Rumo ao Sul

Acordei um pouco de triste hoje, pois me despediria da Celina mais uma vez. Ela tinha chegado da Austrália há 45 dias depois de ficar por este mesmo período lá.Agora, iríamos nos separar novamente por 45 dias.Ela irá se encontrar comigo em Montevidéu.

  
  

Acordei um pouco de triste hoje, pois me despediria da Celina mais uma vez. Ela tinha chegado da Austrália há 45 dias depois de ficar por este mesmo período lá.Agora, iríamos nos separar novamente por 45 dias.Ela irá se encontrar comigo em Montevidéu.

Kubi e Manoel na divisa São Paulo - Paraná. Curitiba aí vão eles!

Kubi e Manoel na divisa São Paulo - Paraná. Curitiba aí vão eles!
Foto: Dedé Ramos

Tomamos café da manhã e às 8 estávamos prontos para seguir.Voltamos os poucos quilômetros até onde tínhamos parado de pedalar e me despedi dela.Vi o carro partir e novamente as lágrimas encheram meus olhos. As companhias esfuziantes do Dedé e do Kubi ajudaram a afastar a tristeza que sentia, mas mesmo assim segui com o coração apertado.Nessa minha vida meio nômade dar adeus é uma rotina, mas apesar de ter sido assim por mais de 12 anos as despedidas da Celina tem sido muito mais difícil.

O feliz e interessante encontro com o atleta Lourival

O feliz e interessante encontro com o atleta Lourival
Foto: Dedé Ramos

Amanhã novamente estava nublada com uma temperatura super agradável e um longo trecho plano nos fez ganhar quilômetros rapidamente. Mantivemos a média de 29 km/hora sem muito esforço.

A dupla, o amigo Assis e Dedé Ramos prontos para mais uma etapa até Floripa

A dupla, o amigo Assis e Dedé Ramos prontos para mais uma etapa até Floripa
Foto: Mari

Passada a fase de mil comentários sobre o dia anterior voltamos ao nosso hábito de treino de pedalar um atrás do outro para aproveitar o vácuo, cada um na frente a cada 2 quilômetros. Com isso temos um período de descanso de uns 4 quilômetros de cada vez.

A policia rodoviária voltou a nos acompanhar e seguiu conosco por todo o dia. Que diferença da última vez que pedalei nesta estrada na minha longa viagem de 8.500 km vindo da Austrália. Daquela vez não tinha carro de apoio e muito menos escolta policial e foi uma das experiências mais desagradáveis de toda a viagem. A estrada ainda não tinha sido duplicada e os caminhões passavam raspando em nós. Desta vez pedalávamos totalmente descontraídos e com segurança podendo curtir a paisagem com as plantações de chá e de banana. Depois de tanto tempo em São Paulo era um balsamo estar cercado de verde.
Aos poucos a rotina começa a se estabelecer. Acordar, tomar café da manhã, pedalar 100 km, almoçar, pedalar mais um pouco, achar um hotel, fazer aplicação de gelo naquela dor de cada dia, fazer alongamento, escrever o diário, jantar e dormir. Como nas outras viagens de bicicleta o grande encanto é o caminho e não os lugares aonde se chegam. Devido à baixa velocidade cada quilômetro é aproveitado, cada mudança de temperatura sentida, cada brisa percebida.Os riachos são coisas a serem comentadas e não apenas uma imagem fugaz embaixo de uma ponte.A viagem de bicicleta também leva a introspecção, principalmente após algum tempo de viagem onde a tagarelice dá lugar ao silencio contemplativo.

Resolvemos sair mais cedo para poder chegar em Curitiba com calma para poder curtir meus amigos por lá na casa de quem vamos ficar.O Assis é um amigo que foi como cliente para o Nepal assim como o Kubi. Acho que sou muito felizardo de ter clientes que acabam com muita freqüência virando amigos.
Saímos as 7:30 e a serra que foi tão difícil ontem, hoje já foi muito mais fácil no começo do dia. A forma física está voltando apesar do joelho incomodar sempre.
Após a serra achamos que ia ficar plano, mas seguimos até o fim do dia com enormes subidas e descidas e a média que tinha ficado em quase 30/hora nos outros 2 dias hoje ficou um pouco abaixo de 27.Mas a paisagem estava super bonita e as horas transcorreram gostosas e razoavelmente fáceis.Apesar de não termos escolta o Dedé pegou as manhas todas e nos deu cobertura todo o tempo.Então, subíamos no acostamento e descíamos pela pista e com isso em uma das longas descidas acabei batendo o meu recorde de velocidade, 73,7 km/hora! No auge da descida me veio a lembrança de que se furasse o pneu eu estaria provavelmente morto e daí dei uma segurada.

Estávamos em uma subida quando um carro parou na nossa frente e achamos que era alguém perguntando sobre a travessia.Durante estes dias muitos carros e caminhões buzinam, mas nenhum tinha parado.Mas, por uma dessas coincidências legais da vida, era um ciclista de São Bernardo do Campo, de onde o Kubi também é, era o Lourival um cara muito amigo dele. Ele estava indo para um campeonato em Bento Gonçalves. Mil abraços e votos de boa sorte e seguimos viagem feliz com o encontro.

Almoçamos o nosso já tradicional rodízio e após uma boa descansada saímos para o que seria uma tarde tranqüila. Passamos filtro solar e pusemos óculos escuros, mas em menos de 15 minutos o tempo virou, entrou uma neblina fria e um fortíssimo vento contra e daí à tarde se arrastou.Tínhamos que pedalar até nas descida em algumas partes. Acabamos chegando na casa do Assis as 16:30 e quando já estávamos guardando as bikes chegou um fotógrafo do jornal local para fazer umas fotos de ação, ou seja, pedalando.Depois de 150 km de pedal não estávamos muito animados, mas fazer o que...
O Assis aceitou o meu convite de pedalar uma parte conosco e conseguiu uma semana livre e assim, vamos os três, juntos vai até Porto Alegre.Isso é realmente ótimo, pois ele é uma excelente companhia!

  
  

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