O Diário de Bordo

Moleskine e Amazonas

  
  



Bom dia Cidadãos da Terra.

Faltam 2 dias para o início da Expedição e embora as coisas estejam uma loucura, acredito que num nível de 0 a 10 em planejamento, estamos no 7.

É incrível a capacidade do ser-humano em se apegar à bobagens em um curto período de tempo. E o pior: deixar que estas bobagens , tenham algum significado real em suas vidas. Pois é. Somos assim. Tomemos como exemplo, a grande Giovana Akemi. Garota sábia, que após apreciar e conviver por algumas horas com os animais mais exóticos, belos e ferozes que este planeta já produziu, tem a frieza de perguntar: - “Papai… Não tem vaca??“.

Giovana tem um mimo. Se apegou ao que ela mesma batizou de ‘Fedidinho’. É um urso de pelúcia encardido, desmantelado e velho. Tão velho que já era velho quando foi de minha irmã, ha muitos e muitos anos. Tão encardido que não existe doses de OMO ou Vanish ou qualquer outro detergente que o volte a sua cor natural. Onde Giovana vai, Fedidinho vai atrás. Se Giovana é a Monica, Fedidinho é o Sansão. Agora, eu tenho meu próprio Fedidinho, meu próprio Sansão. No meu caso, mutado para a forma de um livro escrito em branco.

Comprei há dois dias o objeto que viria a ser meu companheiro inseparável durante a viagem. Eu, como bom aculturado, conhecia a fama das Moleskines, mas sinceramente, não a entendia. Para mim, embora mais elegante que o lugar comum, era um caderno como qualquer outro. Capa, folhas em branco e ponto. Mas horas depois, quando comecei a me aprofundar na história deste secular notebook –exatamente o que a palavra significa: ‘bloco de anotações’–, percebi que muitas vezes, o que faz o valor de um item é seu valor histórico. Veja, as pessoas gastam milhares em carros antigos (Mustang 67), Guitarras Antigas (Fender Pre-CBS), móveis antigos (hoje na moda, chamam de materia de demolição). E gastam porque apesar da beleza que o objeto pode conter, o que mais atribui valor é história que ele carrega.

Moleskine é uma marca de cadernos de notas produzida pela empresa italiana Moleskine SRL. Estes notebooks foram usados por inúmeros artistas e pensadores nos últimos 2 séculos. De Van Gogh à Picasso, de Hemingway à Bruce Chatwin. Até em filmes as Moleskines tem sua participação garantida. Vejam a própria nas mãos do pai de Indiana Jones.

Espedição Madeira

Embora o nome aluda ao tecido de mesmo nome, moleskin, o caderno não é produzido ou revestido com ele, e sim com uma capa dura de cartão envolvida por material impermeável. Outras características que a distinguem são cantos arredondados, uma tira de elástico para mantê-la fechada (ou aberta em determinada página) e uma lombada costurada que permite que ela permaneça plana (a 180 graus) enquanto aberta. A folha de rosto vem impressa para que o seu proprietário possa escrever os seus dados pessoais, assim como estipular um valor de recompensa caso alguém a encontre perdida.

O mais engraçado foi como a consegui. Até onde sabia (e parece que ainda é assim), a Moleskine nao é um caderno fácil de se encontrar por aí. Principalmente no Brasil. Em 28/04, exatamente às 07:28AM, postei no Twitter da Expedição sobre se conseguiria/deveria comprar uma Moleskine. Este post foi realmente despretencioso. Gostaria de ter este notebook, no entanto, sabia que nao o acharia. Ao menos não tão facilmente. Neste mesmo dia, em meu horário de almoço, lembrei que precisava comprar um filtro de linha para o novo computador de casa. Eu estava com uma tomada sobrecarregada e o negócio estava começando a ficar perigoso. Assim, fui até a FNAC do Shopping Morumbi, peguei a régua de energia e me dirigi ao caixa para pagar. Lá, na área dos caixas, há uma mini-papelaria. Vendem lápis, canetas, agendas e por aí vai. De repente, aponto o olhar para uma fileira de cadernos coloridos e capas lisas. E entao, realmente demorei alguns segundos para realizar o que estava vendo. Eram Moleskines, de todos os tipos, formas e cores possíveis. Quando voltei à mim, já estava com o bloco de anotações na mão.


É isso. Acho que será uma ferramenta confiável. Nao precisa de eletricidade, aguenta (ao menos um pouco) de chuva, não se quebra, é bastante robusta e a única coisa que preciso para faze-la funcionar, é um lapis.


Expedição Madeira

Este post foi feito ao som de: Red Hot Chili Peppers - Blood Sugar Sex Magik

  
  

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