Veneza, suas 100 pontes e três brasileiras

Deixamos o carro em um estacionamento passando a ponte que liga Veneza ao continente. Qualquer tipo de veículo, que não seja uma embarcação, é estritamente proibido de circular pela cidade. Mesmo que alguém tentasse teria sérias dificuldades. Os únicos tr

  
  

Deixamos o carro em um estacionamento passando a ponte que liga Veneza ao continente. Qualquer tipo de veículo, que não seja uma embarcação, é estritamente proibido de circular pela cidade. Mesmo que alguém tentasse teria sérias dificuldades. Os únicos transportes que se vê por ali são pequenas barcas, alguma balsas, os “vaporetos” (barcos que servem de transporte público e cruzam o Grande Canal) e as tradicionais gôndolas.

Basílica de San Marcos, uma das mais imponentes da Europa

Basílica de San Marcos, uma das mais imponentes da Europa

Saímos bem cedo de casa, com todo o nosso equipamento, mochilas e lanches. Decidimos fazer tudo a pé. Como tudo em Veneza, o transporte também é caríssimo. O mais barato que se consegue por um passeio de gôndola é 62 euros por um trajeto que dura cerca de 50 minutos – esse é o preço que nos passaram no posto de informações turísticas. Mas lá, no centro da cidade, ouvimos alguns cobrando até 100 euros de alguns casais. É claro que nestes casos a pechincha é sempre válida, mas mesmo assim tudo por aqui é bem mais caro que no resto do país.

Detalhe das famosas gôndolas venezianas

Detalhe das famosas gôndolas venezianas

Fomos nos embrenhando pelas vielas e canais, passando por algumas pequenas pontes e cruzando com as belas gôndolas. Os prédios são bastante antigos e a maioria deles não está muito bem preservada. O centro comercial fica na praça São Marcos, que abriga ainda a imponente Basílica – com os restos mortais do apóstolo e evangelista Marcos – e o Palazzo Ducale (Palácio dos Doges, ou Governantes).

Piazza San Marcos, a maior atração da cidade

Piazza San Marcos, a maior atração da cidade

A economia de Veneza, com seus cerca de 55 mil habitantes, é movimentada basicamente pelo turismo e a conseqüente venda de artesanato como as famosas máscaras de carnaval, vidro e renda. A cidade é a capital da região do Vêneto, a mais rica do país, por isso o custo dos venezianos é altíssimo, como nos disse a atendente do posto de informações. “Apesar da beleza, não são muitos os que se propõem a morar aqui.” Veneza foi um importante porto pouco antes do início das colonizações. Por ali, chegavam à Europa as especiarias vindas do oriente.

As tradicionais máscaras usadas durante o Carnaval

As tradicionais máscaras usadas durante o Carnaval

Caminhamos por toda Veneza, tomamos sorvete italiano, original e delicioso, vimos algumas fotos de Veneza inundada pelas águas do Mar Adriático e fomos brindadas com a simpatia da população local. Primeiro, por uma artesã de máscaras que nos deu uma aula sobre a história do seu ofício, já na sua família há pelo menos três gerações. As famosas máscaras de carnaval são feitas de papel cartão (para as festas nas ruas) ou de porcelana (decoração). Seguindo a tradição, os principais personagens são o Sol, o Pierrô, a Colombina, o Médico da Peste, o conquistador Casanova e as da Comédia da Arte. Tudo muito lindo, com suas cores típicas, o vermelho e o dourado.

Ponte dos Suspiros: a última visão dos condenados ao fim na prisão

Ponte dos Suspiros: a última visão dos condenados ao fim na prisão

Já no final da tarde, cruzamos com um senhor que começou a conversar com a gente no seu belo italiano. Ele começou nos perguntando de onde éramos e o que estávamos fazendo ali com tanto equipamento. Explicamos que somos jornalistas brasileiras. Foi aí que ele embalou na conversa, explicando Tim-tim por tim-tim de sua bela cidade. Nos levou para alguns lugares que ele acha indispensável conhecer em Veneza. E até nos indicou qual dos cantores que passavam nas gôndolas eram bons ou ruins. Quem conhece pode opinar, não é seu Bartolomeu?

Andamos por mais de nove horas quase sem parar. Já exaustas, paramos para comer um pedaço de pizza. Estando na Itália, precisávamos provar a original. Que delícia! Mas não muito diferente das que comemos no Brasil, apenas um pouco menos recheadas e com a massa bem fininha. Satisfeita a vontade, seguíamos pela Praça da Academia, quando Patrícia viu um doce na vitrine de um restaurante e parou para nos mostrar. O proprietário logo percebeu o nosso interesse, perguntou de onde éramos e todo hospitaleiro nos ofereceu uma pizza. Como recusar tanta gentileza?

De volta finalmente para o carro, resolvemos passar a noite ali mesmo... uma tempestade se aproximava, pelo menos era o que parecia com tanto vento que soprava. A chuva que esperávamos grande foi bem calma, quase um chuvisco. O pior foi passar a noite em um estacionamento com toda a estrutura de camping (água, luz, banheiros com chuveiro) e não ter como aproveitar a energia elétrica. Tentamos de todo modo, mas parece que o cabo ou alguma coisa no mecanismo do carro não está funcionando. Que pena! Precisamos arrumar isso o quanto antes, não podemos ficar muito tempo sem dar uma carga no carro. Agora, merecemos um descanso e uma água com sal para relaxar os pés....zzzz!

  
  

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