PN Monte Pascoal - BA

Voltar ao passado e experimentar a sensação que os antigos navegadores portugueses tiveram quando aportaram por estas bandas é o que quase todo visitante sente quando se aproxima desse parque.

  
  

Voltar ao passado e experimentar a sensação que os antigos navegadores portugueses tiveram quando aportaram por estas bandas é o que quase todo visitante sente quando se aproxima desse parque. A cada quilômetro percorrido, o Monte Pascoal vai se tornando mais imponente e começamos a imaginar como foi avistar ao longe a primeira porção de terra de um continente ainda estranho.

A mesma visão da expedição de Cabral 500 anos depois

A mesma visão da expedição de Cabral 500 anos depois
Foto: Eduardo Issa

Já na portaria é possível observar que este parque passa por um momento de transição pelo qual os índios, de etnia Pataxó, praticamente ocuparam todos os limites da unidade, reivindicando a propriedade destas terras outrora ocupadas por seus antepassados. Há um processo tramitando em Brasília que, segundo a diretora da unidade, possivelmente dará a posse desta área aos índios, perdendo assim o título de Parque Nacional, por sinal um dos mais antigos do Brasil, criado em 1961.

A unidade é habitada pelos Pataxós

A unidade é habitada pelos Pataxós
Foto: Eduardo Issa

São cerca de 13 aldeias no interior do parque, algumas com luz elétrica, outras com geradores e também algumas às escuras. A maior delas, a Aldeia de Barra Velha, conta com uma boa estrutura, com escola, computadores, área de lazer e outras facilidades. Atualmente, o Ibama estabeleceu uma parceria com os índios, que tem trazido benefícios à unidade como o combate à incêndios, executado por uma equipe PrevFogo formada somente por índios. Acompanhei um destes combates, registrei as imagens e, após algumas horas no meio de um imenso fogaréu, fiquei cinza, com toda a roupa e equipamentos cheios de fuligem e constatei na pele este árduo trabalho que é realizado em quase todos os parques do Brasil.

Artesanato indígena

Artesanato indígena
Foto: Eduardo Issa

Por um outro lado, a exploração exagerada e sem controle de madeira-de-lei retirada pelos índios para a confecção de artesanato deve ser revista para que não causem um dano irreversível nesta região. O artesanato é a única fonte de renda e garante a sobrevivência de muitos índios que vivem nas aldeias, portanto, são necessárias providências para garantir a sustentabilidade e a preservação destes ecossistemas encontrados na época do descobrimento.

O imenso Jacarandá típico da região

O imenso Jacarandá típico da região
Foto: Eduardo Issa

Os atrativos do parque se concentram, basicamente, nos arredores da portaria, onde o visitante tem acesso permitido. É obrigatório fazer a subida ao Monte Pascoal, é claro que um condicionamento físico mínimo é necessário, pois o trecho final é íngreme e exige bastante. Já no topo, são muitos os pontos de observação, com vistas para o mar, para os montes vizinhos, mata densa, visões estupendas que irão valer cada metro subido. Com um pouco de sorte você poderá ver o formoso ballet aéreo dos urubus-rei, que circundam o monte em busca de térmicas, proporcionando um belo espetáculo nas alturas.

Beleza histórica e natural

Beleza histórica e natural
Foto: Eduardo Issa

De volta à base do monte, caminhando por trilhas no meio da mata fechada, acompanhado de um índio guia, você pode até avistar algum animal típico desta região, mas será muito raro pois, com a ação dos caçadores e mesmo dos índios que sobreviviam destas matas, os bichos são ariscos e muito escassos. Há registros de diversas espécies da fauna local mas, particularmente, mesmo andando em horários diferentes, não observei nenhuma delas. O que será fácil de ver são as enormes árvores de grande porte como o jequitibá, o jacarandá da Bahia, o pequi, o paraju e a joerana, as árvores menores estão por toda a parte.

O centro de visitantes, apesar de estar um pouco abandonado, vale uma passada, ele se localiza bem aos pés do monte e alguns índios mostram seu trabalho por ali. Conhecendo a unidade um pouco mais a fundo, pude constatar uma triste realidade, alguns índios vivem em situação de miséria e outros com problemas de alcoolismo. Esperamos que a FUNAI e a FUNASA sejam mais atuantes nesta região e procurem auxiliar estas pessoas para uma melhor qualidade de vida, propiciando segurança alimentar e alternativas de renda para estas comunidades.

O acesso à unidade é feito pela BR-101, após percorrer 76 km vindo da cidade de Eunápolis, ou 16 km partindo de Itamaraju. No pequeno trevo, pegue à direita e percorra mais 14 km de asfalto até a portaria. Mesmo que o Monte Pascoal deixe de ser um Parque Nacional administrado pelo IBAMA, esperamos que os índios que vivem na região sejam conscientes para a fragilidade destes ecossistemas inseridos nos últimos trechos de Mata Atlântica do sul da Bahia, e promovam a recuperação e a preservação desta área, não só por sua importância histórica, mas também para garantir o futuro e o sustento das gerações futuras.

Partindo para o PN do Pau-Brasil

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