Expedicionários também são mulheres.

Eu já “paquerava” o projeto Kali Gandaki, desde que Sandra retornou do Nepal em 2000 e da história da “região proibida”. Parece que sempre o proibido é mais gostoso, não é? Talvez sugestão, talvez verdade, o que realmente a

  
  

Eu já “paquerava” o projeto Kali Gandaki, desde que Sandra retornou do Nepal em 2000 e da história da “região proibida”.

Parece que sempre o proibido é mais gostoso, não é?

Talvez sugestão, talvez verdade, o que realmente aconteceu foi que no final de 2001 eu fui convidada para participar do grupo de mulheres que pretendia descobrir e conhecer a região de Upper Mustang.

Na busca de sentido e significado do porque aceitar o convite, a minha história revela passagens de desafios, mudanças e novas experiências, sejam pessoais e/ou profissionais.

Já morei na África Ocidental, especificamente na República de Cabo Verde, um dos sete países de língua portuguesa. Assumi na época (1994/95) o desafio de trabalhar com crianças em situação de risco (prostituição infantil), juntamente com a equipe técnica de educadores caboverdianos, com um contrato de renovação semestral gerenciado pelo UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Uma experiência inesquecível tanto pelas pessoas que conheci, amigos que deixei e crianças que vi crescer!

Existe sempre uma razão para viajar. Desta vez o desejo em conhecer o Nepal e sua cultura são motivos para investir tanta energia e emoção no projeto.

E porque só mulheres? Talvez para esclarecer para mim e para minhas companheiras o que haveria de tão diferente ao ser uma mulher, e não um homem, a subir as montanhas de saia, passar frio e calor em pouco espaço de tempo, ficar sem banho, fazer xixi na canequinha, mas muito mais para compartilhar com outras mulheres esta busca.

Somos ocidentais, urbanóides, subdesenvolvidas e representamos a primeira geração pós ditadura militar. O que isto significa? Talvez não tenhamos claro, mas acredito que afastando-nos desta cultura e observando e interagindo com uma sociedade que também está em desenvolvimento e busca sua identidade, sendo ela religiosa (hindus X budistas X muçulmanos) ou social (redefinição do papel da mulher no núcleo familiar), possamos nos apropriar e conhecer mais nossas limitações e potencialidades a fim de dar forma à nossa própria imagem.

Como escreve Jette Bonaventure (2000), “as imagens da mulher são infinitas e ao mesmo tempo recorrentes. O próprio ciclo menstrual da mulher nos indica que as suas vivências são muito mais circulares e cíclicas do que lineares. Num dia se percebe uma coisa, no seguinte outra, embora aparentemente se trate da mesma realidade”.(pg.8)

Quem sabe não é por isso que a expedição siga a natureza feminina e inicia-se e finaliza-se no mesmo ponto fechando assim, o ciclo de uma peregrinação?

Esperem e verão....

Luciana Ângelo

Bibliografia
Bonaventure, J. Variações sobre o tema mulher – São Paulo: Paulus, 2000. (Coleção Amor e Psique)

  
  

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