PN de Brasília - DF

Dentre todo o planejamento e construção da capital federal, a criação do parque em novembro de 1961 foi uma forma de impedir o crescimento desordenado e também compensar a devastação de parte do cerrado gerada pela construção da nova capital do país.

  
  

Tentar imaginar um parque nacional dentro dos limites da cidade de Brasília parece uma tarefa difícil. Dentre todo o planejamento e construção da capital federal, a criação do parque em novembro de 1961 foi uma forma de impedir o crescimento desordenado e também compensar a devastação de parte do cerrado gerada pela construção da nova capital do país. Atualmente, o `Parque da Água Mineral`, como é chamado pelos moradores locais, se tornou vital para a cidade. No coração do parque dezenas de nascentes brotam da terra com a mais pura água e vai cortando o cerrado contribuindo para a formação de 3 importantes bacias hidrográficas, são elas, Tocantins, Paranoá e o São Francisco.

Piscinas com água pura e cristalina são os principais atrativos do Parque Nacional de Brasília.

Piscinas com água pura e cristalina são os principais atrativos do Parque Nacional de Brasília.
Foto: Eduardo Issa

Várias destas nascentes percorrem alguns quilômetros e deságuam na represa de Santa Maria, que responde por 70 % do abastecimento da cidade. A área da represa, bem como a de várias nascentes estão em regiões que não são abertas a visitação pública. Nas águas da represa, garças, biguás e outras aves aquáticas vêm em busca do sossego do lugar. Em outras áreas, a nascente do Peito de Moça é uma das mais belas, onde uma pequena elevação da rocha, em forma de seio, jorra água pura e cristalina.

Dezenas de nascentes como o Peito de Moça brotam no solo do parque.

Dezenas de nascentes como o Peito de Moça brotam no solo do parque.
Foto: Eduardo Issa

É impressionante a quantidade de nascentes nesta região, em pontos distintos da unidade não é difícil encontrar água saindo do solo. Para Lucas, um dos fiscais que patrulha o perímetro do parque, recentemente ele descobriu mais uma e batizou de nascente do buriti, por estar ao lado de uma pequena vereda de buritis. O parque de Brasília que possuía uma área de 30.000 ha conseguiu no congresso a aprovação de uma ampliação, ou seja, um acréscimo de 15.000 ha, passando agora a um total de 45.000 ha. Para Darlan de Pádua, atual chefe da unidade, a ampliação foi uma grande vitória, pois área ampliada ainda mantém as características originais de cerrado, possui muitos atrativos que serão estudados e futuramente poderão ser abertos à visitação pública.

A Represa de Santa Maria funciona como coletora das nascentes e abastece 70 % do plano piloto

A Represa de Santa Maria funciona como coletora das nascentes e abastece 70 % do plano piloto
Foto: Eduardo Issa

Atualmente, apenas duas trilhas são freqüentadas pelos visitantes, a Trilha da Capivara com 1,3 km e a Cristal Água, com 5 km de extensão. Na primeira, uma passarela de madeira percorre o interior do cerrado com trechos de matas de galeria e no despertar da manhã muitas aves circulam pelas árvores do caminho. Na segunda, o percurso segue por estradas que serpenteiam o parque e o que se vê são amostras da vegetação do cerrado, chamada também de `savana brasileira`. Com um pouco de sorte, em horários de pouco movimento é possível observar antas, o raro tatu canastra, seriemas, mutuns e muitas aves pertencentes a este rico bioma.

A Grande variedade de aves do cerrado circulam pelas trilhas

A Grande variedade de aves do cerrado circulam pelas trilhas
Foto: Eduardo Issa

A proximidade do parque com a cidade tem trazido problemas graves e o maior deles é a localização do `lixão`, uma grande montanha de detritos de todos os tipos, onde diariamente dezenas de caminhões despejam toneladas de lixo e que está a poucos metros da área da unidade, causando mau cheiro e correndo um sério risco de contaminação. Apesar de várias denúncias terem sido feitas, nenhuma providência foi tomada pelo poder público. Outro problema que vem afetando muito a fauna é a presença de cachorros de rua no interior da unidade. Estes cães acabam se tornando selvagens e agressivos atacando os bichos do cerrado e que não estão acostumados com este tipo de predador. Armadilhas estão sendo colocadas nas estradas para a captura destes animais e uma equipe de biólogos e veterinários estão auxiliando na busca de uma solução coerente para o problema.

Arcos transpostos, leveza e imponência na arquitetura da Ponte JK

Arcos transpostos, leveza e imponência na arquitetura da Ponte JK
Foto: Eduardo Issa

Problemas à parte, os maiores atrativos do parque são mesmo as duas deliciosas piscinas de água mineral, procuradas diariamente pelos moradores de Brasília para banho e exercícios matinais. As águas não recebem qualquer substância química para tratamento, puras e cristalinas são provenientes de várias nascentes do parque e passam pelas piscinas e seguem para desaguar em vários rios. A baixa umidade no ar desta região faz com que a procura por locais úmidos seja constante, especialmente por crianças portadoras de alguma deficiência respiratória. Nos finais de semana, famílias inteiras passam o dia no parque curtindo as piscinas e conhecendo um pouco mais sobre o cerrado. Na piscina velha, a primeira a ser construída, os macacos-prego costumam roubar alimentos dos visitantes, é bom ficar esperto. Perto de uma das piscinas, está o centro de visitantes, uma boa estrutura predial, mas com acervo e equipamentos que precisam ser renovados. Muitas escolas de Brasília e das cidades satélites visitam o centro e participam de palestras com educadores ambientais, assistem vídeos educativos (quando o vídeo funciona !). Os palestrantes focam a importância da preservação de toda a área do parque para as gerações futuras. A poucos metros do centro de visitantes, a Ilha da Meditação é o local ideal para quem procura tranqüilidade e muita energia, pois é lá onde os esotéricos meditam e relaxam, fugindo dos problemas cotidianos.

Circulando por áreas intangíveis da unidade, onde a visitação pública é proibida, algumas preciosidades como a Cachoeira de 3 Barras, camuflada entre uma pequena mata e com acesso difícil, está uma bela queda com seus 7 metros de altura. As águas desta cachoeira seguem pelo parque sendo um dos principais afluentes que abastecem o Lago de Paranoá em Brasília, outra grande área de lazer da cidade.

Para quem procura água com quedas mais altas vale muito percorrer cerca de 100 km até o Salto Itiquira, no município de Formosa, um salto belíssimo com 165 metros de altura e com uma ótima estrutura para visitação. Em outra direção, distante 130 km, está a pequena cidade de Pirenópolis, em Goiás, ruas estreitas, arquitetura peculiar, restaurantes e muito artesanato enriquecem culturalmente o seu roteiro.

Voltando a Brasília, já que vc está na capital federal, um passeio pela cidade que foi totalmente planejada é imperdível, a cidade é muito fotogênica e algumas construções como o Congresso Nacional, a Catedral e a praça dos 3 poderes são ícones da história. Mais contemporâneo, os arcos da Ponte JK, mostram toda a criatividade da arquitetura brasileira, uma verdadeira escultura transformada em ponte, considerada umas das mais belas pontes do Brasil.
Para quem achava que um parque nacional em Brasília era mesmo difícil de imaginar, a unidade é surpreendente, onde uma boa amostra do cerrado está protegida, assegurando os principais recursos hídricos de toda região e de extrema importância para a população de Brasília e arredores.

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