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PN de Pacaás Novos - RO

O estado de Rondônia é tido como o portal de entrada da região amazônica, é nele que está uma das preciosidades desta imensa reserva de biodiversidade brasileira, o Parque Nacional de Pacaás Novos.

12 de Maio de 2004.
Publicado por Eduardo Issa  

O estado de Rondônia é tido como o portal de entrada da região amazônica, é nele que está uma das preciosidades desta imensa reserva de biodiversidade brasileira, o Parque Nacional de Pacaás Novos.

Índios da Tribo Uru-eu-wau-wau

Índios da Tribo Uru-eu-wau-wau
Foto: Eduardo Issa

Alguns historiadores acreditam que a origem do nome Pacaás Novos seja proveniente dos seringueiros, que ao saírem para caçar se deparavam com grandes bandos de pacas na beira dos igarapés. Outra versão envolve a tribo dos índios Pakaá Nova, mas não foi confirmada.

Nascente dos Pacaás

Nascente dos Pacaás
Foto: Eduardo Issa

A sede do parque está situada no município de Campo Novo de Rondônia, distante 315 quilômetros da capital Porto Velho. O descaso das autoridades deixou as estradas de acesso num estado lastimável, fazendo com que trechos com poucos quilômetros sejam percorridos em muitas horas.

Serra do Tracoá

Serra do Tracoá
Foto: Eduardo Issa

Estradas à parte o que vale mesmo é penetrar nas florestas ainda virgens do parque e ter a sensação de estar no meio do pulmão do planeta Terra. O parque que foi criado em 1979 e completará 25 anos no dia 21 de setembro deste ano e ocupa uma área de 764.801 ha, que está totalmente inserida nas terras dos índios que se autodenominam Japaú (que ficaram conhecidos posteriormente como os URU-EU-WAU-WAU).

Orquídea

Orquídea
Foto: Eduardo Issa

Estes índios pertencem ao sub-grupo Kawahib, da família Tupi-Guarani. Caminhando pela mata é fácil perceber a importância da preservação desta área, considerando que as nascentes dos principais rios do estado estão no topo da Serra dos Pacaás Novos.

Cachoeira do Pacaás Novos

Cachoeira do Pacaás Novos
Foto: Eduardo Issa

Alguns rios como o Candeias, Jamari, Cautário, Jaci-Paraná, e o próprio rio Pacaás Novos, surgem no alto desta cadeia de montanhas. Numa expedição de cinco dias, caminhando dezenas de quilômetros por entre árvores já raras e milhares de insetos, juntamente com diretores, analistas ambientais da unidade e um mateiro experiente, foi possível atingir o topo da Serra do Tracoá.

O Pico do Tracoá é o ponto culminante de Rondônia, com seus 1.162 metros de altitude, se destaca neste grande platô, onde está envolto por uma vegetação atípica nesta região, uma espécie de cerrado amazônico. Aqui se constata uma amostra representativa do ecossistema de transição entre o Cerrado e a Floresta Amazônica. Durante a expedição foi possível chegar a quedas espetaculares como a cachoeira do Paredão e a Cachoeira do Pacaás Novos, esta última segue serpenteando por entre cânions e enormes paredões rochosos.

No alto deste cerrado a flora do parque esbanja beleza, muitas espécies de orquídeas, sempre-vivas, despontam de forma exuberante, totalmente selvagens e intocáveis. Caminhar por estes ambientes é surpreendente: a infinidade de insetos, o trabalho incessante de várias espécies de formigas que circulam por todos os lados, uma engrenagem natural que alimenta e dá continuidade a vida na selva.

Tudo se transforma, enormes troncos caídos começam a se decompor servindo de abrigo para répteis, cogumelos e aranhas. No alto das copas das majestosas sumaumas, castanheiras e seringueiras, aves como o uru, o mutum avisam os outros bichos da nossa presença. Pelo chão, uma seqüência de pegadas profundas confirma a presença de antas no local. Muitos outros mamíferos circulam por estas bandas como a onça-pintada, o macaco-da-noite e vários outros macacos. Tatus, tamanduás, cachorro-do-mato, pacas e porcos do mato (queixada e cateto).

O clima destas florestas tropicais caracteriza-se por elevadas precipitações, chuvas do tipo monção, com um volume total anual que compensa a estação seca (abril a setembro). A temperatura fica na média de 25 º graus centígrados, e a umidade oscila entre 80 e 85%.

Atualmente a maior ameaça sofrida pelos parques da Amazônia, é sem dúvida, a ação dos madeireiros, garimpeiros e de grileiros que invadem áreas de parques e reservas causando danos irreparáveis.

Nesta primeira investida no coração da selva amazônica deu para sentir a dificuldade na logística para atingir estes tesouros brasileiros, estradas precárias, longas caminhadas, picadas de insetos, cobras, grande umidade nos equipamentos de foto e vídeo, a sombra da temida onça pintada em nossas mentes, dificuldades que vem para o bem, pois só assim estes ambientes permanecerão preservados e intactos para as futuras gerações.

Seguindo para o PN Serra do Divisor (Acre)

Ariquemes

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Comentários

DEYSY RAINNY

 postado: 1/9/2008 16:16:33editar

EU COMO ESTUDANTE DA ESCOLA MIGRANTES DE MIRANTE DA SERRA GOSTARIA DE PARABENIZAR AS PESSOAS QUE AJUDAM A PRESERVAR ESSE LUGAR MARAVILHOSO. E QUERO UM DIA DESFRUTAR DA BELEZA DESSA MATA, CONHECER O QUE RONDÔNIA TEM DE BOM, LÓGICO, ANTES DE IR EMBORA. ESPERO ANDAR MUITO.

 

 

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  • 5/Set/06 PN da Serra do Cipó - MG O parque ocupa uma área de 33.800 ha, recheados de belas cachoeiras, lagoas e cânions, além disto, é considerado por estudiosos como um dos lugares com o maior número de plantas por metro quadrado do planeta.
  • 15/Ago/06 PN Cavernas do Peruaçu - MG O parque está situado à cerca de 45 km do município de Januária e 15 km de Itacarambi, na região norte de Minas Gerais e seus acessos são fáceis, estradas pavimentadas e em boas condições chegam até a sua sede.

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PN Serra do Divisor - ACPN Chapada dos Guimarães - MT

 

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