Visita às caves e aos vinhedos de Champagne

Como tínhamos de estar na G. H. Mumm às nove da manhã, colocamos o relógio para despertar pouco antes das oito. Justo nesta manhã de domingo, que tínhamos de pular da cama exatamente na hora marcada, caía uma chuva fina, daquelas que nos convida à preguiç

  
  

Como tínhamos de estar na G. H. Mumm às nove da manhã, colocamos o relógio para despertar pouco antes das oito. Justo nesta manhã de domingo, que tínhamos de pular da cama exatamente na hora marcada, caía uma chuva fina, daquelas que nos convida à preguiça. Mas nada disso... No dididididi, dididididi, do despertador todas estavam em pé. Tudo bem que sem aquele bom humor de sempre, mas o que importa é que estávamos acordadas. Quando tomávamos café, Patrícia olhou para o relógio que fica no painel do carro e ele marcava 7:38. Algo está errado. “Se temos que estar lá às nove horas, o relógio deveria estar marcando oito e meia”, lembrou. Foi aí que constatamos que acordamos uma hora antes do necessário. Demos muita risada... Não deu cinco minutos, as três já estavam na cama de novo.

Interior das caves da Maison Mumm, com capacidade para abrigar 60 milhões de garrafas

Interior das caves da Maison Mumm, com capacidade para abrigar 60 milhões de garrafas

No segundo despertar do dia, acordamos na hora certa e seguimos para a maison Mumm. Logo na chegada assistimos a um filme que explicou em linhas gerais o que iríamos ver durante a visita e que nos estimulou ainda mais para o que estava por vir. Nossa guia era Cecília, uma chilena que vive aqui há quatro e que conhece todos os detalhes da produção da bebida.

É possível ver na garrafa, os restos de levedura, antes da remuage

É possível ver na garrafa, os restos de levedura, antes da remuage

O único espumante que pode ser chamado de champagne é o produzido nesta região da França, onde as terras foram demarcadas oficialmente pelo governo em 1927. O solo tem, na superfície, uma fina camada de terra e logo abaixo calcário. É essa parte mais profunda que garante que o calor e a umidade sejam absorvidos e reservados, sendo liberados aos poucos para as videiras. Esse é um dos segredos da uva produzida aqui.

Provamos três variedades de champagne

Provamos três variedades de champagne

A primeira casa de champagne foi fundada em 1729. Nos anos seguintes a bebida foi introduzida na corte francesa. Mesmo antes disso, numa abadia beneditina da região, o monge Dom Pérignon já fazia as primeiras descobertas sobre a borbulhante bebida. Foi a partir de seus estudos e observações que se chegou à combinação das uvas chardonnay (que dá elegância à bebida), pinot noir (que garante o poder ao champagne) e pinot meunier (responsável pelo frescor) para a produção da bebida. Apenas a primeira é uva clara, as outras duas são bastante escuras, quase pretas. E como o champagne é claro também, o cuidado na hora de prensar as uvas é muito grande. A pressão deve ser controlada de tal forma que a casca das uvas tipo pinot não se rompam, já que são elas que dão a coloração escura ao vinho tinto.

Os vinhedos que cobrem toda a paisagem da região

Os vinhedos que cobrem toda a paisagem da região

Aqueles tonéis de madeira que temos sempre na memória quando se trata de caves, hoje são artigos de museu. A maison possui alguns só para exposição. Atualmente, antes de ir para as garrafas, a bebida é colocada em cilindros gigantes de aço inoxidável, o que é mais barato e facilita a limpeza. Para produzir uma garrafa de champagne de 750 ml são necessários 1,2 quilo de uvas. Lá dentro existem aproximadamente 25 milhões de bolhas. Que paciência a desse cidadão que teve de contá-las uma a uma!!!

Cemitério francês da Primeira Guerra Mundial, o maior da região com 12,5 mil metros quadrados

Cemitério francês da Primeira Guerra Mundial, o maior da região com 12,5 mil metros quadrados

Conhecemos toda a fabricação da bebida. São tantos detalhes... No caso da Mumm, as uvas são produzidas em mais de 300 cidades, cada uma produz uma qualidade diferente. Por isso, pouco tempo depois que as uvas foram prensadas, uma prova de cada vinho chega às mãos dos técnicos responsáveis por fazer a mistura entre eles para que o chamapgne tenha sempre o mesmo sabor, chamado gôut Maison. O paladar é típico de cada marca. Nesta mistura podem entrar vinhos com diferença de safra de até dez anos. Eles provam dezenas de vinhos diferentes, memorizam o sabor de cada um e fazem a mistura exata. É aqui que começa a nascer o champagne...

A bebida segue ainda para a fase de gaseificação (fermentação do levedo dentro da garrafa), o que produz alguns restos de levedura no fundo. Para retirá-los, o processo é minucioso e repetitivo, chamado remuage. Antigamente ele era manual, agora, na sua maioria, o trabalho é destinado a máquinas gigantes. As garrafas que já estão dispostas com os gargalos para baixo são giradas levemente até que a “sujeira” se desprenda do fundo. Os gargalos são congelados a uma temperatura de 20 graus negativos, o que possibilita a retirada da levedura. Depois que esta sujeira sai, a garrafa é completada com um líquido açucarado que vai determinar se o champagne é do tipo do champagne Brut (mais seco), Sec ou Demi Sec (mais adocicado).

Depois dessa aula de champagne, fomos à degustação. Cecília, a nossa guia, nos ensinou ainda como se deve abrir a garrafa e servir a preciosa bebida. Foi simplesmente delicioso!!! Nunca se deve sacudir a garrafa antes de abri-la, o efeito até pode ser bonito, mas muitas das borbulhas que são o charme do champagne se perdem.

Queríamos agora conhecer os vinhedos da região. O interior de Champagne é tão encantador quanto imaginávamos. Seguimos pela Rota Turística de Champagne e passamos por dezenas de vilarejos. As planícies e montanhas são tomadas pelos vinhedos. As uvas estão quase prontas para a colheita que ocorre durante três semanas nos meses de setembro e outubro.

No caminho passamos por vários cemitérios de guerra, principalmente da Primeira e Segunda Guerra Mundial. Mas o charme da região é mesmo o champagne. A estimativa é de que entre Reims e Epernay existam mais de 200 quilômetros de túneis que guardam cerca de 600 milhões de garrafas.

A nossa vontade era de ter ficado mais tempo na região e conhecido mais sobre o champagne, mas temos que seguir. Vamos ter de aprender mais sobre a bebida de outra forma: degustando-a, o que parece ser ainda mais interessante.

  
  

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