Repouso Forçado!

Desde que resolvi mudar a ordem das atividades sabia que corria um risco por colocar a corrida a partir de Rio Grande quando começaria a correr depois de muitos dias sem treino nesta modalidade. A razão era tentar chegar na Lagoa dos Patos antes que os ve

  
  

Desde que resolvi mudar a ordem das atividades sabia que corria um risco por colocar a corrida a partir de Rio Grande quando começaria a correr depois de muitos dias sem treino nesta modalidade. A razão era tentar chegar na Lagoa dos Patos antes que os ventos fortes do leste entrassem e com isso ter esta etapa mais tranqüila.

Chegada à Santa Vitória do Palmar; cidade que com carinho acolheu Manoel e Robson!

Chegada à Santa Vitória do Palmar; cidade que com carinho acolheu Manoel e Robson!
Foto: Robson Sérgio

Enquanto escrevo o vento fortíssimo uiva do lado de fora da minha janela e o tempo não para de piorar aqui no Rio Grande do Sul. Não ouso imaginar como está agora na Lagoa dos Patos com esse vendaval. Ainda bem que já terminamos esta etapa graças à mudança na ordem das atividades. Mas teria um preço..

A perna esquerda já com inchaço e que exigiu de Manoel alguns dias de repouso forçado!

A perna esquerda já com inchaço e que exigiu de Manoel alguns dias de repouso forçado!
Foto: Manoel Morgado

Os primeiros dias de corrida foram muito difíceis e não creio que vou esquecer tão cedo a dor muscular que tive que suportar ao final de cada dia. Mas aos poucos as coxas estavam ficando menos doloridas e achei que iria superar esses primeiros dias sem maiores problemas. Mas há uma semana comecei a ter uma outra dor, mais intensa ainda, na parte inferior da tíbia esquerda.
Cada passo era como se eu tivesse levando uma canelada e apesar de ter diminuído a minha meta diária para 30 km a dor continuava muito intensa.
Estou usando os melhores tênis do mundo, os tênis Asiscs, mas mesmo assim sempre existe a possibilidade de lesão quando se faz o tipo de quilometragem que estou fazendo.

Mais um close da perna...

Mais um close da perna...
Foto: Manoel Morgado

Após 250 km de corrida finalmente tive de admitir que eu tinha que repousar alguns dias para tentar curar essa dor, pois chegou em um ponto que é impossível prosseguir.

Fiz uma radiografia e um ultra-som, únicos recursos diagnósticos disponíveis em Santa Vitória do Palmar, pequena cidade próxima ao Chui, que não mostraram alteração óssea.
O grande medo é que eu tenha feito uma fratura de stress, lesão óssea causada pelo impacto repetitivo e de prolongada recuperação. Apesar do Raio-X não ter mostrado nada, isso não exclui a fratura, já que normalmente são lesões muito pequenas melhor diagnosticadas com ressonância magnética só disponível em Rio Grande.
O Raio-X está aparentemente está normal. Mas o tratamento é: repouso.

Agora, cindo dias depois, já estou quase sem dor, mas não testei ainda para ver como está quando corro. Agora à tarde vou correr 20 km e ver o que acontece. Caso ainda esteja com dor decidi seguir de bicicleta até Montevidéu e lá novamente reavaliar. Se estiver melhor daí volto a tentar correr.

Apesar de saber que em um projeto desta envergadura imprevistos podem acontecer, está sendo difícil para eu aceitar uma possível mudança de planos, mas se a dor persistir, não há nada que possa ser feito.

Nos últimos cinco dias permaneci no hotel descansando, fazendo bolsas de gelo e torcendo para que minha recuperação aconteça de forma completa e que eu possa voltar a correr de forma prazerosa.
Até agora o que me motivou nesses dias de corrida foi o desafio, mas, para mim, correr é uma das coisas mais gostosas que existe e adoraria poder ter mais 10 dias de corrida sem dor, curtindo cada passo da estrada.

Como resumo, até agora tenho 1260 km de bicicleta, 400 km de remo e agora 250 km de corrida.

Ainda falta muito para chegar em Viña Del Mar...
Tem sido duro, muito mais duro do que imaginava, cada etapa com suas dificuldades próprias, mas também tem sido extremamente recompensador!

  
  

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