Na capital do Amazonas

Aproveitamos a rápida parada em Manaus até que embarcássemos no navio com destino a Belém.

  
  

Ahoj.

Maeda cuidadosamente manobrou e retirou o carro da balsa. Entrei no carro e seguimos em direção à saída do porto de Manaus. Logo que chegamos na chancela percebi que havia algo errado. Ela não se abriu como era esperado. Ficamos ali com aquela cara de tacho. As pessoas ao redor olhavam nosso carro parado, a poucos metros da rua, a chancela que não abria, nós que não descíamos do carro por não achar necessidade. Foram segundos de insanidade. Tive a sensação de estar em um shopping, com o cartão de estacionamento vencido: Por mais que você se esforce, aquela barra de metal não irá subir para liberar a passagem do seu carro e pior, sempre haverá uma fila buzinando para que você saia logo da frente. Olhei para o lado e percebi que um senhor caminhava tranquilamente em nossa direção. Chegou perto logo disse: 'Vocês não podem sair do porto sem pagar a taxa de desembarque. Ninguém explicou isso? São 50,00 ou o carro volta para onde estava".

Ora bolas. Como assim 50,00? Realmente ninguém havia nos contado sobre tal taxa extra. Na minha cabeça, quando fechamos o negócio na balsa, todos os custos ja estavam incluídos. Pois bem, precisávamos chegar em Manaus logo e ja estava cansado de ficar ali esperando. A esta altura já tinha entendido mais ou menos como as coisas funcionavam por ali. É questão de xaveco. A tabela oficial é 50,00 mas se você chega educadinho, conta uma história tonta ou piadinha que faça o cara rir, diz que viajava a varios dias e tá sem dinheiro e bla bla bla, geralmente dão um desconto. No nosso caso, Os 50,00 caíram para 30,00. Paguei, voltei ao carro e enfim fomos para a capital do Amazonas.

Bode Assado - Porto Velho, Rondônia

Quando estávamos em Porto Velho, conheci lá no Bode Assado (lembram do Sr. Euclides??) um empresário local que me indicou um bom hotel para ficar em Manaus. Era bem localizado, não muito caro e de quebra ficava próximo aos lugares famosos como por exemplo, o Teatro Amazonas. Fomos direto para lá. O hotel Central ficava, obviamente, no centro da cidade. O coração de Manaus se mostrou. Logo tive a impressão de estar em São Paulo. Uma região cheia de lojinhas de eletronicos, barraquinhas de comidas típicas, camelos, e lojas de instrumentos musicais. Para quem conhece São Paulo, era uma mistura de 25 de março, bairro da Liberdade, Santa Ifigenia e Teodoro Sampaio. No meio deste pensamento, uma gota de suor escorreu pela minha testa. E em seguida outra. E outra. Lembrei: estávamos mesmo em Manaus. O lugar é tão quente e úmido que faz você se sentir no meio da mais densa floresta tropical. Você sua mesmo sem perceber e muito.

Já estava quase na hora do almoço. Maeda sugeriu dar uma volta a pé, pelas redondezas do hotel e ver o que descobriríamos ali. Concordei. Passei mais um pouco de protetor solar sob ataques do Maeda à minha sexualidade. Sim. Ele é convicto que protetor solar e coisas do tipo são para mulherzinhas. Já lhes contei. É um cara rústico e aje como um pajé. Cura tudo na base do própolis e suas unhas do pé que ganham das minhas. Se eu tenho um casco de cavalo, ele tem marfim de Mamute. Sério, dá medo. Pois bem. Peguei minha mochila, coloquei no lombo e partimos para a caminhada.

Tacaca em Manaus

Se eu já suava parado, imaginem agora, andando com 15 kilos nas costas. Os óculos de Maeda pareciam carro sem ar-condicionado em dia de chuva, com cinco pessoas dentro. Totalmente embaçados. O calor se encarregava de nos fazer suar e logo em seguida de evaporar o suor, embaçando os óculos. Andamos 5 quadras até encontrar uma placa indicando "Teatro Amazonas". Pronto. Havíamos encontrado nosso primeiro destino. Era para lá mesmo que iríamos.

Andamos mais algumas centenas de metros e chegamos à exuberante edificação. É uma visão de encher os olhos. A arquitetura, a grandiosidade, a limpeza e conservação dos arredores. Para quem havia acabado de sair de um inferno parecido com o centro de São Paulo, aquilo era um oásis perdido no meio do caos. Entramos na portaria e a moça me informou que havia acabado de entrar o último grupo de visitação matutina. Deveríamos voltar a tarde. Olhei pro Maeda com cara de desânimo. O que mais queria era dar uma volta geral pelos pontos clássicos de Manaus, voltar pro hotel e cair numa cama de verdade. Estava muito cansado.

Teatro Amazonas

Maeda fita o horizonte, olha pra baixo e coça o bigode. Tira o chapéu e caminha em direção à atendente. Fica ali uns 10 minutos, com a conversa mole de sempre, falando sabe Deus do quê. Excelente. Ele conseguiu. A mulher havia nos liberado para entrar e procurar o grupo que havia acabado de iniciar a excursão pelo teatro.

Teatro Amazonas

Entramos sós. Procuramos tal grupo mas realmente nao os encontramos. Quando Maeda queria voltar à portaria, o convenci a deixar pra lá. Nao precisavamos de grupo. Assim, podíamos ter 100% do teatro à nossa disposição. O melhor é que havia um grande número de pessoas montando e ensaiando um espetáculo naquele exato dia. Todas as alas do teatro estavam abertas e acabamos ficando meio que misturados à equipe que ali trabalhava. Andamos por todos os cantos do teatro, áreas de museu internas, camarote presidencial e por aí vai. A beleza do lugar impressiona por sua imponência. Cada detalhe possui requintes de construção impressionantes. Mármore, ouro, pinturas, colunas, assoalho. Tirei centenas de fotos. Ficamos por ali cerca de 3 horas. Foi uma experiência única.

Teatro Amazonas

Teatro Amazonas

... To be continued ...

Este post foi feito ao som de Slash's Snakepit - It's Five O'Clock Somewhere

  
  

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