Aqui estamos nós, há quatro dias já na Lagoa dos Patos!

Hoje especialmente, queremos começar mais este boletim agradecendo toda a força e carinho enviados em cada um dos e-mails recebidos até agora e que apesar de não podermos estar online como gostaríamos, eles nos tem sido transmitidos pela Celina. Então, re

  
  

Hoje especialmente, queremos começar mais este boletim agradecendo toda a força e carinho enviados em cada um dos e-mails recebidos até agora e que apesar de não podermos estar online como gostaríamos, eles nos tem sido transmitidos pela Celina. Então, recebam todos um forte abraço!

Sem fotos exclusivas, esta é só pra vocês imaginarem nossos dias!

Sem fotos exclusivas, esta é só pra vocês imaginarem nossos dias!
Foto: Franklin Nolla

Bem, antes da nossa partida para a nova etapa, tivemos dois dias agitados em Porto Alegre para prepararmos toda a logística que envolveria quase 20 dias totalmente auto-suficientes remando na Lagoa.

A Celina esteve junto alegrando e ajudando durante estes dias.Fizemos toda a compra de mantimentos para nos abastecer durante todo o período, deixamos as bikes para revisão e conseguimos autorização do Excército, através do nosso amigo Assis, para deixarmos o carro de apoio guardado e seguro. Agradecemos, então, ao 3o.Batalhão da Polícia do Exército na pessoa do Tenente Oliveira e seus superiores.

Infelizmente, nem tudo correu lisinho, tivemos uma péssima surpresa....nosso caiaque, que durante toda a viagem de carro foi preso em um rack e suporte especial, estava com duas rachaduras no casco. Fomos à marina de Porto Alegre e lá conseguimos um técnico que fez os reparos necessários nas pequenas fissuras, o que por sorte não resultou em nada sério.

Quando achamos que estávamos ok para partir, mais uma dificuldade apareceu. Como faríamos caber toda a nossa enchutérrima bagagem necessária dentro dos dois únicos compartimentos de bagagem do nosso caiaque oceânico? Não que não soubéssemos do espaço que tínhamos, mas ao separarmos o que realmente seria estritamente importante levarmos, é que nos demos conta de que possivelmente teríamos que nos desfazer de algo importante e sem termos como decidir essa questão teoricamente enquanto olhávamos o barco, tivemos que fazer isso somente no dia seguinte, já na lagoa antes de nossa saída. Não havia outro jeito!

Tínhamos estudado a carta náutica da região e sabíamos sobre a previsão do tempo para o período e o mais importante, sobre os ventos que nos acompanhariam no nosso trajeto. Apesar de todo o nosso treino remando nas raias da USP e nosso preparo físico, esta fase tanto para mim como para o Kubi significa um grande desafio rumo ao que não nos é muito familiar.

Sabíamos que remaremos pela margem leste com a possibilidade da chegada da lestada, os ventos de direção leste, tão temido para navegadores desta região nesta época do ano. Contamos com uma previsão favorável de muitos ventos nordestes, ou seja, vento a favor o que nos ajudaria muito durante a navegação.

Por outro lado, também sabemos que mesmo com essa previsão, certamente teremos que lidar com as entradas repentinas de frentes frias que significam mudanças drásticas na direção dos ventos e com isso as famosas ondas capazes de virar o mais preparados barcos e navegantes. Esta é a aventura que nos aguarda, mas nos sentimos seguros, já que percorreremos nosso trajeto costeando as margens da lagoa e com isso em qualquer necessidade ou anúncio de mau tempo teremos a tranqüilidade necessária por estar tão próximo da terra, ou areia firme...

Finalmente, com tudo certo, na quinta-feira passada (dia 26/09), acordamos muito cedo e lá fomos para as margens do Guaíba ao lado do Gasômetro nos preparar para mais uma largada.Como imaginávamos, nossa bagagem não coube toda dentro dos compartimentos e tivemos que dar um jeitinho brasileiro...Amarramos com os elásticos dos remos as duas bolsas de lona impermeáveis com a bagagem sobressalente na parte de cima do caiaque, perto de nós. Sabíamos que mais tarde daríamos conta de achar uma nova solução.

Depois disso, já estávamos prontos e pudemos nos despedir de Porto Alegre deslizando pelas águas caudalosas do Rio Guaíba atravessando a margem leste, ansiosos e motivados pelo que nos esperaria nesta tão desconhecida etapa na Lagoa dos Patos.

Só para que tenham uma idéia, temos todo o início do nosso percurso até Rio Grande, isolados de praticamente todo e qualquer contato com a civilização, exceto em dois pontos aonde pararemos para sermos reabastecidos de comida, quando um motorista que contratamos na cidadezinha de Mostarda, irá nos levar os mantimentos que deixamos comprados desde Porto Alegre.

Toda a margem leste da Lagoa dos Patos é recortada por pequenas baías e estas terras são fazendas, em geral de plantação de arroz. A paisagem é lindíssima e os pontos fortes são; o verde, os patos, aves e passarinhos com seus mais distintos cantos e cores, os magníficos nasceres e pores de sol - quando não está chovendo! - e o profundo silêncio, que torna ainda mais mágico este cenário.

Estamos no nosso quarto dia de remada rumo ao mais sul do sul desse nosso Brasil e cada dia tem sido especialmente único e esse tempo de silêncio parece nos preparar mais e melhor para as dificuldades inerentes de cada dia.

Até agora, os dois primeiros dias pareciam tranqüilos, com sol e bom tempo, mas não demorou muito para que os ventos contrários tornassem cada remada um esforço duplo. O tempo mudou, trazendo para os próximos dias muita chuva, frio além do constante vento forte, formando ondas de quase 1 metro de altura, quando nosso esforço todo é por fazer com que o caiaque mantenha-se perto das margens.

Temos remado cerca de 30 a 32Km por dia, divididos em 4 a 5 horas de exercícios diários. Agora, indo para o quinto dia, já remamos 120Km no nosso percurso total de 400Km.
Pela experiência destes primeiros dias, vimos que estaremos concluindo esta etapa em bem menos do que os 20 dias previstos. De qualquer jeito vamos ver como se comportam os próximos dias, pois com essa chuva ou caso haja a entrada de uma tempestade mais forte, por exemplo, sabemos que teremos que esperar acampados às margens da lagoa até que possamos retomar aos remos.

Nossa rotina sem sido acordar muito cedo, empacotar as bagagens e barraca, comer, alongar e ir para o rio. Daí paramos após algumas horas, comemos mais um pouquinho e continuamos até nossa próxima parada onde vamos dormir. Então, armamos a barraca, alongamos, fazemos nosso jantar e nos deitamos para o descanso tão esperado. Eu e Kube conservamos bastante durante todo o dia, mas ainda assim, todo o silêncio que nos rodeia, faz com que nossas mentes fiquem cheias de espaço, sensação de leveza e um profundo bem estar. Sem dúvida, isso é o que nos dá o gás necessário que precisaremos para atravessar dias difíceis como esses últimos tem sido.

Para podermos ficar um pouco mais conectados à civilização quando necessário, estamos com um telefone via satélite, que inclusive será por onde passarei este boletim para a Celina colocar no ar. E claro, assim poderemos falar com nossas respectivas, ninguém é de ferro!

Nosso trajeto nos levará agora à Ponta de São Simão e logo depois iremos fazer nosso primeiro reabastecimento de comida. Por lá, nos encontrará um carro da agência Garça Turismo vindo da cidadezinha de Mostarda, que nos fará este serviço.

Que bom! Agora podemos continuar nosso trajeto felizes por ter conseguido contar a vocês um pouco do nosso dia a dia por aqui. E então, tão logo quanto possível escreveremos contando um pouco mais.
Até!

  
  

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