Fernando de Noronha - roteiros e dicas
As belezas de Fernando de Noronha pelas lentes do fotógrafo João Vianna. Com dicas de atrativos, passeios, hospedagem e muito mais!
3 de Dezembro de 2008. Publicado por João Vianna e Amelia Clark
FERNANDO DE NORONHA - Por Amelia Clark e João Vianna
 Praia do Sancho - Foto: João Vianna
Introdução
Eu e o João nos conhecemos antes dele ir morar em Noronha, mas naquela época ele já tinha o sonho e a perseverança que se precisa ter para conseguir morar naquele lugar. Demorou uns dois anos pra conseguir um emprego e se mudar de vez. Não foi fácil. E morar lá, ele às vezes conta, também não foi fácil. São limites que nem todos aguentam. A falta de água, de alimentos de qualidade (vegetais), de moradia confortável, da companhia dos melhores amigos e familiares. Mas em meio a uma natureza indescritível que tapou essas lacunas e alimentou seu coração por três anos, fazendo dele o homem que é hoje, alguém que admiro mais do que ao ponto de expor esse sentimento aqui, no Ecoviagem, para pessoas que não conheço. Acho importante dar meu tom pessoal a esse texto de Noronha. Noronha é uma experiência pessoal. Talvez com tons parecidos para todos, mas pessoal por atingir a cada um no fundo da alma, no ponto chave que nos faz questionar a vida.
 João e o livro Viver Fernando de Noronha Foto: autor
“A contemplação nos permite experimentar nossa inegável identidade com a natureza. Seus ensinamentos possibilitam um salto em direção a um maior entendimento. Contornamos o tempo e o espaço. E vivenciamos a paz, o amor e o sentimento de estarmos verdadeiramente em casa.” - Livro “Viver Fernando de Noronha”
Já visitei o arquipélago cinco vezes, sempre acompanhada do João. Ir com alguém que conhece a ilha profundamente é uma vantagem imensa. Possibilita uma exploração detalhada e focada. O Sol forte, as caminhadas difíceis e a grande quantidade de lugares a serem visitados às vezes exaurem o visitante. Tudo é tão lindo que dá vontade de abraçar o mundo com as pernas e passar 24 horas acordado usufruindo da sensação que cada praia, pedra, árvore e bicho nos proporcionam. Por isso fiz questão de escrever este texto. Pra dar as dicas de um visitante que sempre esteve acompanhada de quem conhece o lugar.
Nossa última visita à Noronha foi agora em outubro para lançar o livro de fotografias do João, (“Viver Fernando de Noronha” – Editora Réptil) onde ele reúne mais de 60 fotos da Ilha que selecionou das mais de 1500 imagens que fez desde a primeira vez que lá visitou. O livro descreve o que é a “experiência de viver Fernando de Noronha” por isso peço licença para usar partes do texto e das imagens para ilustrar as dicas que quero dar aqui.
ROTEIROS IMPERDÍVEIS
Fiz roteiros diários que podem ou não serem feitos nessa ordem. Achei que essa seria a forma mais simples de falar dos lugares que quero enfatizar. As dicas estão em letra maiúscula.
Dia 1 – Vila dos Remédios/ praias:
 Praia do Cachorro - Foto: João Vianna
No primeiro dia de visita à ilha, eu aconselho um passeio pelo centro histórico, depois uma caminhada pelas praias que ficam lá por perto. Pegue o ônibus ou carona até a VILA DOS REMÉDIOS. Lá você verá o prédio da administração, os Correios, o prédio do Banco Real que abrigou a primeira escola da ilha, além do Museu e de ruínas e canhões antigos. Esse é o centrinho histórico de Noronha. Se quiser saber mais detalhes, os guias locais fazem a “Caminhada histórica” e contam com detalhes a história da ilha de desde a sua descoberta em 1503 por Américo Vespúcio. Caminhe descendo em direção ao Bar do Cachorro. Dê uma entradinha no bar para ver e fotografar a vista. Ao lado do bar tem uma escadaria para a PRAIA DO CACHORRO. Na praia tem um barzinho legal para uma gelada água de côco. Do lado direito da praia caminhe uns 15 metros pelas pedras na maré baixa e irá conhecer o BURACO DO GALEGO, uma piscina natural de 3m de profundidade onde os nativos mergulham e se divertem.
 Buraco do Galego Foto: João Vianna
Com a maré baixa, você pode caminhar direto para a PRAIA DO MEIO. Se não, suba a escada e, do lado direito apos uma ruína, pegue uma trilhazinha rápida que desce de novo para praia do meio. ATENÇÃO! Logo depois dessa ruína você vai avistar o que em minha opinião é uma das mágicas atrações de Noronha: a GAMELEIRA! Uma árvore pra lá de centenária que encanta pelo seu tamanho e beleza. Entre a Praia do Meio e a Praia da Conceição você vai ver o BAR DO MEIO. Excelente para uma relaxadinha antes do mergulho. Dá pra ficar o dia inteiro no Bar do Meio, só vendo o mar e as fragatas. Lá tem espreguiçadeiras pra pegar Sol ou máscaras e nadadeira para alugar para o mergulho livre. É só falar com o Túlio (guia de mergulho). Quem quiser fugir do Sol, o bar oferece a sombra ideal, aquela que vem com direito à cervejinha e petiscos! Aconselho passar a tarde lá. Fazer um mergulho no MORRO DE FORA, almoçar um peixinho fresco com o melhor pirão da ilha, e caminhar na PRAIA DA CONCEIÇÃO com sua paisagem abençoada pelo majestoso MORRO DO PICO.
Depois das praias, dê um pulo no FORTE DOS REMÉDIOS para ver o por do Sol. Saindo do Bar do Cachorro, basta seguir a ladeira ao lado do museu e pegar a próxima ladeira à esquerda. O Forte é belíssimo, tem vista para o Mar de Fora e para as praias do Meio e Conceição. O local é especial para se tirar muitas fotos e o pôr do Sol de lá é com certeza um dos mais belos de Noronha.
 Pôr do Sol - Foto: João Vianna
“Os fortes, os canhões e o que restou do presídio nos lembram que a vida é cheia de erros e acertos. Quanto mais experiência, mais cicatrizes e marcas. Estas devem ser encaradas como parte do processo do aprendizado. Aceitar e entender a nossa história nos ajuda a descobrir quem somos e, conseqüentemente, a transformar os nossos passos em melhores realizações.” Livro “Viver Fernando de Noronha”
DIA 2 – Trilha do Mirante Golfinhos/ Sancho/ Baía dos Porcos
 Baía dos Porcos Foto: João Vianna
Se prepare, pois esse será um dia inesquecível. Passe logo protetor solar e se der leve chapéu. Máquina fotográfica na mão, garrafa de água, sorriso no rosto e roupa colorida, de praia, para sair bem nas fotos. Leve a máscara, snorkel e nadadeira, pois lá não tem para alugar. Leve mesmo que tenha medo do mar. É um começo para perder o medo! Pegue um táxi até o início da TRILHA DO MIRANTE DO GOLFINHO ou um ônibus se não se incomodar em caminhar 1 km a mais. Inicie a caminhada em direção ao mirante dos golfinhos e assim terá a ordem do que aconselho ser visto. O caminho é tão lindo quanto o mirante. Na época de chuva, a trilha fica exuberante com uma mistura de tons de verde que é de impressionar. E mais bonita ainda é na época de seca, com o cinza dos galhos e folhas secas se transformando em tons de prateado. O tronco da ÁRVORE MULUNGU tem uma cor impressionante e a trilha tem uns trechos realmente mágicos. “A caminhada consciente traz o canto dos pássaros, o farfalhar das folhas aotoque do vento, o perfume do jasmim.” - Livro Viver Fernando de Noronha”
Quando você chegar ao MIRANTE DOS GOLFINHOS, se eles não tiverem lá descansando na baía não fique triste, você terá outras oportunidades de vê-lo. O bonito mesmo do mirante é ver o azul dégradê e transparente do mar como pano de fundo para os Mulungus – floridos em setembro - que cercam a baía. É lindo!... Mas está só começando! A trilha continua quando você se depara com a BAÍA DO SANCHO. Ah, o Sancho! Visto de cima da falésia, pra mim, parecia ter sido a coisa mais linda que alguém no mundo poderia avistar. Só não era a mais linda, porque eu não tinha chegado na Baía dos Porcos ainda! A trilha vai permitir que você contorne toda a Baía do Sancho por cima. O alaranjado da falésia com os coqueiros esguios, aliado ao verde-esmeralda do mar (ainda e sempre transparente) visto mais uma vez entre os Mulungus, é um quadro pintado com todas as cores que queremos ver. Dá emoção de verdade!
 Praia do Sancho Foto: João Vianna
Então você continua mais um pouco até que vai parar em cima da BAÍA DOS PORCOS. Nossa senhora! Nossa senhora! Fotografa! Fotografa mais! Que lindo! Que lindo os MORROS DOIS IRMÃOS. Que lindo todas aquelas pedras no verde do mar. Pessoalmente acho que é o lugar mais bonito para “sair na foto”. Explore o lugar de vários ângulos, recortes e poses!
Volte mais um pouco na trilha e repare que no penhasco do Sancho estão os ninhos dos ATOBÁS e dos pássaros VIUVINHA (o pretinho) e NOIVINHA (o branquinho). Eles todos ficam sobrevoando por ali dando um show de liberdade.
 Atobá - Foto: João Vianna
De volta à escadaria do Sancho é hora de descer pra praia. Sem medo! O que cansa é subir de volta. Tem pouca sombra na praia então não perca muito o seu tempo e vá direto dar um mergulho e ficar boiando por lá naquela água fresca e transparente. Se tiver topado a história do mergulho livre, o bom é mergulhar na LAJE que fica no meio da baía. Pra quem tem menos habilidade, mergulhe no canto esquerdo da praia. Em ambos os pontos você vai ver um monte de peixinhos, corais, talvez tartarugas, moréia, polvo...
 Piraúna - Foto: João Vianna
 Arraias Xita - Foto: João Vianna
Depois de curtir o passeio, tome uma boa água de côco e peça um táxi ou uma carona no quiosque que fica no início da trilha.
Como diz uma amiga querida, a única preocupação que se deve ter em Noronha é onde ver o por do Sol. Pois bem, nesse dia aconselho ficar pela PRAIA DO BODE e CACIMBA DO PADRE, o por do Sol visto da praia é deslumbrante!
 Praia do Bode - Foto: João Vianna
“Na madrugada, banhada de luz branca e cheia, a areia veste um tom pálido,enquanto as ondas, filhas do vento, desfazem-se sobre ela num brilha restrondoso.” - Livro Viver Fernando de Noronha”
DIA 3 – Passeio de Barco
 Passeio de Barco com mergulho livre Foto: João Vianna
Na pousada ou no porto você pode agendar o passeio de barco com diversas operadoras. Custa em torno de R$ 70,00 e vale muito à pena. (Levar máscara e respirador, não esquecer o protetor Solar e a câmera. Se tiver câmera de filmar, melhor ainda!) Aliás, uma dica: a Pousada do Vale (Tel. 81 3619 1293 – Michele) aluga CÂMERAS FOTOGRÁFICAS SUBAQUÁTICAS que filmam também. Vale à pena ter uma câmera dessas todos os dias, mas se o bolso não permitir, alugue pelo menos nesse dia do passeio de barco onde você vai poder fotografar a ilha vista do mar, vai poder filmar e fotografar os golfinhos e fotografar e filmar em baixo d’água quando o barco parar para o mergulho livre no Sancho. Sair de Noronha sem uma foto com peixinho não vale
O barco sai do porto (a empresa busca você na pousada) e passeia por todas as praias do Mar de Dentro. Quem vai à Noronha merece ver a ilha por esse ângulo, do mar. Chegar aos Dois Irmãos e passar do ladinho deles é quase obrigatório. O barco pára por 40 minutinhos na Baía do Sancho pro mergulho. Aconselho nadar até a laje do Sancho mesmo que já tenha ido em outro dia.
O passeio é narrado por um guia e é uma oportunidade de descobrir algumas histórias e segredos da ilha.
 Golfinho rotador - Foto: João Vianna
Mas o melhor do passeio na verdade é finalmente ver de perto os GOLFINHOS! 50, 100, 200 golfinhos normalmente circundam o barco acompanhando o passeio. É simplesmente indescritível! Uma sensação de felicidade, emoção e, sim, de amor verdadeiro! A chance de ver golfinhos é de 99,9% como disse a última operadora com quem fiz o passeio. Infelizmente nesse dia eles não vieram! Então acontece da falta de sorte aparecer e os golfinhos estarem indisponíveis para brincar. Mas se isso acontecer, as operadoras oferecem o segundo passeio por 50% do preço. E eu sinceramente acho então que vale a pena repetir!
“Coração disparado, garganta sêca, os olhos não contêm a emoção e a sensação de plenitude que nos invade a alma neste momento tão sublime: o encontro com os golfinhos. Eles nadam, saltam, divertem-se e nos fazem voltar a ser crianças, despertando o amor e a mais pura alegria.” - Livro Viver Fernando de Noronha
Outro passeio de barco maravilhoso que tem na ilha, mas com uma proposta um pouco diferente, e talvez até mais interessante, é a do VELEIRO DOLPHIN WATCHERS. O barco é de um casal super simpático e eles alugam para passeios com direito à aperitivos e petiscos. O passeio com eles é especial, você vai ficar super à vontade. Velejar é sempre uma experiência charmosa e interessante. O barco pára na Praia da Cacimba ou Conceição onde você passa o dia mergulhando e curtindo! O contato é no porto na loja Santuário.
O por do Sol após um passeio desses pode ser visto do próprio porto. Aproveite pra dar um pulo na CAPELA DE SÃO PEDRO, e no AIR FRANCE, ambos pertinhos dali.
 Capela de São Pedro Foto: João Vianna
Mas antes vá até o mirante do BURACO DA RAQUEL que fica em frente ao MUSEU DOS TUBARÕES. Foi uma das experiências mais marcantes que tive na minha última visita. Eu fiquei hospedada numa casa pertinho do Buraco da Raquel e ia lá todos os dias. O vento forte entrava pelos meus poros, cobrindo a minha alma com um energia que me alimentava de felicidade e sensações que eu nunca tinha vivido.
Lá eu ficava durante mais de uma hora contemplando e meditando. As FRAGATAS e ATOBÁS ficam dando um show de acrobacias e o MAR DE FORA com suas ondas fortes arrepiam. É uma imagem de Noronha diferente da que estamos acostumados a ver, por isso que enfatizo o quanto vale a experiência.
“Os atobás mergulham no meio das sardinhas como flechas e decolam a tempo de se esquivarem das ondas. Nas alturas, marcando a direção dos ventos, as fragatas voam serenas, aguardando para, numa investida precisa, roubar a comida do bico de seus adversários.” Livro “Viver Fernando de Noronha”
Se tiver em época de LUA CHEIA fique por lá porque a Lua nasce no mar e quando ela aparece não dá pra crer que é possível estar vivendo mais uma experiência dessas dentro do mesmo lugar e na mesma viagem. Viva Noronha!
DIA 4 – Baía do Sueste (nadar com as tartarugas) / Praia do Leão/ Ponta das Caracas/ Praia do Boldró
 Tartaruga de Pente - Foto: João Vianna
A BAÍA DO SUESTE é a área de alimentação das TARTARUGAS MARINHAS então nadar por lá é nadar com elas na certa. A proximidade que ficamos das tartarugas é tal que chega a dar uma certa aflição, mas aflição positiva, tudo parece novidade! O local tem restrições para o mergulho, chegando lá procure um guia credenciado pelo IBAMA. Minha dica é que leve mais uma vez a câmera fotográfica submarina. Procure saber o horário da maré, o melhor mergulho no local se dá com a maré enchendo e cheia. Se tiver ventando muito talvez a água não esteja muito transparente. Por ser uma baía de águas muito rasas, a pequena ondulação pode levantar um pouco de suspensão e algas.
Depois, ou antes, não deixe de caminhar até a PONTA DAS CARACAS pra ver o mar-de-fora e as piscinas naturais de cima. Devido a incidentes ocorridos no local não é permitido descer até a linda bancada de pedras. Mas é um ponto que precisa ser visitado mesmo de cima.
 Praia do Leão Foto: João Vianna
Neste roteiro está incluída a visita à PRAIA DO LEÃO, uma das mais belas da ilha. Lá, entre janeiro e junho, acontece a postura dos ovos da tartaruga verde e o nascimento também! Procure informações no centro de visitantes do TAMAR, onde acontecem as palestras interessantíssimas todas as noites, ou mesmo no quiosque situado na Baía do Sueste. Depois de fotografar a praia de cima, se o mar estiver calmo, dê um mergulho. Caminhar até o outro lado da praia reserva surpresas como as piscinas naturais e os esguichos de água que saem das pedras. Depois vá até a PRAIA DO BOLDRÓ onde poderá almoçar olhando pro mar Reserve o final do dia pra ver onde acontece o melhor e mais famoso por do Sol da ilha, no FORTINHO DO BOLDRÓ. Poucos sabem, mas há uma pequena TRILHA linda e encantada que você pega na estradinha da praia do Boldró, logo depois do mirante, que dá na rua do forte. Eu só fui conhecer essa trilha na minha última ida... Lugar inesquecível! Dica que poucos conhecem!
 Pôr do Sol no Forte do Boldró - Foto: João Vianna
O Sol se põe as 18:00 então basta chegar lá as 17:30, tomar um suco ou cervejinha e aguardar pelo espetáculo. A maioria das pessoas corre para as pousadas depois que Sol vai embora mas recomendo esperar o dia escurecer, vendo o céu passar pelas mais variadas cores, tendo como silhueta nada mais nada menos que o Morro Dois Irmãos. “Noronha reflete e refrata cores para todos os lados. Na aurora e no poente, o céu, variando de um amarelo-vida a um laranja-avermelhado, define os quase-inconfundíveis contornos da ilha, salpicado por seus artistas: os pássaros.” Livro Viver Fernando de Noronha
Dia 5 – Mergulho livre no naufrágio / Praia da Biboca / Plana Sub / Batismo de mergulho de cilindro
Na PRAIA DO PORTO tem um NAVIO NAUFRAGADO bem perto da areia. O mergulho com máscara e respirador é possível para os menos experientes e o visual é imperdível. Dá pra alugar o material na loja Santuário que fica no próprio porto. A PRAIA DA BIBOCA é a praia ao lado do Porto. Lá, com o mergulho livre, se vê os TUBARÕES. Não se assuste! São criaturas que não oferecem perigo. Se quiser se sentir seguro, contrate um guia para acompanhá-lo. Se der, nesse mesmo dia faça o PLANA SUB (ou áqua sub) que é uma prancha que fica amarrada atrás de um barco. Você vai segurando na prancha enquanto o barco anda a 3 nós por hora. A sensação é de estar voando dentro d’água – só que junto com peixinhos, tartarugas, moréias... É inesquecível! Há várias empresas, todas situadas no porto, que oferecem este passeio, que tem que ser agendado com antecedência.
Eu incluí o BATISMO neste dia porque ele é uma das principais atrações de um lugar como Noronha e precisava ser mencionado em um dos roteiros, mas a verdade é que o ideal seria separar quase um dia inteiro para ele. É cansativo para quem não está acostumado. E bem emocionante. Eu estava com muito medo e quase me recusei a fazer. Medo de sentir claustrofobia, medo de não conseguir fazer a compensação, medo de tudo... E tudo se provou ser uma grande besteira. É simples e fácil. A água de lá é tão transparente, que parece que você está num grande aquário. Se você estiver com uma câmera subaquática em mãos, peça para seu instrutor te filmar e tirar fotos. Em Noronha há três operadoras de mergulho, a Atlantis foi a que escolhi e fiquei bastante satisfeita.
Outros passeios: Caso fique mais dias na ilha, seguem ainda algumas dicas: - Praia do Atalaia: feita por trilha e é obrigatório ser acompanhada por um guia credenciado. Faça a trilha longa, pois você terá a oportunidade de nadar em várias piscinas naturais. É uma trilha cansativa, principalmente se o sol estiver forte. - Ponto das Caracas à noite: o céu estrelado é impressionante. Uma energia fora do comum!
 Piscina natural Foto: João Vianna
- Piscina natural do Morro São José: acesso limitado - é obrigatório estar acompanhado de um guia credenciado. A ilha São José é uma das ilhas secundarias, para chegar lá só nadando ou quando a maré estiver muito baixa. - Surf: a temporada de surf acontece de janeiro a abril. Noronha é considerada o Havaí brasileiro. Possui ondas em várias praias. A Cacimba do Padre é a mais procurada por seus tubos perfeitos!
 Surf na Cacimba do Padre - Foto: João Vianna
DICAS GERAIS FERNANDO DE NORONHA:
- HOSPEDAGEM Noronha possui em torno de 100 pousadas. A classificação é feita pela quantidade de golfinhos, mas aconselho não se basear muito nisso. Há muitas pousadas boas de um só golfinho. De todas as pousadas que tive a oportunidade de conhecer, nenhuma chamou tanto a minha atenção quanto a BECO DE NORONHA. A Silvana, dona da pousada, cuida daquilo com uma dedicação e amor que reverbera no ambiente. É realmente charmosa e confortável.
 Pousada Beco de Noronha - Foto: João Vianna
Pousada Beco de Noronha
- MERGULHO LIVRE O mergulho livre em Noronha é pra qualquer um em qualquer idade. A calmaria e transparência do mar permitem que todos se aventurem ao que, pra mim, é a melhor das brincadeiras de Noronha. Eu chamo de “nadar com os peixinhos”! O oceano é um planeta a parte para os que não estão acostumados. E esse é o meu caso! Mas passe uma manhã dentro do mar de Noronha, que você vai se tornar peixe, sereia ou tubarão. Não tem como não se sentir em casa, então não deixe de curtir essa atividade.
- NOITE DA ILHA A noite da ilha pode ser bem divertida, mas recomendo não varar a noite, pois se arrependerá se acordar tarde no dia seguinte. Mas há a chance de se viver um belo romance de temporada, os pontos abaixo são os que valem à pena. - Bar do Cachorro – para quem gosta de forró. O melhor dia é segunda-feira. Às 23 horas tem a apresentação do Maracatu Nação Noronha que dá um belo show de cultura pernambucana, seguido do forró que vale o swing. Sexta-feira o lugar também lota. - Pizzaria (ao lado da igreja) – o dia quente é aos sábados com show ao vivo. Não espere comer uma boa pizza por lá. O negocio é a dança e a paquera. - Fortinho do Boldró – as quintas feiras têm Lual com Noite do Caldinho. Ideal para casais, o lugar é belíssimo pra curtir o luar e as estrelas (se informar sobre a programação antes, pois não são todas as quintas que tem evento). - Tom Marrom – restaurante com musica ao vivo diariamente, vale esquentar por lá e depois descer. No domingo é o programa certo. A musica é especial porque o proprietário e músico, Márcio Moreno, bota a banca em muitos artistas famosos por aí. Márcio Moreno é realmente talentoso e tem um repertório que eu jamais vi, é só pedir! A comida não fica nada atrás.
- RESTAURANTES Almoço: - Edilma e Tom Marrom – são os dois melhores restaurantes para almoço. Ficam no centro histórico na Vila dos Remédios. Os dois têm peixe muito fresco, o preço é honesto e a comida caseira é realmente muito saborosa. - Flamboyant e Ousadia da Ilha– pra quem não quer perder tempo, esses dois a quilo são os melhores. Ambos ficam na Praça Flamboyant (Ousadia fica em frente). Jantar: - Festival Gastronômico da Pousada do Zé Maria – toda quarta e sábado a pousada oferece o festival gastronômico com mais de 5 opções de prato de camarão, 8 opções de peixe, uma paella com tamanho que nunca vi igual, além de opções de carne, frango e muito mais. Ah, mas o melhor é o sashimi nunca havia comido um peixe tão fresco. E a sobremesa também! É necessário reservar com antecedência, pois está sempre abarrotado de turistas gulosos como eu! A pousada tem uma horta hidropônica que vale a visita. - Pousada Teju açú – confesso que ainda não fui. Mas possui uma gastronomia de ponta com Chef premiado, todos elogiam muito. Legal até para conhecer a pousada que é um charme.
- DICAS GERAIS
- Melhor época para a visita: Entre julho e outubro o mar de dentro está calmo e a ilha oferece paisagens mais bonitas. Nos outros meses, a ilha está em época de seca e a vegetação fica “pálida”. O mar de dentro começa a ficar mais bravo e o Mar de fora tende a ficar mais calmo. Para o surf, a época de ondas é de dezembro a abril. As ondas são gigantes então se você não curte o surf, não recomendo a ilha nesta época. - Dinheiro/ Cheque/ Cartão: em Noronha tudo é caro – mas não pense que é para abusar do turista – o morador sofre com isso mais do que ninguém. Não são todos os estabelecimentos que aceitam cartão então recomendo uma quantia em espécie e cheque. - Meios de transporte: há táxis que podem ser chamados pelo telefone, mas a tarifa é bem alta. Só vale a pena para os lugares que o ônibus não passa (acima eu indico quando vale à pena contar com o táxi). O ônibus na ilha custa R$ 3,20 (em 2008), caríssimo considerando que a BR só tem 7,5 km. Ele passa de meia em meia hora e faz o trajeto Porto – Praia do Sueste. A melhor forma de transporte em Noronha é a carona! Ponha o dedo e o sorriso pra fora que você vai chegar à todos os lugares! - Palestras no Tamar: todos os dias as 21:00 há uma palestra no Tamar, cada dia sobre um assunto diferente. Todas são interessantes e as imperdíveis são as do projeto Golfinho Rotadores e a dos Tubarões. - Dicas finais: - levar sapatos baixos e confortáveis. Eu lá só uso havaianas. - levar muito protetor solar e chapéu ou boné; - sempre que tiver dúvidas, converse com um ilhéu, eles são bastante receptivos! - se tiver interessado em levar uma boa lembrança de Noronha, recomendo as fotos do João Vianna. Disponíveis em diversos produtos. Os cds de fotos de paisagem e de fotos submarinas são uma boa dica. O recém lançado livro “Viver Fernando de Noronha” é uma obra de arte e a melhor lembrança deste paraíso! Esses produtos você vai encontrar em diversas lojas na ilha.
“Viver Noronha é viver o divino! É reconhecer a natureza como obra da criação entender que somos parte dela. Viver Noronha é perceber que nossas escolhas modificam o todo. Que construímos com nossos acertos e crescemos com nossos enganos. É assumir que temos o poder para realizar nossos sonhos. Viver Noronha é deixar-se fazer parte. É abrir a consciência para a luz. E o coração, para o amor incondicional. Viver Noronha é se lançar à verdadeira jornada em direção ao supremo estado de união. Viva Noronha!”
 Livro Viver Fernando de Noronha - Foto: João Vianna
(Livro “Viver Fernando de Noronha”- João Vianna – Editora Réptil) COMPRAR O LIVRO
|