PN da Chapada Diamantina - BA

O Parque Nacional da Chapada Diamantina foi criado em 1985 e protege 152 mil hectares onde estão muitas atrações, bem como as cidades históricas.

  
  

A aventura na Chapada começa pela estrada de acesso, para quem vem de Salvador, são trechos intermináveis com buracos enormes e que podem interromper a viagem dos menos avisados. Um absurdo, considerando que a estrada é o único acesso para muitos municípios que atualmente vivem do turismo, e o governo baiano não toma nenhuma providência. Após o período rico da exploração de diamantes nesta região, o que restou foram montanhas remexidas, rios assoreados e uma riqueza interminável de belezas cênicas que vem sendo descoberta por aventureiros de todo o planeta. Como nos tempos do garimpo, os visitantes precisam enfrentar longas caminhadas, ou mesmo viajar no lombo de um burro para chegar nestes lugares exuberantes. Na verdade, isto fez com que estas paisagens permanecessem intactas e se tornassem as maiores riquezas da chapada. Milhares de trilhas e estradas serpenteiam as montanhas, e podem durar horas ou dias, dependendo do preparo do viajante.

Morrão, um dos símbolos da Chapada

Morrão, um dos símbolos da Chapada
Foto: Eduardo Issa

O Parque Nacional da Chapada Diamantina foi criado em 1985 e protege 152 mil hectares onde estão muitas atrações, bem como as cidades históricas. Tive a oportunidade de fazer algumas destas trilhas e fiquei impressionado com o cenário por onde se caminha. A Trilha do Pati é uma das mais longas, e também recebeu o título de melhor trilha do Brasil. Com toda a certeza, a visão do mirante do Vale do Pati é inigualável, de tirar o fôlego e, para mim, foi a imagem mais bonita que registrei. Durante 10 dias percorri todo o perímetro do parque, ao lado do guia Gustavo (Guga), que há 11 anos vive na chapada e conhece bem seus atrativos. Falando assim parece fácil, mas foram mais de 700 km, por estradas boas, outras terríveis, buracos, travessia de rios, longas caminhadas e muita coisa interessante.

Trilha do Pati

Trilha do Pati
Foto: Eduardo Issa

A chapada que tem diamante no nome, é formada por várias facetas, e todas com brilhos particulares. O período intenso de chuvas neste imenso platô contribui para a formação de novos espetáculos. As águas esculpem cânions, criam cavernas e navegam por entre pedras e campos fazendo novos desenhos na natureza. A Cachoeira da Fumaça, a segunda maior do Brasil, é um destes espetáculos em que as águas levaram milhões de anos para formar. Na Fumaça, com seus 400 metros de altura, dependendo da freqüência das chuvas, as águas podem atingir o solo ou mesmo virar “fumaça” pairando no ar com suas gotas flutuando pela ação do vento.

Cachoeira da Fumaça, a segunda maior do país

Cachoeira da Fumaça, a segunda maior do país
Foto: Eduardo Issa

É muito difícil indicar lugares para visitar: além de muitos, cada um tem suas características e todos são belíssimos, mas poderia dizer quais foram os que mais me impressionaram e que são imperdíveis. Vamos lá, não perca: a subida no Morro do Pai Inácio, a Cachoeira da Fumaça (pelo Vale do Capão), a Trilha do Pati, o Cachoeirão (no Pati), a Gruta da Torrinha, a Pratinha (com pouca gente !!), o Cemitério Bizantino de Mucugê, a pequena Vila de Igatu, os Poços Encantado e Azul e a Cachoeira do Buracão em Ibicoara (impressionante !!). A Chapada é enorme, percorrer esta relação acima já vai exigir um bom tempo mas compensa cada minuto.

Morro do Pai Inácio

Morro do Pai Inácio
Foto: Eduardo Issa

Um trabalho que vale ressaltar é o combate a incêndios na região do parque e também em todo o seu entorno, feito por guias voluntários, que não ganham nada para executar este trabalho árduo e valioso. Pude acompanhar e registrar um destes combates e posso garantir que estes brigadistas são mesmo os verdadeiros heróis da Chapada. Segundo Humberto Barrios, diretor da unidade, sem a ajuda destes voluntários, o parque poderia sofrer danos irreparáveis.

Cemitério Bizantino

Cemitério Bizantino
Foto: Eduardo Issa

Muitos atrativos da chapada estão no entorno da unidade mas, com relação à área do parque, há muita coisa a ser feita como colocação de placas indicativas, regulamentação de trilhas, fiscalização mais atuante e um trabalho preventivo em relação a incêndios. Esperamos que todos estes itens estejam inseridos na elaboração do Plano de Manejo do parque, para que estas preciosidades da chapada permaneçam preservadas para as futuras gerações.

Partindo para o PN Pontões Capixabas

Lençóis

  
  

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