Entrevista com Cachoeira

Dia cheio: entrevista, cachoeiras do Teotonio e Candiru do Madeira. :-)

  
  

Hello there.

Estamos em Porto Velho, Rondônia.

Caros leitores, como devem ter percebido, pulei do dia 04/05 para 07/05. Isso significa que temos um gap de 3 dias na expedição. A explicação para o atraso é... bem, não existe explicação. O que posso lhes assegurar é que, assim que embarcar na balsa do Capitão Hulk e estiver navegando nas mágicas águas do madeira até Manaus, terei tempo de sobra de lhes atualizar em detalhes sobre os ultimos 3 dias em PVH. Hoje quero falar do dia de hoje. :)

Acordamos um pouco mais tarde. Pude dormir até as 07AM. Descemos pro café e como combinado, aguardei a ligação da Monique (reporter do Diário da Amazonia), para confirmar nossa entrevista. A equipe do Diário (reporter, fotografo e motorista) chegaram aqui por volta das 08:50. Conversamos rapidamento no hote (apenas o tempo para nos apresentar) e por sugestão de Monique, fomos nos pontos históricos de Porto Velho para tirar algumas fotos com intuito de ilustrar a materia no jornal. Toda a equipe foi muito gentil e solícita conosco. Em alguns momentos parecíamos ser nós os repórteres, tamanha a quantidade de perguntas que fazíamos. Maeda, agiu como era esperado. Antropologo por formação da vida, queria saber tudo: onde as pessoas eram nascidas, qual a ascendência, se sempre trabalharam por aqui, qual a marca preferida de shampoo, etc. O fotógrafo Roni, nos auxilio inclusive, a conseguir um lugar especial e melhor preço na viagem até Manaus. No entanto, já tínhamos esquema marcado com o capitão Hulk.

Equipe do Diário da Amazonia nos entrevista na Madeira-Mamoré

Entrevista finalizada, o colega do Maeda, Joao Trajano, fez questão de passar no hotel e nos buscar para conhecer a famosa Cachoeira de Teotônio, no Madeira. Teotônio é o próprio símbolo da força e brutalidade do rio Madeira. Ali se encerram trágicas histórias de pessoas que não respeitaram o rio e desafiaram as forças da natureza. Logo no acesso à cachoeira, existem placas oficiais falando tanto sobre o perigo de se entrar no rio, quanto o número de mortes por ano. Se não me engano era uma progressão. Em 2005 foram oito mortos, em 2006 dez, em 2007 quinze e por aí ia...

Tirei várias fotos em companhia de João e Maeda e então fomos tomar uma coca em um bar de madeira, todo antigo e com sinais do tempo, gerenciado por um ribeirinho, à beira da cachoeira. Começamos a conversar com o proprietário e as histórias sobre o Madeira emergiram das profundezas.

Tudo o que li sobre o Madeira até hoje, nao passava de leitura. Entretanto, durante as conversa com os ribeirinhos, percebi que a coisa era mais séria do que parece. O Madeira é um rio profundo, forte, denso (devido à quantidade de barro presente nas aguas), traiçoeiro e sobretudo, cheio de perigos naturais.

Cachoeira de Teotônio - Porto Velho, Rondônia. Na época de cheia, troncos pesados são levados pela força do Madeira

Além dos enormes troncos de árvores amazônicas, levados pela forte correnteza durante o período da cheia (daí o nome 'madeira'), o que por si só já constituiu um enorme perigo para as embarcações que ali navegam, ainda é habitado por um pequeno ser com poder quase demoníaco. É o Candirú.

O peixe Candirú conhecido no Sul é diferente do Candirú Amazônico, presente em abundância no Madeira. Enquanto o primeiro é um peixe minúsculo que pode adentrar o canal urinário e ali se estabelecer causando grandes problemas aos humanos, o Candirú do Madeira, por aqui é mais temido que a piranha preta. Segundo pescadores ribeirinhos, ele é carnívoro e vive em bando. Em Porto Velho há inúmeras histórias de pescadores ou banhistas que caíram nas águas do Madeira, próximos à cachoeira de Teotônio e em menos de 2 horas tiveram o corpo todo dilacerado, sobrando apenas o esqueleto. Parece cena de filme B mas não é. Os profissionais que trabalham com o rio dizem: 'Você pode até cair no Madeira e escapar da brutalidade de suas águas. Mas se tiver um só machucadinho, o Candirú te come inteiro em questão de horas'. Hoje ouvimos várias histórias como esta, algumas das quais foram alvo de matéiras nos principais veículos de imprensa da região.

Cachoeira de Teotônio - Porto Velho, Rondônia

Amanhã ou mais tardar sábado, nossa balsa iniciará viagem. Mesmo com a ânsia por boas fotos e melhores angulos, vou me manter afastado das bordas. De Porto Velho até Manaus, o Madeira reserva perigos reais. Na região de Porto Velho são os Candirús, depois os enormes jacarés e então as piranhas pretas. Conversando com as pessoas é fácil perceber que todas tem uma enorme admiração e sobretudo, respeito pelo rio. Dizem por aí: 'Não brinque com o Madeira. Se você o respeita, ele lhe respeita. Caso contrário, ele fica contigo'.

A parte boa disso tudo é que também me disseram que o trajeto daqui à Manaus é excepcional. A vida roda em uma outra velocidade e paisagens incríveis aparecerão a cada minuto. Pensamento positivo aí porque quero fazer boas fotos dos botos do Madeira, ribeirinhos e a mais densa floresta amazônica. Este trecho fluvial ainda não teve a mão do homem.

Ciao!

Este post foi feito ao som de Rolling Stones - A Bigger Bang

  
  

Publicado por em

Hudson

Hudson

18/12/2010 21:46:34
Porto velho cidade linda e maravilhosa , parabêns pelo projeto que vocês desenvolvem.
abraço. hudson Belem-PA