Blogs > Expedição Águas do Brasil > Boletins >A cidade dos Cânions - Praia Grande (SC)7 de Agosto de 2008. Publicado por João Vianna e Amelia Clark Tanto no litoral quanto na serra, o estado de Santa Catarina possui lugares paradisíacos e hospitaleiros que mostram a beleza desse grande Brasil, com toda a sua diversidade, já que o sul é tão distinto do norte, do sudeste e etc Praia Grande, que não é uma praia, tem esse nome devido a sua história. Quando os tropeiros desciam as montanhas, em certos trechos, passando perto dos rios, avistavam suas margens O município se localiza entre o litoral e a serra, no extremo sul do estado, próximo à Torres (RS). O turismo está crescendo aos poucos com uma procura cada vez maior de visitantes durante o verão. Aqui encontramos, além dos belíssimos cânions, muitas cachoeiras, rios, e trilhas, uma aconchegante energia. Fomos muito bem recebidos pelo pessoal da APCE (Associação Praiagrandense de Condutores para o Ecoturismo), uma associação que existe há 10 anos, criada por pessoas com uma mentalidade jovem que tem como objetivo desenvolver o ecoturismo consciente. Os condutores nos guiam para as trilhas que necessitam de acompanhamento, nos falam sobre a história, geologia e curiosidades da região. Percebemos neles uma grande preocupação com a sustentabilidade local. Em seus roteiros também estão incluídas visitas a agricultores locais que utilizam técnicas agroecológicas que garantem a preservação dos bens naturais, além de produzirem alimentos orgânicos mais saudáveis e saborosos. Sabrina foi a guia do nosso primeiro passeio e ficamos impressionados com seu conhecimento, visão e sensibilidade. Sabrina nos explicou que a Associação incentiva os jovens da cidade, lhes possibilitando uma experiência profissional com o que eles têm de mais precioso que é a natureza. Eles também fazem um trabalho de educação ambiental com as crianças da região. A trilha da Pedra Branca é cercada de morros onde se refugiavam escravos fugidos. Em seu entorno existe uma vila de remanescentes de quilombos. A vista lá de cima é energizante! E no terceiro dia foi Gisela quem nos levou para ver as cachoeiras “Magia das Águas” (40 metros) e “Cascata dos Borges” (67 metros). Ficamos hospedados no albergue Nativos dos Cânions. É uma casa muito simpática dentro do terreno de Dona Neri. Possui 3 quartos com diversas camas, banheiro, toda a estrutura de cozinha e uma ampla e confortável sala com revistas de ecoturismo e livros de poesias muito bonitos, um deles escrito pelo seu filho, Tarcísio Roldão da Rosa. Como estava em baixa temporada, tivemos a casa só pra gente! E fomos tratados com muito carinho pelo Dona Neri (que até lavou as nossas roupas!), curtimos uma casinha confortável que nos protegeu do frio do sul. A trilha do Rio do Boi é um passeio imperdível pra quem quer de fato sentir a energia do Cânion Itaimbezinho. Trata-se de uma trilha pelo interior dos paredões deste gigante, de onde despencam várias cachoeiras lindíssimas. O grande desafio é que a caminhada, que pode durar até 8 horas, é inteira feita pisando e se equilibrando em pedras no leito do rio. E é necessário passar por dentro d’água umas 20 vezes com a água gelada até o joelho. A caminhada exigiu muita concentração, na certa uma forma de meditação, que consistiu em olhar o tempo todo para onde estaríamos dando o próximo passo. Parávamos de vez em quando para admirar a paisagem que era diferente e singular em cada trecho. Hora tinham poços de água cristalina, hora cachoeiras caindo dos paredões, corredeiras, sem contar as sortidas pedras, mescladas em cores, tamanhos e formas diversas. Como o rio estava bem seco não tivemos muitas dificuldades, mas é claro que houveram uns escorregões, eu mesmo caí duas vezes dentro d’água e por pouco não molhei o equipamento fotográfico. Para que isso não acontecesse, em alguns trechos tivemos que trabalhar em equipe – atravessando o rio de mãos dadas par que um pudesse se apoiar no outro. Após a pausa para o lanche num cenário cinematográfico, começamos a retornar. O interessante é que na volta tudo estava diferente devido à luz. A cachoeira que na ida estava na sombra passou a ter sol e outros trechos onde batia sol, agora estavam sombreados. A impressão que tive é que estava passeando num outro lugar. E assim, após seis horas de passeio, retornamos pra cidade. Todos cansados e com fome porém com a alma repleta de felicidade! No dia seguinte nos despedimos de Praia Grande. Nossa viagem vem sendo documentada e exibida através do Nosso Blog. João Vianna e Amelia Clark |
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