Vivemos uma troca de valores

Saímos cedo novamente para percorrer nosso último trecho de estrada até chegarmos finalmente a Roma. Antes aproveitamos para dar uma geral no carro, aquelas coisas de esvazia daqui e enche dali. O gramado ainda estava congelado da geada que se formou na m

  
  

Saímos cedo novamente para percorrer nosso último trecho de estrada até chegarmos finalmente a Roma. Antes aproveitamos para dar uma geral no carro, aquelas coisas de esvazia daqui e enche dali. O gramado ainda estava congelado da geada que se formou na madrugada e o frio chegava a doer nos ossos.

Os cristais de gelo na vegetação em Pisa

Os cristais de gelo na vegetação em Pisa

No caminho até a capital italiana as idéias foram florescendo na nossa cabeça. Já estamos na reta final da nossa expedição e muita coisa mudou desde que a iniciamos. O nosso modo de ver e viver a vida talvez seja o que mais sofreu transformação. Quando planejamos esta viagem ainda no Brasil, não imaginávamos nem um terço do que iríamos realmente viver. É claro que planejamos custos, roteiro, estratégias de visitas e tudo o mais que pensávamos estar prevendo, mas o dia-a-dia é muito mais surpreendente do que qualquer tipo de planejamento. Sofrer os dois assaltos então nem passava pela nossa cabeça e o pior é que por mais que tentemos esquecer estes tristes episódios, vivemos seus reflexos constantemente.

As placas que iam sinalizando o caminho

As placas que iam sinalizando o caminho

O dinheiro que tivemos que gastar para repor o que nos foi roubado agora está fazendo uma enorme falta. Vivemos numa eterna mágica para tentar esticar o dinheiro. Somos obrigadas a andar por estradas estreitas e sinuosas, às vezes arriscando nossa segurança, por falta de dinheiro para pagar os pedágios. Na verdade até abastecer o carro é um problema. Fazer refeições na rua então só por milagre! Trocamos nosso conforto no Brasil pela cultura e aprendizado aqui na Europa. Se nos perguntarem se está valendo a pena, certamente vamos dizer que sim, mas provavelmente só vamos compreender tudo isso com o passar dos anos. Agora estamos absorvidas pela euforia do conhecimento.

A simpática praia de Lido di Óstia

A simpática praia de Lido di Óstia

Apesar de todas as dificuldades que passamos sabemos que tudo o que estamos fazendo, vendo e vivendo só pertence a nós mesmas. Por mais que tentemos dividir esta experiência com as outras pessoas, só quem a viva talvez possa entender o que está sendo esta viagem. Os pensamentos vêm e voam junto com os carros que ultrapassamos na estrada. Aliás, hoje a estrada está ótima. Como não existe auto-estrada neste trecho para Roma, a secundária tem pista dupla, um presente dos deuses.

Nosso motorhome de frente para o mar

Nosso motorhome de frente para o mar

Paramos num posto de combustível para descansar um pouco e almoçar. Logo em seguida um outro motorhome nos acompanhou no estacionamento e companhia é sempre bem-vinda. Logo que saímos demos de cara com um policial sinalizando na estrada, achamos que iríamos ser paradas, já que vimos vários carros parados em fiscalizações. Percebemos que não era o caso quando olhamos no acostamento um enorme caminhão carregando uma peça gigantesca. Os policiais estavam servindo de batedores e para a nossa sorte entraram justo na nossa frente.

O belíssimo fim de tarde romano, um presente da natureza

O belíssimo fim de tarde romano, um presente da natureza

O caminhão era tão largo que ninguém conseguia ultrapassá-lo. Começamos então a nos divertir com os motoristas que vinham atrás da gente na maior fúria para nos passar e davam de cara com aquela jamanta. E assim foi por longos quilômetros, até que numa barreira conseguimos tocar nossa viagem.

Seguimos as placas até quase na entrada de Roma e fomos para uma praia que fica na região metropolitana. Chegamos a Lido di Óstia no final da tarde e aproveitamos a luz do sol para procurar um local seguro para estacionar. A dica foi do nosso amigo John, o inglês que conhecemos na Côte d’Azur.

Vimos outros motorhomes espalhados pela cidade e acabamos parando de frente para o mar e ao lado de um motorhome italiano. Patrícia foi conversar com o casal para saber informações do local e decidimos ficar por ali mesmo. Pela nossa experiência na estrada, percebemos que as cidades menores são sempre mais seguras do que as grandes, além do que encontrar estacionamento nos grandes centros é sempre um problema. Amanhã vamos conhecer e começar o nosso trabalho na tão famosa Roma de Rômulo e Remo.

  
  

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