Sobrevivendo às Intempéries

Hej!

  
  

Por mais planejada que seja uma viagem como a Expedição Madeira, sempre há espaço para imprevistos. Você pode entrar em alguma rota alternativa e acabar se perdendo, as condiçoes do lugar que visitará podem não ser tão boas quanto o previsto, desastres naturais podem ocorrer, pode faltar combustível no seu carro, e por aí vai. Quando se navega por mares desconhecidos, estamos sujeitos a todo tipo de intempéries. E ao contrário do que parece, isso não é ruim. Expedição sem aventura não existe. Aventura sem imprevistos –desde que sejam pequenos–, não existe.

O que costumo fazer nestes casos, é minimizar as chances de problemas ou ao menos, estar preparado para enfrentá-los. Se você não conhece seu destino, ao se preparar para a odisséia, deve levar 3 itens em consideração: Localização Geográfica, Época da Viagem e Condições Atuais da Localidade atual.

A Localização Geográfica diz muito o que pode lhe esperar. No meu caso, vou para um lugar quente, de densa floresta tropical, com hidrografia abastada e estradas de difícil passagem. Este clima e região, por si só, ja mostram de cara algumas situações de risco: mosquitos vetores de doenças, biodiversidade de animais e insetos (inclusive venenosos), possibilidade de ficar preso em atoleiros. Não há muito como se preparar para isto, no entanto, usando o bom senso podemos pensar em minimizar as situações de risco. Por exemplo, sempre ter a mão coletes salva-vidas — os rios da região são de forte correnteza, largos, profundos e infestados de jacarés. Caso caia ali, o que acontece com certa frequência com os nativos, tente sair logo. Outro item importante é usar um bom repelente. Para Febre-Amarela há vacina, para outras doenças tão perigosas quanto, como Malária, não há. Assim, a melhor forma de se manter longe destas doenças é utilizando repelente. Quanto à estradas ruins, nada melhor do que uma boa corrente de neve nos pneus de seu carro. Razoavelmente simples de instalar, ela pode literalmente salvar sua vida e lhe tirar de uma situação de risco.

A Época da Viagem é outro fator de extrema importância e que deve ser levado em consideração. A Expediçao Madeira será iniciada no fim da época de cheia do Amazonas e seus afluentes. O perigo oculto aqui sao basicamente dois: cobras e contaminação das águas. Nesta época, a água invade as várzeas, as florestas alagáveis e os igapós. As serpentes que vivem nesses lugares acabam migrando para próximo das casas dos ribeirinhos e centros urbanos. A contaminação das águas pode se dar pela rápida cheia, atingindo areas de pastagens, esgosto e fossas nas cidades e comunidades ribeirinha.

Quanto às serpentes nao ha muito o que se possa fazer, a velha e boa bota de cano longo ainda é a melhor opção. Como é um animal rastejante, a maioria das picadas é na região das pernas. Se for picado, lave o local com água e sabão e corra para o médico o mais rápido possivel. As lendas de chupar veneno, cortar o lugar, fazer torniquete, sao apenas lendas e podem agravar a situação da pessoa. Para águas contaminadas levo uma lição que aprendi no exército (segundo atirador - 1 pelotão de fuzilieiros - 1 cia de fuzileiros - 37 batalhão de infantaria motorizado) e nunca mais esqueci. Sempre leve consigo um filtro de café e um pouco de hipoclorito de sódio. A receita é simples. O filtro retira qualquer impureza ou resíduos sólidos que possa haver na água. você pode filtra-la até um cantil ou garrafa e depois, tratá-la com hipoclorito de sódio. A receita é 5 gotas de hipoclorito de sódio para cada litro d’água. Consumir a água 30 minutos depois da utilização do cloro.

Condições atuais da localidade. Bem, isto é bastante simples. Procure noticias atualizadas sobre a regiao que você vai. Por exemplo, ja sei que este ano o Rio Negro deverá ter sua maior cheia desde 1953, por causa da La niña e claro, chuvas. Esta situação, agrava a questão de navegação devido às ‘novas rotas’ que são criadas naturalmente, aumentam a quantidade de entulhos nos rios (principalmente no Madeira), aumentam os criadouros de mosquitos e pernilongos, piora a situação das estradas. Enfim, onera absolutamente todos os pontos citados anteriormente.

Assim, se passarmos por alguma situação de risco, principalmente risco de saúde, deixei meu lado hipocondríaco aflorar e fiz uma lista com a mini-farmácia que levarei. Lembre-se: nao adianta ter medicamentos em excesso se você não tem a mínima idéia dos procedimentos que devem ser feitos ou de como devem ser utilizados. Neste caso, menos é mais. Coisas simples podem lhe ajudar, e muito.

O que levar

1. Band-Aid, gaze, esparadrapo, cotonetes;
2. Água-oxigenada;
3. Tylenol (antipiretico), Voltarem (anti-inflamatório), Floratil (diarréia), Neocarbon (intox. alimentar), Dramim (anti-emetico);
4. Gelol, Hipogloss (pra passar entre os dedos do pé);
5. Multivitamínico, Aminoácidos em cápsulas, Glutamina em pó.
6. Repelente
7. Sal
8. Colírio
9. Hidratante e protetor Solar
10. Pomada Bactericida

Lembro que no Exército usava IMOSEC no caso de diarréias. No entanto, alguem me disse que este remédio foi proibido. Pelo sim pelo não, não irei indica-lo.

Queria escrever muito mais coisa aqui hoje, acho que exagerei na dose de café e fiquei acelerado. Como textos longos nao caem bem num blog, vou guardar o resto do texto aqui comigo. Talvez seja util no futuro.

Au Revoir!

  
  

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