Blogs > Expedição Atlântico ao Pacífico > Boletins >A emocionante chegada em Rio Grande!Após o abastecimento de provisões voltamos a ficar com o caiaque absolutamente cheio e bastante pesado, mas agora já estamos mais experientes e remando mais eficientemente e com isso fazendo dias mais longos. Apesar de não fazer planos para isso já podíam9 de Outubro de 2002. Publicado por Manoel Morgado Após o abastecimento de provisões voltamos a ficar com o caiaque absolutamente cheio e bastante pesado, mas agora já estamos mais experientes e remando mais eficientemente e com isso fazendo dias mais longos. Apesar de não fazer planos para isso já podíamos ver que acabaríamos a Lagoa em muito menos tempo do que o previsto. ![]() Por todo o trajeto estávamos rodeados de paisagens desérticas... Cada dia apresentou uma característica diferente por causa dos ventos que continuavam se apresentando de diferentes direções e intensidades. Mas os dias de céu azul não voltaram mais. Acordávamos com aquele céu cinza e com uma garoa fina que dá vontade de ficar na cama. Tínhamos de buscar toda a energia dentro de nós para sair da proteção da barraca e encarar o frio das 6 da manhã. ![]() ...Mas com muita natureza por perto! Apesar do mau tempo a Lagoa continuava bonita e com uma característica que é muito raramente encontrada no mundo de hoje, ela é, nesta margem, absolutamente deserta. Chegávamos no local de acampamento às 14 horas e tínhamos a praia inteiramente para nós e o único barulho era o das ondas e dos pássaros. ![]() ...E quem disse que também não gostamos de sombra e água fresca! Uma das coisas mais marcantes desta parte da travessia para mim foi à introspecção que o local e a atividade me causaram. Como eu sentava na frente no caiaque e a comunicação é um pouco difícil por causa do vento constante e pelo desequilíbrio que olhar para trás causa, ficávamos horas em silêncio. Mas não era somente pela dificuldade de conversar. ![]() Chegando em terra firme após um daqueles difíceis dias com muito vento e fortes ondas! O último dia nos trouxe mais uma surpresa, um momento de tensão e stress. Saímos as 7:30 já sabendo que seria o último dia, mas também sabendo que para que isso acontecesse teríamos um longo dia à frente. ![]() E este foi nosso mais lindo por de sol na lagoa... Ao contrário de barcos mais estáveis onde é muito mais fácil usar um GPS, para nós fazermos uma leitura e ver nossa direção significava eu parar de remar. Com isso o caiaque fica muito instável. Ele é seguro enquanto os dois estão remando, mas começa a balançar muito quando fica a deriva. A outra coisa é que ele muda de direção muito facilmente com as ondas então é muito difícil fazer a leitura e manter o rumo para a leitura resultar correta. Para dificultar mais as coisas as ondas começaram a crescer e sabíamos da outra vez que viramos que a água é bastante fria quando se está com o corpo todo dentro d’água. Ou seja, a perspectiva de virar o caiaque naquelas condições, sem visibilidade, a alguns quilômetros de qualquer margem não era nada atraente. As opções não eram muito boas. Ou ficávamos e esperávamos a melhora da visibilidade de uma maneira muito instável e cansativa ou encarávamos o tempo ruim e arriscávamos chegar do outro lado. Resolvemos nos situar de maneira mais acertada possível e seguir. Com uma certa tristeza no coração dei as últimas remadas em direção ao Yatch Club de Rio Grande. Fazendo um balanço geral tudo correu de forma maravilhosa, com grandes dificuldades, lógico, mas não teria graça se não fosse assim. Sentimos muita falta de nossos bonés e principalmente nossos óculos Okley que perdemos quando viramos o caiaque. De resto estamos super satisfeitos com a cabrita, o nome que demos para o nosso caiaque Opium, e com os remos Ygará. Eles provaram que são feitos para encarar condições bastante severas de mar. Esta parte da travessia, com certeza, ficará entre as mais intensas desses árduos três meses. A solidão, a beleza do lugar, os desafios e conquistas, os aprendizados, tudo isso fez desses 10 dias algo realmente especial. Fica a certeza de que vou repetir esta experiência em algum outro lugar deste lindo planeta. Quem sabe o Alaska?! E agora? Bom, agora temos uma pequena corridinha de 814 km até Buenos Aires... |
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