Vale do Loire (Parte I) – França

Países de história medieval guardam tesouros monumentais que enchem os olhos de qualquer um, mesmo quando estão preservadas apenas as ruínas destas construções. Para quem gosta de monumentos, o lugar certo é a Europa. Na França não é diferente, principalm

  
  

Países de história medieval guardam tesouros monumentais que enchem os olhos de qualquer um, mesmo quando estão preservadas apenas as ruínas destas construções. Para quem gosta de monumentos, o lugar certo é a Europa. Na França não é diferente, principalmente nas cidades que ficam ao sul da capital Paris e que margeiam o rio Loire. Da cidade Luz partem algumas excursões com destino aos principais castelos desta região.

Jardim de Catherina no Château Chenouceau

Jardim de Catherina no Château Chenouceau

Boa parte da história da realeza francesa se passou no rico Vale do Loire, adorado e muito aclamado pela realeza da época. Por isso não é de se estranhar que neste lugar se encontrem dezenas de exuberantes castelos que mais parecem de conto de fadas. No verão esses châteaux (lê-se chatô), classificados pela Unesco como Patrimônios Históricos Culturais da Humanidade, atraem milhares de turistas interessados em conhecer e ver como viviam os nobres que influenciaram os destinos daquela imponente e imperiosa nação do Velho Continente.

Escada de Chambord, “projetada” por Da Vinci

Escada de Chambord, “projetada” por Da Vinci

No total, são 27 castelos construídos entre os séculos XIV e XVIII a mando de diversos nobres em diferentes épocas, dos mais ambiciosos aos mais extravagantes. As manias destes monarcas, suas preferências e muito do aparato que servia tal ostentação foram preservados e ajudam a ilustrar aquele período áureo de conquistas e revoluções.

No passeio noturno, lampeões iluminam o Chambord

No passeio noturno, lampeões iluminam o Chambord

Dos vários castelos que margeiam o rio Loire, os châteaux de Chambord e Chenonceau são os mais grandiosos. Suas histórias também são bastante interessantes e chegam até a surpreender pela ousadia. Espetáculos noturnos levam a uma viagem por um cenário de luzes, mistério e ilusão. Durante o dia, a beleza dos jardins e as imponentes construções encantam os visitantes.

O Château Chambord e suas inigualáveis linhas

O Château Chambord e suas inigualáveis linhas

Chambord – Durante o dia, a visita ao castelo de Chambord revela os quartos reais, também ricos aposentos de valetes e a Grande Escada, supostamente projetada pelo mestre Leonardo da Vinci. O curioso desta escada formada por duas espirais em torno de um nó é que as pessoas de fora conseguem ver os que sobem ou descem, mas estes jamais se cruzam. Só mesmo andando por ela é que se pode descobrir o seu segredo arquitetônico.

Turistas passeiam pela galeria do castelo Chenonceau

Turistas passeiam pela galeria do castelo Chenonceau

Ao percorrer as salas, se caminha por diferentes épocas de glória do castelo, descobrindo os vestígios dos personagens que marcaram sua história. Francisco I, o construtor, instalou os seus aposentos na ala norte. O quarto mais luxuoso é o de Luís XIV, o Rei Sol, quem terminou as obras do palácio. Este aposento foi usado ainda pelo rei polaco Stanislas Leszczynski no seu exílio (1725 a 1733) e, mais tarde, ocupado pelo marechal de Saxe.

O château leva hoje o nome do conde de Chambord, neto do rei Carlos X, último nobre proprietário do castelo. O Estado francês comprou a propriedade dos herdeiros do conde em 1930 e criou no seu entorno o maior parque natural fechado da Europa. A reserva é cercada por uma muralha de 32 quilômetros construída ainda no tempo da nobreza para proteger a área que abrangia a residência real e o bosque de caça.

Chenonceau – Este é um dos castelos mais bonitos do Vale do Loire e talvez o que carrega a história de alguns dos personagens mais interessantes da monarquia francesa. O Castelo das Damas, como é conhecido Chenonceau, foi erguido no século XVI, a partir de um moinho e de um modesto domínio feudal.

O castelo é quase todo ele quartos. São aposentos construídos para os reis Francisco I, Henrique II e outros nobres. Aqui viveram ainda a rainha Catherina de Médicis e a amante de seu marido, Diana de Poitiers, para quem o rei presenteou o château. Depois da morte de Henrique II, em 1559, Catherina, agora rainha da França, expulsou a “concorrente” e a mandou para outro castelo, o de Chaumont-sur-Loire.

Nas paredes de alguns cômodos é possível ver as iniciais H e C, de Henrique II e Catherina, que entrelaçadas formam o D, de Diana. Bem ao lado do quarto da amante fica o Gabinete Verde, de onde Catherina governou a França. A rainha também imprimiu sua marca no castelo, redecorando-o e inserindo suas letras no teto e nas paredes das principais salas.

Sobre a ponte que ligava Chenonceau à outra margem do rio Cher foi construída uma galeria. Séculos mais tarde, durante a Primeira Guerra Mundial, este espaço serviu de enfermaria para centenas de soldados franceses feridos durante a batalha. Já na Segunda Guerra, o corredor era um dos poucos caminhos que ligavam o território francês ocupado pelos alemães à região de Zona Livre.

No último andar, um quarto todo pintado de preto e detalhes que lembram o luto abrigou Louise de Lorraine, esposa do rei Henrique III, assassinato pelo monge Jacques Clément, em 1589. Após a morte do marido, Louise decidiu se recolher em Chenouceau para rezar. Sempre vestida de branco, segundo o protocolo de luto real, ficou conhecida mais tarde como a “Rainha Branca”.

Do lado de fora, dois jardins clássicos completam a beleza da construção. O maior leva o nome da preferida do rei Henrique II, sua amante Diana de Poitiers. O menor e mais íntimo foi construído para a rainha Catherina. A decoração dos jardins é totalmente renovada na primavera e no verão e consome 130 mil bulbos, tudo isso para deixá-los sempre impecáveis. As mulheres e amantes dos vários proprietários do castelo transformaram-no num palácio dedicado ao prazer.

Cidades importantes da França medieval, como Blois, Gien, Tours, Chinon, Saumur e Angers também preservam seus castelos e os mantêm abertos à visitação. A região “adorada pelos reis franceses” pode ser sobrevoada de balão e a beleza das construções, jardins e bosques admirada do alto, de uma vista privilegiada. As histórias que revelam a vida e os costumes nestes palácios são contadas todas as noites de verão em espetáculos de som e luzes apresentados nos principais châteaux. Vale a pena conhecer!

Para mais informações, acesse: www.monum.fr (site oficial dos monumentos históricos da França)

  
  

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Elisa Dias

Elisa Dias

24/03/2010 23:18:14
Fiz este passeio maravilhoso por todo o Vale do Loire e fiquei encantada, inclusive próximo do castelo (na entrada dos jardins) de Chennonceau tem um museu de cêra com figuras de todos que viveram no castelo,inclusive a cruel Catarina de Médices, vale a pena ver tambem a cozinha do castelo e o Quarto Negro. Os jardins são lindissimos e super conservados

Patrícia brandão

Patrícia brandão

19/01/2009 01:10:34
são realmente fascinantes as histórias que se passaram na época da monarquia francesa,tenho particular curiosidade por elas e nem tenho um motivo concreto,tenho imensa vontade de conhecer tais locais pessoalmente,mas no momento não me é possível.Sugiro Que coloquem mais fotos da região e também do interior do castelo e de seus cômodos para o deleite dos internautas.Obrigada

Maria Elisa

Maria Elisa

12/01/2009 21:09:12
Fizemos esta viagem no inverno com muito frio e muita neve e adoramos.
Vale a pena ficar hospedado em alguns dos castelos que são hoteis, nas cidades de Amboise , Saumur e Blois.
A paisagem é lindíssima , e pudemos visitar todos os castelos , sem problema.