Blogs > Expedição Parques Nacionais > Boletins >Desova das Tartarugas Marinhas - Projeto TAMAR - SERegistrar a desova das tartarugas marinhas sempre esteve presente neste meu projeto, independente do registro estar ou não dentro de um parque nacional.20 de Janeiro de 2006. Publicado por Eduardo Issa Registrar a desova das tartarugas marinhas sempre esteve presente neste meu projeto, independente do registro estar ou não dentro de um parque nacional. ![]() Durante a noite as tartarugas vão a praia para a desova, o processo dura cerca de 50 minutos Considerando que a desova de várias espécies acontece normalmente entre os meses de dezembro a março, comecei a minha busca neste período para acompanhar o processo. As tartarugas que desovam nas ilhas oceânicas como Fernando de Noronha (PE), Atol das Rocas(RN) e Trindade (ES) iniciam a desova alguns meses antes das tartarugas que desovam no continente. No Brasil são cinco as espécies encontradas, a tartaruga de Pente, a Verde, a Cabeçuda, a Oliva e a de Couro, que é a maior delas. ![]() As Bases do Projeto Tamar conscientizam os visitantes para a preservação da espécie Após registrar o Parque Nacional do Catimbau, em Pernambuco, iniciei a descida pelo litoral nordestino passando por praias famosas e deslumbrantes como a Praia do Gunga, em Alagoas e as piscinas naturais de Maragogi também no mesmo Estado. Na divisa dos Estados de Alagoas e Sergipe, um fato muito triste, apesar da beleza da Foz do Rio São Francisco, num passeio pela praia no lado alagoano, encontramos mais de 10 tartarugas mortas, vítimas das ![]() as grandes redes de arrasto colocadas por pesacadores tem causado a morte de vários indivíduos em Alagoas Chegando na cidade, fui visitar esta pouco conhecida base do Projeto TAMAR, mas de muita importância, localizada de frente para a praia, nas bordas da Reserva Biológica de Santa Isabel. Depois de me apresentar e contar um pouco do trabalho que estava idealizando fui autorizado pelo chefe da base a registrar imagens de algumas espécies desovando. Acompanhado de dois estagiários do projeto, Fábio e Ticiana, partimos às 2 da manhã da base, seguindo de buggy na escuridão pelas areias da praia tentando achar alguma tartaruga saindo da água ou já desovando. ![]() de cada 1000 filhotes apenas um consegue chegar a idade adulta Como era a minha primeira experiência acompanhando estes dóceis animais, estava ansioso para encontrar alguma espécie. Encontramos um rastro, mas foi alarme falso, algumas tartarugas saem do mar e deixam um rastro na areia, fazem uma espécie de meia lua, não gostam do local e voltam ao mar sem colocar os ovos. Segundo Fábio, o procedimento é normal, a tartaruga escolhe o melhor local e estes indivíduos que deixam o rastro com certeza voltam ![]() O pequeno filhote caminha em busca da liberdade e da sobrevivência Deixamos que a tartaruga, que era da espécie caretta caretta, conhecida popularmente como cabeçuda, iniciasse a escavação para nos aproximar, tentando causar menos distúrbio possível. Em alguns minutos as patas traseiras em movimentos sincronizados, abrem uma cavidade suficiente para abrigar dezenas de ovos. Os ovos são flexíveis e vão caindo suavemente, com seqüências e números diferentes, ás vezes caem 6 ovos seguidos, outras apenas um, aos poucos o buraco está cheio de ovos. Em seguida, as mesmas patas que cavaram começam a colocar areia em cima dos ovos. O movimento impressiona, parece uma pá puxando a areia e cobrindo delicadamente os ovos. O processo todo dura cerca de 50 minutos e é difícil reconhecer o local onde ocorreu à desova, a cobertura é perfeita, parece que o lugar nem foi mexido. Os ovos ficam em média 50 centímetros de profundidade e permanecem ali cerca de 45 dias, até os filhotes começarem a eclodir. Os pequenos filhotes vão subindo, um trabalho em equipe, onde os filhotes ajudam uns aos outros até chegarem à superfície. Os pequenos filhotes se alimentam com uma espécie de cordão umbilical encontrado dentro do ovo e conseguem respirar com o ar encontrado por entre os grãos de areia. Apesar da estatística assustadora, onde a cada mil filhotes que nascem apenas um consegue chegar à fase adulta, foi gratificante ver centenas de tartaruguinhas caminharem em direção ao mar, com o sol nascendo no horizonte e darem o primeiro mergulho rumo ao maior desafio de suas vidas, sobreviver e depois retornar para a mesma praia onde elas nasceram para desovar e continuar o ciclo da vida. Que Deus, os homens e o Projeto TAMAR protejam estes filhotes para que estas espécies continuem sempre presentes nas águas brasileiras. Seguindo para o PN Serra de Itabaiana - SE |
Comentários |
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isabella antunespostado: 28/8/2008 16:19:27![]() eu quero saber quanto tempo as tartarugas fica dentro do ovo?? |
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letyciapostado: 29/9/2008 06:13:21![]() as fotos sao lindas! |
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