Estação Ecológica de Anavilhanas - AM

A estação Ecológica de Anavilhanas, com os seus 350.018 hectares, até pouco tempo levava o título de maior arquipélago fluvial do mundo, com cerca de 400 ilhas, um número que pode se alterar ligeiramente com o ciclo das águas.

  
  

Depois de passar pelo PN do Jaú, não pense que em Anavilhanas a paisagem será semelhante pela sua proximidade.

Amigas do boto

Amigas do boto
Foto: Eduardo Issa

A região amazônica revela surpresas e encantos que até os mais experientes exploradores se surpreendem. A estação Ecológica de Anavilhanas, com os seus 350.018 hectares, até pouco tempo levava o título de maior arquipélago fluvial do mundo, com cerca de 400 ilhas, um número que pode se alterar ligeiramente com o ciclo das águas.

Cachoeiras dentro de Igarapé

Cachoeiras dentro de Igarapé
Foto: Eduardo Issa

Nos últimos anos constatou-se que o arquipélago de Barcelos, um conjunto de ilhas um pouco mais ao norte do estado, possui um número maior de ilhas e muitas ramificações. Barcelos, além deste título, é também o maior município do Brasil em área.

Final de tarde dourado

Final de tarde dourado
Foto: Eduardo Issa

Anavilhanas está a 40 km de Manaus, e o acesso pode ser feito de barco saindo da capital ou seguir pela estrada até a cidade de Novo Airão, distante 180 km de Manaus. Neste trecho são 80 quilômetros de asfalto, com direito à balsa no caminho e depois mais 100 km de estrada de terra com muitos buracos. Novo Airão oferece uma estrutura básica para quem procura voadeiras para conhecer a região.

Jibóia no interior das ilhas

Jibóia no interior das ilhas
Foto: Eduardo Issa

A cidade está em frente aos limites da estação e oferece atrativos fora do comum. Um deles é conhecer o flutuante da Marilda e suas filhas, “as amigas do boto”, que além de saborear uma deliciosa comida caseira ainda vai ver a intimidade das meninas com estes dóceis animais.

Troncos secos escondem belas orquídeas

Troncos secos escondem belas orquídeas
Foto: Eduardo Issa

Marilda conta que os botos fazem parte da sua família e sabe o nome e identifica os 9 botos que se aproximam do flutuante, um deles ainda é filhote e acaba de completar três meses. Esta relação de carinho e confiança vem se solidificando ao longo dos anos e tem atraído muitos turistas que vem de longe fotografar as meninas nadando e alimentando os botos.

Uma das melhores sensações deste meu projeto foi fazer imagens submarinas destes botos e poder acariciá-los debaixo d’água. Em alguns momentos estive rodeado por 5 deles, que observavam curiosos aquela caixa estranha da câmera na minha frente.

Voltando a Anavilhanas, não se sabe ao certo a origem deste nome, mas a versão mais aceitável é que se trata de um afluente da margem direita Rio Negro, conhecido como “Anaviana”, como consta no mapa geográfico da América Meridional de 1775. Vale dizer que esta unidade de conservação é uma das poucas que tem sua situação fundiária totalmente resolvida.

Seguimos pelas vias aquáticas a bordo de uma voadeira para conhecer um pouco mais desta magnífica região, que virou um ícone para quem visita a Amazônia. A vegetação das margens é mais elevada que nas outras áreas do Rio Negro e serpenteando estas ilhas encontramos uma grande variedade de biomas e ecossistemas. Floresta Amazônica, florestas de igapó, campinarana, vegetação de caatinga-gapó, estes são apenas alguns exemplos.

No interior das ilhas serpentes dividem o espaço com jacarés, ariranhas e uma enorme variedade de peixes existente nestas águas. Passear pelos canais formados entre as ilhas é sempre agradável, requer experiência, pois as paisagens são parecidas e um novato vai se perder facilmente.

Um grande número de troncos secos desponta em alguns igarapés, neles a sensação de que a vida se foi, mas ao se aproximar, orquídeas deslumbrantes que se hospedam nestes troncos, contestam a afirmação anterior, renovam a vida e embelezam o cenário.

Um fato lamentável em nosso passeio foi constatar a retirada clandestina de madeira nobre bem no interior da unidade. É impressionante a audácia e a prática destes piratas modernos que com apenas uma moto-serra deixam as madeiras já serradas em forma de tábuas, camufladas na mata e prontas para serem carregadas.

O nosso piloteiro, olhos experientes de quem passou muitos anos de sua vida trabalhando para madeireiros, hoje mudou de lado e com grande consciência preservacionista ajuda o Ibama na caça destes terríveis infratores. Os responsáveis pela unidade fazem missões de fiscalização com freqüência, não só na caça de madeireiros como também de pescadores que a invadem a área onde a pesca é proibida. A fiscalização poderia ser mais efetiva se houvesse mais recurso financeiro.

Por outro lado, os visitantes com mais recursos têm a chance de sobrevoar e contemplar este espetáculo da natureza, uma imagem inigualável em nosso planeta. Com absoluta certeza, o sobrevôo é mais bela imagem que se pode ter e levar do arquipélago.

Anavilhanas está aguardando votação para virar parque nacional, pois todo o seu processo já está em Brasília, na Comissão de Redação da Câmara dos Deputados. Assim, em breve, terá sua visitação devidamente regulamentada como parque. A Estação Ecológica deverá continuar a existir em 1/3 da área total.

Muitos turistas já visitam o arquipélago de forma desordenada e precisam saber das normas e as regras básicas de conduta para a sua conservação. Esperamos que a votação aconteça em breve, assim esta obra de arte da natureza estará assegurada nas lentes e mentes das futuras gerações.

Seguindo para PN Serra da Mocidade

  
  

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