PN do Monte Roraima - RR

O parque foi criado em 1989, portanto está completando, juntamente com o Ibama, 15 anos de existência e nos últimos anos passou por momentos críticos que comprometeram seu futuro.

  
  

Como descrever um universo jamais imaginado, com paisagens que não estão registradas em nossas mentes? Este é o maior desafio quando se tenta colocar em palavras o que se vê no alto do Monte Roraima. Com toda a minha experiência de aventureiro, conhecendo lugares inóspitos em várias partes do planeta, confesso que o Monte Roraima realmente me surpreendeu.

BV-0 é passagem obrigatória para os brasileiros que visitam o Monte

BV-0 é passagem obrigatória para os brasileiros que visitam o Monte
Foto: Eduardo Issa

Foram 16 dias observando o grande Tepui por diversos ângulos. Este é nome dado a estas montanhas em forma de mesa, que avançam pelos limites do Brasil, no norte do estado de Roraima e um pouco no Amazonas, e também cobre boa parte da Venezuela, formando paisagens magníficas. A origem dos Tepuis se deu com o rompimento do antigo super continente Gondwana, há 150 milhões de anos atrás, formando a América e a África.

Chegada na aldeia de Malalai, com os índios Ingaricó ao redor

Chegada na aldeia de Malalai, com os índios Ingaricó ao redor
Foto: Eduardo Issa

Atualmente, o que se tem deste grande movimento de placas e rochas são centenas de Tepuis, em formas e tamanhos colossais compondo o cenário da “Gran Sabana” Venezuelana. É claro que temos que ressaltar que a parte brasileira do Monte é relativamente pequena, e esta porção não chega a 5 % da área do parque.

Em solo brasileiro, a mais bela vista do Roraima e Roraiminha

Em solo brasileiro, a mais bela vista do Roraima e Roraiminha
Foto: Eduardo Issa

O parque foi criado em 1989, portanto está completando, juntamente com o Ibama, 15 anos de existência e nos últimos anos passou por momentos críticos que comprometeram seu futuro. O grande responsável pela permanência do parque é o atual chefe, José Ponciano, que não mediu esforços para que a área do parque ficasse fora da demarcação das terras indígenas, que estão nos limites da unidade. Depois de muitas reuniões, envio de documentos para Brasília, encontro com os índios, chegou-se a um consenso, favorecendo a demarcação de seus limites, ficando fora das terras indígenas. O parque ocupa uma área de 116.000 hectares, que incluem a Serra de Pacaraima, o ponto tríplice da Fronteira Brasil, Venezuela e Guiana e por fim o Monte Caburaí, que apesar de desconhecido, é o verdadeiro ponto mais setentrional do Brasil, título dado erroneamente à cidade de Oiapoque, no Estado do Amapá. Nesta minha passagem pelo Monte Roraima, tive uma oportunidade única de conhecer áreas do parque onde “brancos” nunca estiveram, além de passar por uma grande experiência convivendo 24 horas com os índios da etnia Ingaricó.

Piscinas naturais no topo, as Jacuzzis

Piscinas naturais no topo, as Jacuzzis
Foto: Eduardo Issa

Durante oito dias, acompanhei a equipe do parque composta pelo diretor Ponciano e pelo analista ambiental Jorge Piccolo, e viajamos num pequeno avião para uma reunião com os Tuchauas, ou seja, os chefes das aldeias. Neste encontro, o diretor do parque pôde explicar detalhadamente aos índios, os benefícios de se ter uma área de proteção integral nos limites de suas terras e também como é o funcionamento de um parque nacional. Depois da reunião seguimos caminhando por três dias com alguns índios, viajando em canoas de Ubá (madeira em um só tronco utilizada para o feitio de canoas), indo em direção à face sudoeste do Monte Roraima.

Vista Venezuelana do Roraima

Vista Venezuelana do Roraima
Foto: Eduardo Issa

Infelizmente os visitantes normais ainda não têm acesso a esta área, mas posso dizer que esta vista do Roraima com o Roraiminha um pouco mais à frente, é sem sombra de dúvida, a imagem mais bonita do Monte Roraima e tudo isto em solo brasileiro. Em outras áreas do parque encontramos belíssimas cachoeiras, ótimas para banho, florestas de grandes árvores, que não ocorrem no lado venezuelano do Roraima.

De qualquer forma, para os que desejam estar no topo do monte, a subida só é feita pela Venezuela, partindo da cidade de Santa Helena do Uairen, seguindo para o pequeno povoado de Paraitepui. Este trecho final, de 27 km, que vão do asfalto até o ponto de partida da caminhada, só é feito por veículos com tração nas quatro rodas. Caso você não esteja num veículo apropriado, em Santa Helena há carros que levam e buscam os aventureiros no local de início da caminhada e cobram uma taxa razoável, mas é a única alternativa. Na verdade é bom relaxar, para conhecer esta paisagem de filmes de ficção você terá que desembolsar uma boa grana que inclui alimentação, guias, carregadores, e equipamentos, mas garanto que irá valer cada centavo.

A subida ao topo exige um bom preparo, aventureiros de primeira viagem e que não estão acostumados a longas caminhadas normalmente desistem ou tem problemas musculares. No topo do Roraima há muito que se ver, tudo vai depender do seu tempo lá em cima e também da sua disposição, pois as caminhadas são longas. Para os brasileiros, a visita ao BV-0 ou ponto tríplice é obrigatória e para isto é necessário pelo menos três dias no alto. Outros locais que valem a pena conhecer: as piscinas naturais (conhecidas como “Jacuzzi”), o Vale dos Cristais (lado brasileiro, perto do BV-0) e o fosso. O resto das paisagens são espetaculares, as rochas esculpidas pelo tempo formam figuras de todos os tipos, basta olhar a sua volta e vai notar gatos, carros, pessoas e muito mais. Este é o lado fascinante do Monte Roraima, a cada subida você terá novas descobertas, novas paisagens.

Portanto, se você gosta de pontos isolados, visuais de outro planeta, não deixe de conhecer este lugar mágico, que demorou milhões de anos para se formar e que você só tem 100 anos para conhecer, isto se seu preparo físico estiver bom até lá !!!

Seguindo para o PN do Viruá.

Boa Vista

  
  

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