PN da Amazônia - AM

São 11 os parques dentro da Amazônia, mas apenas um leva o nome desta região tão rica e com a maior biodiversidade do planeta. Estamos falando do Parque Nacional da Amazônia, que honra todas as letras do seu nome.

  
  

São 11 os parques dentro da Amazônia, mas apenas um leva o nome desta região tão rica e com a maior biodiversidade do planeta. Estamos falando do Parque Nacional da Amazônia, que honra todas as letras do seu nome. Talvez seja este o motivo que desde a sua criação em 1974 até meados de 1993, noventa por cento dos visitantes eram estrangeiros. O nome “Amazônia” é muito forte mundialmente e faz deste parque um dos mais procurados por europeus e americanos. A unidade ocupa 994.000 hectares bem no coração do estado do Pará, tido como um dos Estados mais devastados da Amazônia, mas a área do parque permanece preservada quase em sua totalidade. O parque tem 22.000 hectares no Estado do Amazonas, no pequeno município de Maués, também conhecido como a terra do Guaraná.

Florestas de igapó emolduradas por palmeiras de açaí, patauá e buritis compondo um cenário típico desta região

Florestas de igapó emolduradas por palmeiras de açaí, patauá e buritis compondo um cenário típico desta região
Foto: Eduardo Issa

O acesso pode ser feito por via terrestre partindo da cidade de Itaituba, percorrendo 53 km pela histórica Transamazônica você chega no início do parque, na cachoeira do Tracoá. Seguindo por mais 12 km encontra-se a sede administrativa, de onde parte algumas trilhas e pode servir como base para o visitante. Está prevista para o próximo ano a construção de um centro de visitantes e também um alojamento para pesquisadores, o que atrairá um número maior de pessoas para a unidade. A rodovia que é considerada uma das piores estradas do Brasil, na região do parque mais parece uma estrada vicinal, de terra, mas em bom estado. Alguns motoristas abusam desta mudança, andam em alta velocidade e às vezes se envolvem em acidentes ou até pior, atropelam animais que cruzam a estrada em busca de alimento.

Momento raro da natureza, um filhote de gavião real(harpia) aguardo no ninho pelo alimento trazido pelos pais

Momento raro da natureza, um filhote de gavião real(harpia) aguardo no ninho pelo alimento trazido pelos pais
Foto: Eduardo Issa

Circulando pelo parque é freqüente ver sagüis, quatis e outros bichos de porte maior atravessando de um lado para o outro, dirija com cuidado. A grande área de floresta é banhada pelo belíssimo rio Tapajós, com águas azuladas e que junto com o verde das árvores formam um cenário deslumbrante. Ao visitar a sede do parque no km 65, não deixe de tomar um banho nas águas do Tapajós, há uma trilha leve que dá acesso a uma deliciosa praia com corredeiras e belas paisagens. Os piuns, um pequeno inseto presente em várias regiões da Amazônia também adora a praia, proteja-se com repelentes e procure tomar banho em horários mais quentes, hora em que os piuns dão uma trégua.

A experiência de remar de duck pelas águas do rio Tapajoós bordeando as florestas intactas

A experiência de remar de duck pelas águas do rio Tapajoós bordeando as florestas intactas
Foto: Eduardo Issa

A transamazônica é praticamente a única estrada dentro do parque, e os atrativos são normalmente vistos da estrada. O circuito dos lagos é imperdível, percorrendo cerca de 50 km a partir da sede você pode ver o Lago dos Patos, o Lago das Capivaras e o Lago do Jacaré, sem dúvida o primeiro é o mais bonito, parece uma pintura da natureza. São florestas de igapó emolduradas por palmeiras de açaí, patauá e buritis compondo um cenário típico desta região. No caminho a possibilidade de ver animais é grande, se estiver de carro, preste atenção nas árvores e ande com o vidro aberto para ouvir o canto dos pássaros. Se o visitante gosta de caminhadas, há trilhas mais pesadas como a da Pedra Preta, onde se caminha por cerca de uma hora e meia, partindo da sede, subindo até um pequeno mirante.

A vivacidade das cores da pequena Ararajuba, a ave símbolo do parque e só é encontrada nesta região

A vivacidade das cores da pequena Ararajuba, a ave símbolo do parque e só é encontrada nesta região
Foto: Eduardo Issa

No alto, já no final da trilha você tem a noção da grande extensão de floresta ainda intocada nesta região. Partindo da sede, trilhas mais leves e interpretativas como a das Árvores Siamesas é recheada de árvores seculares, com formas e tamanhos variados, são gameleiras, sumaúmas, castanheiras, jacarandás e muitas outras, sem falar das árvores gêmeas, uma imagem rara de duas árvores idênticas que brotam do solo e se fundem no alto. Apesar das operações de fiscalização, a ação de caçadores durante muitos anos tem sido implacável, atualmente tiros ainda atingem impiedosamente várias espécies presentes nas bordas da estrada.

O Sauin cabe na palma da mão, com muita sorte pode ser visto na margem esquerda do rio Tapajós

O Sauin cabe na palma da mão, com muita sorte pode ser visto na margem esquerda do rio Tapajós
Foto: Eduardo Issa

Segundo José Salles, 11 anos como chefe da unidade, a caça se configura como um dos principais problemas e segundo ele só com o aumento do número de funcionários e uma fiscalização mais intensa e efetiva poderá diminuir o problema. Estes atos de covardia de caçadores que muitas vezes atiram sem motivo, tornaram os bichos ariscos e desconfiados, portanto caminhar por trilhas é sem dúvida a melhor forma de avistar a fauna, usar roupas discretas ou camufladas ajuda na aproximação. A quantidade de primatas na unidade impressiona, muitos aparecem em várias regiões, os mais vistos são os sagüis, mas o macaco aranha, bugio e o macaco da noite estão pelas copas das árvores, já o pequeno sauim, um macaquinho branco que cabe na palma da mão é raro e também pode ser visto na margem esquerda do Tapajós.

Apesar de ter praticamente uma estrada cortando o parque, é imprescindível a contratação de uma guia local. Além de conhecerem bem as trilhas, eles são experientes e enxergam os bichos onde você não vê nada e ainda sabem onde eles se alimentam, o que facilita a procura. A ave símbolo do parque é a pequena Ararajuba, só é encontrada nesta região da Amazônia, voa geralmente em bandos e podem ser vistas nos pés de murici se alimentando do fruto. No início da manhã ou final da tarde é possível encontrar estas aves de coloração verde-amarela voando pelo parque. Na verdade o Parque da Amazônia é o lugar perfeito para observadores de pássaros, são diversas espécies de tucanos, araçaris, pica-paus, beija-flores e papa-formigas, um verdadeiro show de aves que colorem o céu e encantam seus visitantes.

Os mamíferos são os mesmos presentes em toda região amazônica, mas com certeza a chance de encontrar o maior felino das Américas, a temida onça pintada é muito grande por aqui. Com todos estes atrativos, é fácil perceber porque muito turista de outros países vem uma vez e acabam voltando, sempre dispostos a descobrir e registrar imagens inéditas da fauna do parque.

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