Santarém: embaixo das águas e ainda elegante

Aproveitamos a parara de algumas horas no porto de Santarém para conhecer a cidade e provar algumas iguarias típicas do Pará

  
  

G’day mate!

Chegamos em Santarém, no Pará, por volta de 02PM. Santarém é uma cidade chave para as embarcações. Toneladas de grãos, batata, cebola, até dezenas de motos Dafra –cuja fábrica fica em Manaus– que estavam no porão do navio, precisavam ser descarregados. Com isto, a parada por ali é sempre um pouco mais demorada. Bastou o navio atracar para que um aglomerado de estivadores se apressassem em nossa direção. Vimos uma oportunidade de tempo na qual podíamos desembarcar momentaneamente para conhecer a segunda maior cidade do Pará, além é claro de provar da gastronomia local, numa rápida imersão. Maeda, mais do que rapidamente, foi conversar com o capitão. Voltou e disse: “Podemos ficar tranquilos até as 16:00, hora em que o navio zarpa para continuar a viagem até Belém. Bora lá.”

Logo que descemos, pude sentir o forte sol do Pará tostando minha pele. A leve brisa que insistia em correr pelos ares era quente. Impossível se manter seco; suava em bicas. Mesmo para os locais, mais acostumados com o clima, o calor é forte. Olhei ao redor. Procurava por um táxi para nos levar até o centro da cidade e talvez fazer um pequeno tour por Santarém. Ali mesmo dentro do porto, encontramos Dona Maura. Uma simpática taxista do alto de seus bons 40 anos. Mulher goiana que morava no Pará há mais de 20 anos. Neste dia o movimento estava muito fraco no porto. Conversamos com D. Maura e fechamos um mini pacote turístico por 40,00. Além de dar uma olhada geral na cidade e entender um pouco mais da cultura e situação socio-economica, tinha o objetivo pessoal de fazer Maeda experimentar o Tacacá e a Maniçoba, comidas típicas da região. Maura –que a esta altura ja havia virado nossa amiga–, explicou que normalmente estas iguarias começam a ser servidas a partir das 16:00. Oh-Oh. Neste horario deveríamos estar de volta ao Navio. Por estratégia, achamos melhor manter o passeio pela cidade e quando chegasse perto da hora de ir embora, procuraríamos um lugar que estivesse servindo as comidas. Com um pouco de sorte, daria certo.

Santarém é uma cidade naturalmente linda, bastante organizada e com um povo de tirar o chapeu. Extremamente educados e hospitaleiros. Fomos a igreja Matriz (1761), tomamos um excelente sorvete de frutas típicas (o meu foi de tapioca com açai) da região, paramos um pouco para conversar com as pessoas em uma famosa praça (cujo nome me foge), cheia de tracajás. Andamos até a orla, um espetáculo a parte. Dali mesmo se pode apreciar o encontro das águas entre o rio Tapajós e Amazonas. Infelizmente, como nos explicou Maura e pudemos apurar pouco tempo depois, a maior parte da cidade estava intransitável, literalmente embaixo d’agua. Neste período houve a maior cheia do rio amazonas desde 1927. Embora cite nos meus estudos que este não é um grande problema para os ribeirinhos, nas cidades a situação é inversa. Não há palafitas ali. As pessoas se viravam como podiam. Em boa parte do centro foram construídas plataformas altas de madeira, acima do nível da água, para funcionarem paliativamente como calçadas. Assim, tivemos que deixar alguns dos encantos de Santarém para uma próxima viagem.

Grande nível de chuvas deixa centro de Santarém alagado

Mas nem tudo estava perdido. Ja era cerca de 15:20 e eu começava a me preocupar com a volta ao navio. A regra é: quem não estiver a bordo no momento de partida, fica. Simples assim. Claro que se o navio zarpasse, havia a possibilidade de pagarmos alguem com uma voadeira para nos levar até ele, mas nem de longe isso parecia uma boa idéia (alias, na tranquila cabeça do Maeda, parecia. hehe). Neste momento D. Maura lembrou de um lugar famoso onde começavam a servir Tacacá e Maniçoba um pouco mais cedo. Era a casa de uma senhora, cuja parte da frente havia sido transformada em restaurante. Não se enganem, a transformação que me refiro foi pura e simplesmente colocar algumas mesas de ferro ao lado das plantas da área, para que as pessoas pudessem se sentar e apreciar o rango. Lugar bastante simples e comida caprichada.

Fazia um calor de 38 graus e Maeda logo pediu o Tacacá. Esta típica comida deriva de um tipo de sopa indígena denominada mani poi. É servida em cuias: coloca-se primeiramente um pouco de tucupi e o caldo da pimenta-de-cheiro com tucupi. Acrescenta-se a goma e arranjam-se os ramos do jambu de modo bem distribuído. Colocam-se os camarões e acrescenta-se mais tucupi até quase completar a cuia. “Bota bastante goma aí!”, Maeda disse. “Ah sim, quero bem quente também”, completou. Pobre coitado. Mal sabia o que havia pedido. A goma é feita de mandioca, extremamente consistente, grossa e de gosto forte. O quente, entende-se por quente mesmo (fervendo) além da porção extra de pimenta no tucupi. A cada golada, Maeda suava um pouco mais. Misturava, pegava um bm pedaço de camarão, comia o jambu com as mãos e dava mais um bom gole. Se o próprio tinhoso estivesse ali, estaria se abanando. Ave mãe. Experimentei. Gostei mas achei muito forte. Preferi deixar pro Maeda.

Maeda prova o típico Tacacá do Pará

Quando enfim terminou o Tacacá, a gloriosa D. Maura disse que não o deixaria partir de Santarém sem conhecer outra típica comida. Desta vez, falamos da Maniçoba, outro prato de origem indígena e conhecido como feijoada paraense. Seu preparo é importantíssimo, uma vez que parte dos ingredientes é venenoso. É feito com as folhas da maniva/mandioca moídas e cozidas, por aproximadamente uma semana (para que se retire da planta o acido cianídrico, que é venenoso), acrescida de carne de porco, carne bovina e outros ingredientes defumados e salgados. Quente também. E cheio de pimenta no tucupi. Minha sensação ao olhar para o Maeda era um misto de dó e graça. Se alguém oferece uma comida a ele, não sabe dizer não. Come até o fim, mesmo que não esteja aguentando. Sua testa parecia derreter de tanto suor. Comeu, comeu e comeu. Valeu a pena. Para ajuda-lo, fui ao bar do lado e comprei 3 cocas geladíssimas. Duas delas o bicho sorveu na hora.

Maniçoba em Santarém - outra típica comida do Pará

Pois bem, ja estava na hora de voltar. Agradecemos D. Maura pelo ótimo passeio e principalmente pela agradável companhia de nossa guia por um dia. Chegamos no navio e agora ele era carregado com produtos que iam de Santarém para Belém. Maeda foi direto pro banheiro, disse que ia tomar banho porque estava muito quente. Abaixei a cabeça, soltei uma gargalhada e concordei. Não o vi pelas 2 horas seguintes. :-)

Como já disse aqui, horário não é o forte do transporte fluvial da região Amazonica. Saímos de Santarém as 19:00, 3 horas depois da previsão inicial. Este foi o resumo do dia.

  
  

Publicado por em

Mequias

Mequias

12/01/2011 19:55:08
muito interressante

Carla de souza

Carla de souza

16/08/2010 16:55:52
então poderia ser mas resulido na verdade não da voltade de ler muito grande eu acho que o testo é bom as poderia ser mas resumido obrigada pela atençaão

EMILIO MATTOS

EMILIO MATTOS

15/09/2009 17:59:17
Eu conheci Santarém em 2005, gostei muito da cidade sua orla, praias e tipos diferenciados de alimentação que aqui em Dourados/MS não temos. Excelente cidade

Lucy

Lucy

06/09/2009 14:53:20
sou santarena , minha cidade é mesmo muito linda, sinto muita falta das praias, da orla, parabéns pela matéria.

Patrícia abuzadynha...

Patrícia abuzadynha...

22/07/2009 20:22:26
Contynuo amanduúh Santarém....
e sempre amareiii....♥♥♥