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PN da Serra da Canastra - MG

Aqui tem paisagens encantadoras, uma das mais belas cachoeiras de Minas Gerais, e a nascente do Rio São Francisco.

20 de Outubro de 2006.
Publicado por Eduardo Issa  

`Para se ter uma idéia de como é encantadora a paisagem, deve-se criar um quadro em sua imaginação, pintando com tudo que a natureza tem de mais delicado`, Estas foram às palavras usadas pelo naturalista francês Auguste Saint-Hilaire, quando visitou a Serra da Canastra no início do século 19. Nos dias de hoje, estas terras que tanto impressionaram o naturalista continuam arrancando suspiros de seus visitantes. O Parque Nacional da Serra da Canastra foi criado em abril de 1972 com o principal objetivo de assegurar a proteção da nascente do Rio São Francisco e de outras nascentes contidas nesta região.

A Serra a Canastra na parte baixa lembra mesmo uma grande canastra, uma espécie de baú

A Serra a Canastra na parte baixa lembra mesmo uma grande canastra, uma espécie de baú
Foto: Eduardo Issa

Com uma área de 200.000 hectares, a vegetação é tipicamente de cerrado com algumas manchas de Mata Atlântica, sendo visível uma área de transição entre os dois biomas. O relevo do parque é formado por algumas serras e na parte alta se destacam a Serra da Canastra, Serra da Zagaia e a Serra do Cemitério, já nas encostas dos chapadões as descidas são íngremes e com precipícios. Numa destas encostas da Serra da Canastra está a Cachoeira Casca D`anta, a primeira queda do Rio São Francisco, que despenca 186 metros até um grande poço, já na parte baixa do parque.

Na parte alta do parque é fácil observar tamanduás circulando livremente

Na parte alta do parque é fácil observar tamanduás circulando livremente
Foto: Eduardo Issa

A Casca D`anta além de ser uma das mais belas cachoeiras de Minas Gerais, após sua queda, as águas seguem por entre rochas, formando um rio de águas puras e cristalinas, ambiente ideal para abrigar uma espécie com alto risco de desaparecer, o `Pato Mergulhão`, que está na lista das 10 aves mais ameaçadas de extinção do planeta. Uma família de patos, sendo um casal e dois filhotes, está freqüentando estas águas e com um pouco de sorte e muito silêncio é possível ver a família navegando calmamente pelo rio. O mergulhão tem características peculiares, sua plumagem tem tons de verde escuro e preto e na sua cabeça chama atenção um penacho, uma espécie de topete virado para trás.

Em 2006 aconteceu a maior incêndio criminoso da história do parque, mais da metade da área foi queimada

Em 2006 aconteceu a maior incêndio criminoso da história do parque, mais da metade da área foi queimada
Foto: Eduardo Issa

Falando em animais ameaçados, outras 3 espécies do Cerrado brasileiro beiram a extinção e costumam andar na parte alta do parque, duas delas ainda podem ser vistas com facilidade, o tamanduá-bandeira e o lobo-guará, já o tatu canastra, que pode chegar a 60 kg de peso e leva o nome da serra, dificilmente é encontrado. A ONG Pró-Carnívoros desenvolve na Canastra um trabalho valioso de estudo e monitoramento dos lobos-guará e também com pequenos roedores, segundo Fernanda, pesquisadora do projeto, nos últimos anos a população de lobos da região tem se mantido estável e a espécie encontra nesta área os alimentos necessários para a sua sobrevivência. Alguns indivíduos receberam um rádio-colar e podem ser monitorados mais de perto, registrando com mais precisão as rotas e o comportamento da espécie.

A nascente do Rio São Francisco brota no interior do parque e percorre mais de 3.000 km até desaguar no mar

A nascente do Rio São Francisco brota no interior do parque e percorre mais de 3.000 km até desaguar no mar
Foto: Eduardo Issa

O tamanduá-bandeira circula tranqüilo pelo parque, normalmente no período da tarde eles iniciam as atividades, percorrendo grandes distâncias em busca de formigas e outros insetos nos cupinzeiros dos campos. Andando pelo parque é bom ficar atento, o tamanduá se movimenta devagar, suas cores escuras se confundem no horizonte, mas na maioria das vezes o visitante consegue avistar até mais de um indivíduo numa tarde.

A queda majestosa da Casca DAnta vista do alto impressiona

A queda majestosa da Casca DAnta vista do alto impressiona
Foto: Eduardo Issa

O parque vem atravessando uma fase conturbada desde a sua criação, a ampliação da unidade tem gerado uma grande revolta de alguns fazendeiros da região e a reação é a pior possível, incêndios criminosos já castigaram duramente o parque. Em 2006, ocorreu o maior incêndio da história onde cerca de 40.000 hectares foram queimados, mais da metade da área da unidade, uma grande ameaça a fauna e a flora da região. Esta foi também a maior operação de combate do PREVFOGO, órgão dentro do Ibama responsável pelo combate a incêndios em unidades de conservação. Participaram da operação 81 brigadistas, 3 helicópteros, 3 aviões, mais de 10 veículos e o combate durou uma semana até extinguir o último foco na mata. Os brigadistas do Ibama não mediram esforços, combatendo dia e noite o fogo em áreas de difícil acesso, passando frio, calor, cansaço, verdadeiros heróis que muitas vezes não tem o trabalho reconhecido pelos meios de comunicação, onde jornalistas despreparados dão crédito somente aos bombeiros.

Para Joaquim Maia, atual chefe do parque, um trabalho de inteligência do Ibama, Polícia Militar, em conjunto com a Polícia Federal vem tentando descobrir os responsáveis por estes crimes. Nos próximos anos alguns planos de prevenção serão elaborados e vão coibir a ação destes criminosos, impedindo que outra tragédia desta magnitude volte a acontecer. Muitos locais queimados pelo fogo se recuperam rapidamente, em poucos dias já é possível ver a vegetação brotando nos campos, flores surgem em poucos dias, uma resposta imediata da natureza e que conforta os visitantes. As árvores de grande porte já não têm a mesma sorte e depois do fogo elas desaparecem para sempre da paisagem.

Apesar desta triste realidade, a Serra da Canastra tem muitos atrativos, entre eles a enorme quantidade de aves que tem atraído um tipo de turista muito bem-vindo, geralmente estrangeiros, conhecidos como `Birdwatchers` ou seja, observadores de pássaros. Estes amantes das aves movimentam a economia do lugar, tem uma grande consciência ecológica e tiram somente fotografias, respeitando a integridade dos parques. Na parte alta há muito que se ver além dos bichos, o cenário de campos limpos e vegetação rupestre entre as rochas parecem mesmo pinturas ao ar livre.

Há também outras belas cachoeiras como a do Rolinhos, a parte alta da Casca D`anta, e muitas trilhas ecológicas. Algumas pousadas ainda oferecem passeios de ecoturismo e atividades radicais. Outro ícone desta região que pega os visitantes pela boca e não pode passar despercebido, está nos arredores da Canastra, em pequenas fazendas onde é produzido o delicioso `Queijo Canastra`. Uma consistência diferente, sabor único, é impossível experimentar e não levar um para casa.

Esta soma de belos atrativos, a preciosa nascente do `Velho Chico`, a facilidade de avistar bichos do cerrado, aliados uma boa estrutura para receber visitantes fazem deste parque um dos mais procurados em Minas Gerais por turistas do Brasil e do exterior. Esperamos que os fazendeiros da região vejam o parque como um aliado à preservação deste ambiente tão valioso para as futuras gerações, pois seus filhos ainda podem precisar das águas dos rios e das matas que protegem todas as nascentes que brotam no alto da serra. Colocar fogo nas matas com certeza não é uma atitude digna de quem depende da terra para o seu sustento.

Seguindo para o PN do Caparaó - Minas Gerais

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