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Faltam 4 dias para o início da Expedição

  
  

Por mais que tenhamos planejado, por mais cronogramas tenham sido feitos, desfeitos e refeitos, por mais checklists criados, por mais planilhas calculadas, por mais rotas montadas, ainda assim, sinto um forte sentimento de aventura. E claro, de falta de planejamento. Acho que estas coisas não tem muito jeito. É exatamente como a dona de casa que ao entrar no carro para ir à praia, lembra-se do forno ligado.

Por falar em casa, a minha está uma bagunça. CDs e DVDs espalhados por todo canto, cabos, fios e todo tipo de conectores jogados pelas mesas, caixas por todo lado, documentos, tenis, violão, guitarras, maletas de ferramenta, kit de primeiros socorros, impressoes, livros, fotos, revistas, jornais e tudo mais, por ai. Meu guarda-roupa é um pedaço do inferno (se duvidar, é capaz do próprio tinhoso me passar as roupas). Minha esposa é uma santa. Tenho pena dela (por ter casado comigo). Sou um bagunceiro nato e ultimamente tenho me esforçado para cavar alguns metros abaixo de um poço que, supunha eu, teria chegado ao fim. Tudo isso graças às minhas paranóias de planejamento e é claro, graças à expedição.

O parágrafo anterior introduz para o post desta noite: duas personalidades tão próximas e ao mesmo tempo tão distantes, partes integrantes da mesma equipe.

De um lado eu, 32 anos (33 durante a viagem), despretensioso, pouco habilidoso com tarefas manuais (leia-se trocar lampadas, mexer no chuveiro, fazer um motor funcionar por si só), analista de sistemas, guitarrista com fluência em punk-rock (até criança de 5 anos sabe isso), bom planejador (quando quero), um sujeito que tenta se antecipar aos imprevistos –hoje, chamam esta bobagem que já veio de brinde com o instinto humano, de ‘gerência de riscos’– e essencialmente, teimoso como uma mula velha.

Do outro, Maeda, 59 anos (60 durante a viagem), conversador, extremamente habilidoso com tarefas manuais (lembro dele fazer um Uno rodar quilometros só com óleo de fritura de cozinha), Técnico Agrônomo, violonista com influências da mais pura música caipira que este país já produziu, empresário, espécie de Clint Eastwood Japonês, e essencialmente, teimoso como uma porca manca.

É este o retrato do que vem pela frente. Pessoalmente, fiz um cronograma detalhando atividades da viagem dia a dia, o lugar onde deveríamos estar, a rodovia a ser percorrida, o horario de acordar, de tomar café, de por o pé na estrada. Planilhei quantos quilômetros percorrer de um lugar a outro e por período. Conversei com empresas sobre os horários das embarcações em Porto-Velho, Manaus, Belem. Montei um kit médico para as mais bizarras mazelas que minha cabeça cartesiana foi capaz de conceber. Comprei latas e latas de redbull para nos auxiliar se o sono bater pesado. Anexei à camionete uma caixinha de ferramentas, comprei um canivete multi-funçoes, tentei contigenciar de alguma forma todo o equipamento eletrônico. E isso tudo é só parte da brincadeira. Quando inicio um projeto que acredito, tendo a ficar paranóico.

Vamos para o outro lado. O Maeda está trabalhando normalmente (claro que agora que está nos jornais ele se acha uma celebridade, mas isso nao vem ao caso. Ao menos não agora). Ele acorda todos os dias no seu horário normal, almoça no seu horário normal, janta, vê o jornal nacional e vai dormir tranquilamente. Para ele, se nao tiver mapa, não tem problema. A gente vai olhando as placas e quando não houver mais jeito, pergunta pra alguém. Caso não acharmos uma viva alma para perguntar, sem problemas. Dormimos ali mesmo, do lado das vacas, na caçamba ou no chão da estrada mais perdida que houver neste universo. No dia seguinte continuamos. Não há compromissos com datas, com locais onde se deve estar, não há schedulle a seguir. Tudo é uma festa. O único compromisso é com a boa conversa, com amizades feitas no decorrer da viagem, com a contemplação do que a mais selvagem natureza deste planeta ainda tem a nos oferecer.

Acho que esta é umas das partes mais legais da expedição. Quase um big brother, com o convívio de pessoas tão diferentes e no fim tão iguais a ponto de embarcar juntos, num mesmo projeto maluco. De um lado o planejamento e a tecnologia embarcada. De outro a surpresa e rusticidade para resolver problemas que tendem a surgir. Tudo atualizado em tempo real através do Twitter da Expedição (http://twitter.com/MadeiraAbaixo) e claro, deste blog.

Devem rolar alguns conflitos engraçados por aí.
Atenção psquiatras, pscicólogos, psicanalistas e antropologistas. Estudo de caso de graça para vocês. Basta nos acompanhar.

Este post foi feito ao som de: MATANZA - Música Para Beber E Brigar

  
  

Publicado por em

Rita Siqueira

Rita Siqueira

29/04/2009 23:08:31
Muito legal a idéia que eles tiveram É isso aí!Nós devemos correr atrás dos nossos sonhos!He a nice trip,guys!!!