PN Marinho de Fernando de Noronha - PE

Totalizando 26 km2, incluindo as pequenas ilhotas, o arquipélago é um show de cores dentro e fora d`água.

  
  

É difícil compreender, nos dias de hoje, como este arquipélago paradisíaco passou por domínios de vários povos, que foram abandonando as ilhas até permanecer definitivamente na mão de portugueses. Com certeza os conceitos de paraíso nos meados de 1700 eram outros. O navegador Américo Vespúcio foi o primeiro a desembarcar em Noronha, fato ocorrido em 1503. Depois disto, passou na mão de holandeses, franceses, foi base militar americana e também teve nomes como Quaresma, Pavônia e Ilhas dos Golfinhos e só então, por volta de 1737, o Arquipélago de Fernando de Noronha passou a pertencer a Pernambuco.

A praia do Sancho é considerada por muitos a mais bela do Brasil

A praia do Sancho é considerada por muitos a mais bela do Brasil
Foto: Eduardo Issa

Os vestígios da passagem destes povos estão registrados em vários pontos das ilhas. Na verdade, até o governo de Pernambuco também não deu muito valor ao lugar e construiu um presídio que funcionou até 1942.
Alguns presos ainda tentaram fugir dali construindo jangadas com uma madeira encontrada na ilha, conhecida como mulungu. O que os presos não sabiam é que esta madeira se encharcava na água e em pouco tempo os fugitivos naufragavam e eram recapturados.

A vista do Morro do Pico é a melhor da ilha, mas atualmente a subida está proibida

A vista do Morro do Pico é a melhor da ilha, mas atualmente a subida está proibida
Foto: Eduardo Issa

O fato mais curioso é que o arquipélago foi dado de presente ao português Fernão de Loronha, que nem se quer pisou nas ilhas, a única coisa que ficou deste presente foi o nome do Arquipélago, assim mesmo com as mudanças na escrita. Adiantando um pouco no tempo, em 1972 desce em Noronha um avião militar trazendo os primeiros turistas oficiais. Um grupo de 42 pessoas, assustadas após percorrerem 300 quilômetros entre o céu e o mar, distância entre a costa de Pernambuco e o arquipélago, e aterrissaram naquela pequena pista construída na ilha principal.

O entardecer ao fundo dos Dois Irmãos, cores vibrantes fechando o dia

O entardecer ao fundo dos Dois Irmãos, cores vibrantes fechando o dia
Foto: Eduardo Issa

A partir daí muita coisa mudou e no ano de 1988 foi criado o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, com o objetivo de preservar a integridade deste ambiente tão frágil. No passado, algumas atitudes absurdas causaram danos irreversíveis, uma delas foi à tentativa de introduzir na ilha, espécies exóticas com
finalidades específicas. Um exemplo disto foi à introdução do lagarto teju, para eliminar os ratos trazidos pelos navios. Um erro irônico, pois os tejus têm hábitos diurnos e os ratos só saem durante a noite, resumindo, eles nunca se encontram. Os tejus, que estão por toda ilha, se alimentam de ovos de tartarugas e das aves como atobás, fragatas e outras, causando um grande dano. Há relatos de que alguns tejus foram vistos nadando, cruzando de uma ilha a outra em busca de alimento.

Com a baixa da maré, um verdadeiro aquário se forma na praia da Atalaia

Com a baixa da maré, um verdadeiro aquário se forma na praia da Atalaia
Foto: Eduardo Issa

Atitudes impensadas se potencializam rapidamente em lugares frágeis como Noronha. Algumas formações típicas da ilha também sucumbiram na mão do homem, uma delas é o Pico Frade que ficou sem cabeça após servir de alvo para um tiro de canhão de um militar sem cérebro. Deixando de lado estes problemas o que se tem em Noronha são as paisagens mais belas do Brasil, praias espetaculares que enchem os olhos de qualquer visitante, seja brasileiro, estrangeiro ou até de outro planeta.

O trabalho do TAMAR com as tartarugas de Noronha é um grande aliado a espécie

O trabalho do TAMAR com as tartarugas de Noronha é um grande aliado a espécie
Foto: Eduardo Issa

Totalizando 26 km2, incluindo as pequenas ilhotas, o arquipélago é um show de cores dentro e fora d`água. Em suas águas claras e transparentes as tartarugas e milhares de peixes dividem o espaço com mergulhadores, todos em total harmonia, os únicos disparos que acontecem atualmente são os flashes e as câmeras fotográficas. Estas mesmas águas ainda abrigam os mais nobres moradores da ilha, os simpáticos golfinhos rotadores, que encontram na baía dos Golfinhos o ambiente ideal para procriação e descanso. Todos os dias eles adentram a baía, a partir das 5:30 da manhã e passam o dia em plena atividade, ou seja, saltando, girando e copulando.

Os pesquisadores do Projeto Golfinhos Rotadores monitoram os golfinhos diariamente coletando dados que ajudam a entender melhor o comportamento destes simpáticos freqüentadores da baía. Há registros da entrada de grupos de até 1000 indivíduos na baía e de cima do mirante é possível observar o espetáculo destas criaturas apaixonantes. Percorrer as 17 praias do arquipélago é um presente dos deuses, passar pelas águas verdes da Baía dos Porcos, os Dois Irmãos, rochedos que se transformaram no principal ícone da ilha, um mergulho na praia do Leão, lugar escolhido pelas tartarugas marinhas para a desova. Na Cacimba do Padre os surfistas podem dropar ondas de sonho com uma pintura ao fundo.

Achou pouco, você ainda pode passar o dia na praia do Sancho, considerada por muitos como a mais bela praia do país ou fazer um mergulho com máscara e snorkel nas águas rasas da praia da Atalaia, um verdadeiro aquário onde qualquer pessoa pode sentir e observar um pouco da vida marinha do arquipélago sem muito esforço. A praia da Atalaia já sofre com o excesso de turistas, por este motivo os funcionários do parque estão fazendo um bom trabalho de controle de entrada, onde cada grupo de 25 pessoas permanece por 30 minutos e o total de visitantes diário não pode ultrapassar 100 pessoas. Algumas praias e passeios são melhores com a baixa da maré, procure se informar antes de sair. Algumas áreas do parque como a Ilha Rata, é área de reprodução de atobás e fragatas e não são permitidas para turistas, apenas para pesquisadores e funcionários do parque.

A cada ano, com o aumento do fluxo de turistas, novos lugares terão que ser monitorados, uma determinação necessária e sem volta. Para Marco Aurélio, chefe da unidade, entre as próximas metas do parque está um estudo detalhado de capacidade de carga do arquipélago para adequar a entrada de turistas, de veículos e para abertura de novas pousadas. Atualmente Noronha já sofre
com a falta de água, e a distribuição é racionada. A mais bela vista de todo arquipélago sempre foi a do Morro do Pico, com os seus 325 metros de altura, para isto é preciso enfrentar a temida escada amarela de ferro, que está toda enferrujada, em alguns trechos não há mais escada. Por segurança, a subida ao Pico está proibida e para quem teve a chance de subir um dia, como eu, fica este registro fascinante e esperamos que a escada seja recuperada em breve.

Nas noites de Noronha, o melhor programa é assistir às palestras do projeto TAMAR, que faz um trabalho sério de preservação e conscientização, mostrando aos turistas a importância de cuidar destes ambientes que são vitais para algumas espécies. Por tudo isto Fernando de Noronha é um lugar mágico, as impressões, os mistérios, toda as histórias e lendas envolvem moradores e visitantes, resta apenas saber entender, respeitar e contemplar as mais belas imagens deste ambiente raro, mantendo o equilíbrio para que o paraíso continue intacto.

  
  

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