PN da Serra dos Órgãos - RJ

O parque foi criado em novembro de 1939, sendo o terceiro mais antigo do país e possui uma área de 10.527 hectares protegendo uma faixa do pouco de Mata Atlântica que ainda resta no Brasil.

  
  

Os paredões imponentes e majestosos encantaram o imperador D. Pedro I que logo na sua primeira visita providenciou a aquisição de terras nesta região.
A origem do nome Petrópolis foi uma homenagem a este visitante nobre que em meados de 1830 passou a freqüentar o lugar, construindo sua casa de verão para curtir os ares da montanha. No outro lado desta cadeia de montanhas está Teresópolis, nome também vindo da realeza, uma homenagem à imperatriz Dona Teresa Cristina. Homenagens à parte, o que estas duas cidades têm em comum é o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, que além destes dois municípios ainda abrange áreas das cidades de Guapimirim e Magé, todas no Rio de Janeiro.

A Serra dos Orgãos com o Dedo de Deus ao centro, vista do mirante fascina visitantes e hipnotiza alpinistas.

A Serra dos Orgãos com o Dedo de Deus ao centro, vista do mirante fascina visitantes e hipnotiza alpinistas.
Foto: Eduardo Issa

A origem do nome, apesar de muitos visitantes acharem que se refere às rochas que se parecem com órgãos do corpo humano, na visão dos primeiros portugueses que passaram pela região, os diferentes picos e suas alturas lembravam tubos de órgãos encontrados nas igrejas da Europa. Não há como não se encantar com este conjunto de rochas que saltam da paisagem formando desenhos e figuras no horizonte.

O Escalavrado com o Dedo de Nossa Senhora ,formas que o tempo esculpiu.

O Escalavrado com o Dedo de Nossa Senhora ,formas que o tempo esculpiu.
Foto: Eduardo Issa

O parque foi criado em novembro de 1939, sendo o terceiro mais antigo do país e possui uma área de 10.527 hectares protegendo uma faixa do pouco de Mata Atlântica que ainda resta no Brasil. Quando os primeiros exploradores aportaram na costa brasileira, encontraram uma longa e extensa faixa de mata exuberante. Com o passar dos anos o desmatamento, a ocupação desordenada e predatória foi reduzindo este que é considerado um dos biomas de maior biodiversidade do país. Atualmente, a faixa de Mata Atlântica foi reduzida a pequenas ilhas espalhadas entre o Rio Grande do Sul e o Rio Grande do Norte e lamentavelmente correspondem a apenas 7 % de toda cobertura original.

Para os que dormem no abrigo 4, no alto da Pedra do Sino, vale conferir o sol que nasce ao lado dos 3 picos.

Para os que dormem no abrigo 4, no alto da Pedra do Sino, vale conferir o sol que nasce ao lado dos 3 picos.
Foto: Eduardo Issa

A unidade é recheada de atrativos que agradam todos os tipos de visitantes, dos que gostam de caminhar por bosques, tomar banhos nas cachoeiras, ler um bom livro ao som dos pássaros ou para os mais radicais que se arriscam nas centenas de vias de escaladas abertas nas rochas. Falando nisso, a Serra dos Órgãos sempre foi considerada um dos ícones do alpinismo brasileiro e picos como o Dedo de Deus, que pode ser visto de vários ângulos, sempre atraiu escaladores de todo Brasil.

O colorido das bromélias são frequentes nas trilhas dos campos de altitude.

O colorido das bromélias são frequentes nas trilhas dos campos de altitude.
Foto: Eduardo Issa

A unidade está dividida em 3 regiões distintas, a sede principal em Teresópolis, a parte baixa em Guapimirm e na outra ponta a entrada via Petrópolis. Na primeira, onde está a administração, piscinas, cachoeiras e trilhas ecológicas. Na segunda, descendo alguns quilômetros pela serra, em direção a Guapimirim, você chega na subsede onde está o belíssimo Poço Verde, águas cristalinas e ótimas para se refrescar. O Museu Von Martius, também na parte baixa do parque, abriga gravuras e desenhos do naturalista alemão que esteve nesta região por volta de 1817, e se hospedou numa fazenda que hoje está nas dependências do parque. Von Martius produziu um grande acervo que ainda hoje é considerado por pesquisadores como um dos mais completos sobre a flora brasileira. A trilha da igrejinha, também na parte baixa do parque, leva até a pequena capela que foi construída em 1713 e
mantém as características da época.Na terceira região, está a portaria de Petrópolis, mas precisamente no distrito de Correias, normalmente utilizada por aventureiros que sobem a trilha da Pedra do Açu ou aqueles que fazem a travessia Petrópolis-Teresópolis uma caminhada pesada pelos cumes que pode ser feita em 3 dias percorrendo um trecho de 42 quilômetros.

Na parte baixa, em Guapimirim, a beleza do poço verde faz dele o mais procurado para banho.

Na parte baixa, em Guapimirim, a beleza do poço verde faz dele o mais procurado para banho.
Foto: Eduardo Issa

Voltando a sede principal, na barragem tem início à trilha da Pedra do Sino, a mais procurada pelos visitantes que gostam de caminhadas mais longas. São 11 quilômetros morro acima, feito em cerca de 4 horas, mas é bom estar preparado, pois apesar da trilha ser bem definida há muitas subidas longas. O ideal mesmo é fazer esta caminhada até o cume e dormir no Abrigo 4, uma ótima estrutura construída em 2001 no alto da montanha que oferece facilidades como banheiro, banho quente e cozinha. Para pernoitar no abrigo há duas opções, beliches ou com seu saco de dormir (bivac), nas duas formas é necessário pagar uma taxa e fazer a reserva antecipadamente, informações mais completas podem ser obtidas pelos telefones do parque.
A vantagem de dormir no abrigo é poder curtir momentos mágicos no cume da Pedra do Sino, como apreciar o nascer do sol ao lado dos três picos e o pôr-do-sol de cores vibrantes, tendo como pano de fundo a beleza estonteante da baía de Guanabara. O frio no topo é de arrepiar, leve luva, gorro e blusas para baixas temperaturas. Do topo você uma visão espetacular dos principais pontos de escalada da serra como o Escalavrado, Garrafão, Agulha, Dedo Deus e muitos outros. Para Seu Alexandre, um dos responsáveis pelo bom funcionamento do abrigo, todos os aventureiros devem respeitar as normas do parque e não devem deixar lixo pelas trilhas. Alguns montanhistas mal-educados utilizam a cozinha do abrigo e deixam o lixo de lado, escondido, sobrando para o funcionário do parque caminhar cerca de duas horas montanha abaixo com todo este entulho nas costas.
O parque tem uma infinidade de atrações que valem a pena, vai depender do preparo físico para escolher a melhor opção. Não se esqueça de obter informações com a administração sobre reservas e horários de funcionamento da unidade.

Considerando a situação geral de vários parques do Brasil, onde muitos enfrentam problemas como falta de recursos, de estrutura e de pessoas com vontade de trabalhar, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos é um exemplo de bom funcionamento, pois a excelente estrutura da unidade faz com que seus visitantes deixem o lugar ainda mais fascinados.

Seguindo para a escalada ao Dedo de Deus

  
  

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