Blogs > Expedição Atlântico ao Pacífico > Boletins >A dupla se desfaz e o desafio continua...No dia 8 de outubro fui para a rodoviária de Porto Alegre para pegar o Robson, o nosso massagista que a Celina tinha contratado em São Paulo para acompanhar-nos de Rio Grande a Buenos Aires. Embora fosse desejável ter um massagista por toda a viagem sabia15 de Outubro de 2002. Publicado por Manoel Morgado No dia 8 de outubro fui para a rodoviária de Porto Alegre para pegar o Robson, o nosso massagista que a Celina tinha contratado em São Paulo para acompanhar-nos de Rio Grande a Buenos Aires. Embora fosse desejável ter um massagista por toda a viagem sabia que a parte da corrida seria a mais difícil e a que corríamos o maior risco de lesões. ![]() Manoel, agora literalmente com os pés na estrada! Da rodoviária seguimos de carro até Rio Grande, uma viagem tranqüila de 4 horas quando viemos conversando e nos conhecendo. A boa impressão inicial só se confirmou nos próximos dias. Robson trabalha há 10 anos como massagista em na clínica Oriental de Massagem, no Shopping Ibirapuera e atualmente está fazendo um curso de acupuntura na escola de mesmo nome. Ele já trabalhou com esporte e tive certeza que a escolha da Celina tinha sido muito apropriada. No dia seguinte gravamos uma entrevista com a Rede Globo local e a tarde já éramos famosos pela cidade. Passávamos com o carro e as pessoas apontavam e comentavam: são eles... A noite nos vimos na televisão enquanto jantávamos. E então o grande dia chegou, o dia de começar a etapa mais difícil da travessia, correr 814 km de Rio Grande a Buenos Aires. Passei uma noite agitada, acordando várias vezes. A preocupação era grande, pois já estava sem correr há mais de 30 dias e nos últimos dias não tinha feito exercício algum com as pernas. Temos sido muito rígidos com o critério de cumprir a característica da travessia de fazer toda a distância de São Paulo a Viña Del Mar com nosso próprio esforço. A única exceção planejada é a travessia do Rio da Prata do Uruguai a Buenos Aires que usaremos a balsa. Os primeiros 21 km foram tranqüilos, mas já no reinício começamos a sentir nossas pernas e acabamos o dia com muita dor nas coxas. Mas após uma massagem prolongada já me sentia muito melhor e otimista. O dia seguinte reservava grandes novidades de algo que já há muitos dias vinha acontecendo. Desde a Lagoa que eu e o Kubi vínhamos de desentendendo e por grande parte do tempo nesses dias de remo passamos quietos sem conversar muito. A garoa caia intermitentemente e o dia estava bom para correr, mas o dolorimento do dia anterior se transformou em uma dor persistente que me acompanhou por todo o dia. Precisava usar toda a minha disposição de continuar a correr para não desanimar. A vontade de parar era imensa mas continuei até completar a maratona do dia. Nossos tênis Asics são os melhores que existem no mercado e estava com o treinamento adequado para este tipo de desafio, mas estávamos pagando o preço por ter começado a correr depois de tantos dias de imobilidade com as pernas. A noite conversei com o Kubi e resolvemos que era melhor nos separarmos e ele decidiu voltar para São Paulo. Um desafio como este exige harmonia absoluta entre os participantes, pois a exigência física é imensa e toda a energia mental tem que ser canalizada para ajudar o corpo a cumprir sua tarefa. Se existe atrito entre os membros da equipe tudo fica infinitamente mais difícil. Nesta noite dormimos na sede da reserva ecológica do Taim, uma linda região de banhados que abriga uma gama enorme de fauna e flora. No terceiro dia corri entre capivaras, ratões do banhado, preás, inúmeros pássaros e até algumas cobras e um jacaré que descansava preguiçosamente na margem sem dar bola para nós. Este foi um dos dias mais bonitos da travessia. Esta região está recebendo muito mais chuva do que é normal mesmo para esta época do ano onde habitualmente chove muito. Com isso a Lagoa Mirim está na margem da estrada e do outro lado o banhado está coberto de água e por isso os animais estão muito mais visíveis do que o normal. O terceiro dia de corrida repetiu o padrão do anterior, um pouco de dor nas pernas nos primeiros 21 km e muita dor nos últimos mas com a ajuda do Robson segui até o fim da jornada embora tivesse grande dificuldade para andar a noite. Hoje o tempo mudou e depois de muitos dias nublados o sol saiu e a temperatura subiu e chegou a fazer mais de 30 graus. Eu tenho muito pouca tolerância para o calor e costumo dizer que prefiro 30 graus negativos do que positivos principalmente para a prática de esportes e hoje sofri muito com o calor. |
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