

Detalhe do teto da capela onde fica a imagem

Paramos para abastecer, calibrar os pneus, lavar os vidros e encher o reservatório com um pouco mais de água. Tudo certo, seguimos viagem. Passados alguns quilômetros, uma Van cheia de pessoas nos ultrapassou e todos nos cumprimentaram. Será que conhecem o Brasil ou até mesmo Foz do Iguaçu? Não sabemos, mas valeu o cumprimento... O povo polaco é muito simpático! Disso já sabíamos, mas estas manifestações de carinho sempre nos surpreendem e deixam as três toda bobas.

Sacerdote polaco Maksymilian Kolbe – morto em Auschwitz e que em breve será canonizado pelo papa João Paulo II

Sacerdote polaco Maksymilian Kolbe – morto em Auschwitz e que em breve será canonizado pelo papa João Paulo II

Logo em seguida, um outro carro passou e também nos cumprimentou. Ai, ai estes polacos...Estrada tranqüila, quase sem movimento por causa do feriado, seguimos sem nenhum problema. De repente, notamos que o motorista daquele último carro que havia nos cumprimentado fazia sinal e apontava para trás. O que será que ele quer? Imaginem qual não foi nossa surpresa quando vimos no pára-brisas traseiro dele um papel colado com os dizeres ‘I love Foz’. Não estávamos acreditando naquilo. Rimos tanto.

Fizemos sinal para entrar à direita, no cruzamento que nos levaria até o santuário. O rapaz pensou que estávamos pedindo para ele parar e...parou! Decidimos parar também e afinal saber quem era aquele que insistia em dizer que amava Foz do Iguaçu. Todo sorridente, Daniel – é assim que ele se chama – não se continha. Queria saber o por quê do nosso carro estar todo adesivado com imagens das Cataratas. Disse que já tinha visitado a cidade duas vezes e que adorou o lugar. Dava para perceber...

Explicamos sobre a nossa viagem e o que estávamos fazendo. Ele ficou impressionado. Contou algumas de suas aventuras e disse que pretende voltar a Foz do Iguaçu para levar alguns amigos. Daniel é agente de viagens e mora em Cracóvia. Ele nos disse que as pessoas na Polônia não têm muito conhecimento sobre a região da tríplice fronteira. Do Brasil, ouvem falar apenas do Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Por isso, achou muito válida a nossa proposta de divulgar as Cataratas por estes lados da Europa.

Mais uns 45 minutos de viagem e chegamos ao Santuário. Deixamos o carro estacionado bem em frente à catedral. Fomos direto para a igreja. Segundo os nossos guias, o milagroso retrato da Virgem Maria só poderia ser visto em três horários diferentes do dia. Um deles era às 21h, justo na hora em que estávamos chegando. Toda iluminada, a basílica estava linda e lotada de fiéis. Paramos para a missa e depois fomos para a sala onde a imagem fica exposta. Não conseguimos tirar os olhos dela...

A sala é movimentadíssima. Nunca vimos tantas irmãs religiosas juntas. Padres e outros fiéis também enchiam o lugar num entra e sai incansável. Algumas pessoas percorriam de joelhos um pequeno corredor que circunda a imagem. A Virgem é toda adornada de pedras preciosas e ouro. Nas paredes, milhares de medalhas, muletas e terços de devotos que receberam suas graças. Voltamos para o carro encantadas. Abençoadas, dormimos para esperar o coelhinho da Páscoa e ver se ele nos deixaria alguns ovinhos...hummm!

  
  

Publicado por em