Casamento arranjado ... mas não é filme de cinema ! (Foto)

Está em exibição nos cinemas o filme `Casamento Arranjado` que mostra o conflito entre a paixão e a conveniência dentro da cultura judaica. A família de Zaza quer a todo custo que ele se case o quanto antes com uma moça bonita, virgem e de boa família, pa

  
  

Está em exibição nos cinemas o filme `Casamento Arranjado` que mostra o conflito entre a paixão e a conveniência dentro da cultura judaica. A família de Zaza quer a todo custo que ele se case o quanto antes com uma moça bonita, virgem e de boa família, para que possam ter um neto.

Noiva em cima de seu cavalo branco, se despedindo de sua familia

Noiva em cima de seu cavalo branco, se despedindo de sua familia
Foto: Sandra Palma

É uma comédia, um filme. Ainda não fui assistir, mas está encabeçando a minha lista no próximo final de semana.

Casamentos arranjados seriam ficção ? Só podem ser vistos nas telinhas ? Retratam a realidade ?

Bem, eu particularmente sou partidária do `casamento por amor` e é difícil acreditar que nos dias atuais ainda existam famílias que mantenham estas tradições tão `antigas` ...

Mas, em nossa expedição ao Upper Mustang pudemos presenciar ao vivo e a cores, com emoções e choros, um casamento arranjado !!

A família do noivo, geralmente conhecida da família da noiva, decidem em conjunto que seus filhos irão se casar. Marcam a data, convidam os parentes e se preparam para a cerimônia.

Um ritual que dura 2 dias: o noivo chega à cavalo, acompanhado de alguns familiares, à casa da noiva. Ele vêm de um vilarejo distante, na mesma região de Upper Mustang. Se veste com roupas especiais, novas (?) e um sorriso suave no rosto. É divorciado, 22 anos, e é recebido com muitos “comes e bebes`.

A noiva, uma garota de 16 anos, verá seu marido pela primeira vez, no dia seguinte, em que ela será `entregue` a ele. Ela chora e soluça sem parar. Chora muito ! Suspira fundo ! E chora mais um pouco e soluça um pouco mais. Não é exagero meu. A Iveth e a Fernanda estavam lá para não me deixar mentir. É desesperador !

No dia seguinte, todos se reúnem na grande sala e cozinha conjugados, comem, bebem e cantam. Nós não fomos muito bem recebidas e às vezes, sentíamos que estávamos incomodando. Talvez estivéssemos mesmo, mas nossa curiosidade era maior do que nossa cerimônia.

Enfim, o momento tão esperado: entra a noiva ! Ela continua chorando e soluçando ! Seus trajes são lindos, coloridos, e sua cabeça é coberta por uma chale branco, talvez significando virgindade.

Senta-se ao lado do noivo e ali fica. Não se falam, não se olham, não se tocam. Recebem presentes, são cumprimentados pelos parentes, recebem a benção de um homem bem mais velho ... e ela continua chorando ...

Depois de algumas horas, a cerimônia termina, eles sobem em seus cavalos enfeitados e seguem para o vilarejo do noivo. Lá ela viverá por toda a sua vida e voltará sabe lá quando para visitar seus pais. Terá filhos, viverá sob as regras da sogra e terá que dividir o espaço com as cunhadas, já que toda a família do noivo vive numa mesma casa.

Nós também choramos com ela e perguntávamos POR QUE ela chorava tanto ? Tradição ? Ritual ? Tristeza ? Medo ? Perda de liberdade ? Viajamos com estas perguntas e tivemos oportunidades de comentar sobre esta cerimônia a outros nepaleses. Entendemos um pouco mais sobre a cultura, mas jamais não esqueceremos aquelas cenas tão chocantes.

Ficará presente em nossas mentes para sempre !

Enfim, num país como o Brasil, onde temos a liberdade de casar por amor, só nos resta refletir sobre esta cultura tão diferente da nossa e agradecer por vivermos aqui.

Abraços apertados de urso,

Sandra

  
  

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