PN do Jaú - AM

Os seus 2.272.000 hectares conferem ao Jaú o título de maior parque do mundo em área de floresta contínua úmida.

  
  

O Rio Jaú, um dos muitos tributários do colossal Rio Negro, dá nome a este parque e também é o seu principal acesso. Qualquer visitante que queira conhecer esta unidade deverá obter uma autorização prévia e fazer o pagamento da taxa de entrada, tudo isto em Manaus, a capital do Estado do Amazonas. O valor é simbólico, mas sem ele você não passa pelo flutuante do Ibama, que fica exatamente na entrada e controla todas as embarcações que cruzam o Jaú neste trecho.

Flutuante do Jaú - Controle de acesso

Flutuante do Jaú - Controle de acesso
Foto: Eduardo Issa

Os seus 2.272.000 hectares conferem ao Jaú o título de maior parque do mundo em área de floresta contínua úmida. Sua criação ocorreu no ano de 1980, e desde então o parque tem recebido turistas de várias partes do planeta, inclusive um número maior de estrangeiros que brasileiros, um dado que poderia ser revertido, os passeios para desvendar suas belezas são se os preços das passagens para a região norte não fossem tão elevados para os brasileiros.

Chuva - belas cores e banzeiro no rio

Chuva - belas cores e banzeiro no rio
Foto: Eduardo Issa

Os limites naturais do parque são os rios Unini, Carabinani e o próprio Jaú. Por este motivo todos os passeios são feitos de voadeira e com alguns bons litros de combustível. Uma das características marcantes destes rios, além da sua coloração escura, é a grande acidez da água, onde não proliferam mosquitos, ao contrário dos outros rios da Amazônia, que tem cor clara, como o rio Juruá, rio Purus e o Madeira, e são infestados dos famosos piuns e carapanãs.

Vegetação nas ilhas do Rio Carabinani

Vegetação nas ilhas do Rio Carabinani
Foto: Eduardo Issa

A região tem um alto índice de chuva, mas são chuvas rápidas e proporcionam belos espetáculos de cores, formam arco-íris no horizonte e acentuam os verdes das florestas. Esteja sempre preparado com capas e protetores de equipamentos eletrônicos. Nos momentos de chuva, o rio se arrepia e pequenas ondas dificultam a navegação, é o chamado “banzeiro”, mas com o término ele volta ao normal.

Transporte local

Transporte local
Foto: Eduardo Issa

Nas épocas em que chove menos e o nível das águas está baixando, período de agosto a dezembro, é possível desfrutar das belíssimas praias de areia branca, formadas nas margens dos rios, um cenário só visto nesta época do ano (final da vazão). Não é muito fácil observar a fauna do parque, especialmente na época das cheias, quando os bichos se embrenham no meio das florestas e dificilmente vem às margens. Com um pouco de sorte jacarés, ariranhas e algumas aves podem cruzar o seu caminho.

Pinturas da Natureza

Pinturas da Natureza
Foto: Eduardo Issa

Na vegetação das margens, alguns troncos hospedam belíssimas orquídeas. Fique atento nas indicações dos locais, o povo da região norte costuma chamar uma corredeira de cachoeira, portanto certifique-se que você está mesmo indo atrás de uma queda d’água. No Igarapé Preto está uma destas raras quedas, com poucos metros de altura e de cor avermelhada é bem diferente. No rio Carabinani, as cachoeiras são mesmo corredeiras, lugar gostoso para um bom banho no meio da imensidão Amazônica.

Na minha passagem pelo Jaú, tive a chance de navegar com uma pequena canoa de madeira, a mesma usada pelos ribeirinhos para transporte e pesca, e pude observar muitos detalhes como insetos, flores e sons que são imperceptíveis quando se está de voadeira.

Outro momento fascinante deste passeio foi estar rodeado de botos podendo ver de perto suas evoluções, sempre ao som puro dos pássaros mixados com o som das baforadas de respiro dos próprios botos. Nos passeios de voadeira, vale desligar o motor por alguns minutos e descer o rio de “bubuia” termo utilizado na região para a descida de rio ao sabor do vento, sem a utilização do motor.

Algumas comunidades, como a do Seringalzinho, estão nos arredores do parque e vale uma visita. Poucas famílias moram nestas comunidades e vivem da pesca, plantam alguns alimentos para o próprio consumo e também fazem artesanato com sementes e o forte e resistente cipó titica, tão utilizado pelos índios da Amazônia.

A poucos quilômetros da base do parque e fora dos seus limites, ruínas de um pequeno povoado em estilo colonial despontam nas margens. D. Maria, uma das últimas descendentes das famílias que viveram no local, reclama do descaso das autoridades em relação à preservação das construções que tem tijolos vindos de Portugal. O abandono fez com que raízes se fundissem nas paredes ainda restantes proporcionando uma bela fotografia. A caminho de Velho Airão, inscrições nas pedras, os chamados petroglifos, juntamente com os muitos sítios arqueológicos confirmam a passagem de antigos povos nesta região.

Nas águas escuras do Jaú, mais de 300 espécies de peixes circulam livremente e dentro do possível, protegidos da ação de pescadores. Dentre eles, o enorme Jaú, um dos maiores peixes da região. Pirarucus e Tucunarés, espécies muito procuradas por pescadores também estão salvas por aqui. O Parque do Jaú é mesmo surpreendente, como visitantes conhecemos uma porcentagem ínfima e mesmo assim já deixamos o lugar impressionados com tamanha diversidade nos elementos que fazem parte da incomparável Amazônia.
Seguindo para Anavilhanas.

Barcelos Novo Airão

  
  

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