PN Chapada dos Guimarães - MT

Quando o visitante se aproxima dos enormes paredões avermelhados que compõem o cenário da Chapada ele fica um pouco assustado com a estrutura turística que o governo do estado implantou nas bordas do Parque Nacional.

  
  

O paraíso está ameaçado??? Quando o visitante se aproxima dos enormes paredões avermelhados que compõem o cenário da Chapada ele fica um pouco assustado com a estrutura turística que o governo do estado implantou nas bordas do Parque Nacional. O complexo da Salgadeira ficou fora dos limites da unidade e recebe nos finais de semana centenas de turistas que deixam ali restos de alimentos, latas, garrafas e muito lixo. Aos poucos, eles também invadem outros pontos preciosos da região como o Rio Paciência. A direção do parque e também alguns voluntários têm feito campanhas intensas de conscientização e educação ambiental para que este tipo de visitante mude sua conduta ou não chegue às outras atrações.

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Os "enormes paredões avermelhados" da Cidade de Pedra
Foto: Eduardo Issa

Em 1872, quando os primeiros exploradores chegaram por aqui, estavam em busca de terras férteis. Atualmente, os “exploradores modernos” vêm atrás da energia, das belezas naturais e do esoterismo que envolve esta localidade. Ao contrário do que muitos pensam, a Chapada dos Guimarães é uma cidade e não só uma região, como é o caso das outras Chapadas, a dos Veadeiros, em Goiás e a Diamantina, na Bahia. O motivo de atrair esotéricos e também pessoas com diferentes filosofias de vida se deve à localização, ou seja, a Chapada está a alguns metros do centro geodésico da América do Sul, o ponto central entre os oceanos Atlântico e Pacífico.

A energia que muitos atrai

A energia que muitos atrai
Foto: Eduardo Issa

Já dentro dos limites do parque, é fácil ver porque a Chapada dos Guimarães teve seu rápido reconhecimento nacional e internacional como um dos melhores destinos de ecoturismo no Brasil. Ao lado da sede administrativa, você vai se impressionar com uma das mais belas cachoeiras do país. O Véu de Noiva é uma queda de 86 metros, que despenca no meio de um vale verde com paredes rochosas, onde o sol se põe e tinge as paredes em tons vermelho-alaranjados. O acesso à cachoeira é bom e conta com escadas, corrimões e boa sinalização. Qualquer turista, de crianças aos mais velhos, pode curtir este espetáculo da natureza.

Cachoeira Véu da Noiva

Cachoeira Véu da Noiva
Foto: Eduardo Issa

Para os mais aventureiros, seguindo adiante na trilha do Véu, por cerca de 1.200 metros por entre árvores retorcidas e algumas plantas medicinais, uma seqüência de cachoeiras refresca a alma dos trilheiros. Cachoeira do Pulo, da Prainha, das Andorinhas, da Independência... difícil é dizer qual é a mais gostosa. Além de todas estas quedas, a Chapada ainda abriga muitas nascentes como o Rio Coxipó e Mutuca, que abastecem o Rio Cuiabá, um dos responsáveis pelo ciclo de vida do imenso Pantanal.

Morro São Jerônimo

Morro São Jerônimo
Foto: Eduardo Issa

Seguindo por outras bandas do parque, após percorrer 19 km por estradas de terra, uma cidade imaginária desponta no alto dos morros, é a Cidade de Pedra, onde grandes escarpas foram esculpidas pela ação dos ventos e das chuvas por milhões de anos. Ali está também o Paredão do Eco, onde as vozes se ecoam pelo vale rochoso.

O exótico Araçari

O exótico Araçari
Foto: Eduardo Issa

Quando se caminha pelos campos ou pelas veredas de buritis, é difícil tentar imaginar que esta região há milhões de anos atrás já foi coberta de gelo e mais alguns milhões de anos a frente tornou-se fundo do mar. É fácil comprovar estas teorias, pois no alto do Morro do São Jerônimo, uma caminhada de 2 horas e meia partindo do Véu, é possível encontrar fósseis de conchas do mar. A paisagem mudou novamente com a subida da Cordilheira dos Andes, época em que o Pantanal se aprofundou fazendo com que a chapada se elevasse.

Voltando ao São Jerônimo, a vista do topo compensa toda e qualquer gota de suor despejada no caminho. A vista é magnífica, mas só suba se estiver habituado a longas caminhadas. Por vários pontos da chapada você encontra mirantes de tirar o fôlego, e pelas trilhas, a flora e a fauna despontam confirmando a grande riqueza do cerrado brasileiro. Pela manhã ou no cair da tarde, araçaris, araras, anus e outras espécies colorem o céu e as árvores do lugar. Há também tamanduás, lobos-guará e quatis, mas a chance de vê-los perambulando pelas redondezas é bem vaga. Os animais estão cada vez mais afastados dos locais mais freqüentados.

No entorno do parque, distante 40 km da cidade, no meio de plantações e de grandes fazendas, surge a Caverna Aroe-Jari, a maior caverna de arenito do Brasil. A caverna, com vários salões e grandes bocas de entrada, também abriga a belíssima Lagoa Azul, com águas cristalinas em tons azulados e que, com os raios solares refletidos proporcionam um espetáculo único.

A caverna já foi fechada uma vez pelo CECAV, órgão do governo responsável pela proteção e manejo de cavernas, por mal uso e degradação dos visitantes. Neste mês, ela acaba e ser reaberta e esperamos que seus futuros visitantes tenham mais consciência e cuidado para que esta maravilha possa ser vista pelas gerações futuras e que isto valha também para toda a região da chapada. Quanto à frase da primeira linha, o paraíso não está ameaçado, ele só está começando a ser descoberto, mas precisa ser preservado.

Partindo para o PN dos Pacaás Novos-Rondônia

  
  

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