PN Nascentes do Parnaíba - PI

O parque foi criado em julho de 2002, preserva uma área de 729.813 hectares e está localizado no divisor das bacias hidrográficas dos rios São Francisco, Tocantins e Parnaíba.

  
  

Depois de percorrer os parques da Amazônia, as unidades com acesso mais complicado, chegar no interior do Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba, no sul do Piauí, também foi uma tarefa complicada. O parque foi criado em julho de 2002, preserva uma área de 729.813 hectares e está localizado no divisor das bacias hidrográficas dos rios São Francisco, Tocantins e Parnaíba. Falando neste último, o Parnaíba é considerado o maior rio do Nordeste, levando em conta que ele nasce e deságua na região. Outros rios são maiores em extensão, como o `Velho Chico` (rio São Francisco) mas nasce na região Sudeste e só depois chega ao Nordeste. O rio Parnaíba é de vital importância para o Piauí, além de abastecer todo o estado é também o divisor natural que separa de norte a sul o Maranhão do Piauí.

As grandes Chapadas, com a chuva, trazem os agrotõxicos utilizados nas plantações de soja e contaminam as nascentes

As grandes Chapadas, com a chuva, trazem os agrotõxicos utilizados nas plantações de soja e contaminam as nascentes
Foto: Eduardo Issa

A demarcação dos limites do parque além de passar por quatro Estados, Piauí (35,8%), Maranhão (46,2%), Tocantins (14,6%) e Bahia (3,4%) e ainda sofre os efeitos colaterais gerados pela criação do Estado do Tocantins, que invadiu os limites dos outros três Estados, e atualmente se encontra em litígio na justiça. A sede do parque está funcionando provisoriamente no município de Corrente mas o acesso é feito normalmente por Gilbués, São Gonçalo do Gurguéia e Barreiras do Piauí. Outros municípios também têm áreas dentro do parque, Alto Parnaíba no Maranhão, Formosa do Rio Preto na Bahia, São Felix, Mateiros e Lizarda, no Tocantins.

Cruzando o interior do parque, passamos por esta espécie de jardim de árvores caídas e retorcidas

Cruzando o interior do parque, passamos por esta espécie de jardim de árvores caídas e retorcidas
Foto: Eduardo Issa

O parque apresenta uma das maiores extensões do bioma Cerrado ainda em excelente estado de conservação na região e os rios estão protegidos por matas estacionais e ciliares. O relevo marcado por grandes chapadas de arenito apresenta alta fragilidade e sofrem a ação do intemperismo criando esculturas naturais. As veredas com buritis fornecem sombra e alimento para muitas espécies e também dá um charme à paisagem.

A nascente do Parnaíba brota tímida para depois cruzar todo o Estado do Piauí e se transformar num grande Delta

A nascente do Parnaíba brota tímida para depois cruzar todo o Estado do Piauí e se transformar num grande Delta
Foto: Eduardo Issa

Os solos nestas chapadas são profundos e de baixa fertilidade natural e nos declives das vertentes apresentam-se arenosos rasos e pobres, com a presença de afloramentos rochosos e com alta permeabilidade. Devido a esta grande permeabilidade a chapada é formadora de um grande número de nascentes que irão compor três dos principais rios brasileiros.

Gaviões, seriemas, periquitos e araras, aves típicas do Cerrado, são vistas com facilidade

Gaviões, seriemas, periquitos e araras, aves típicas do Cerrado, são vistas com facilidade
Foto: Eduardo Issa

O grande atrativo do parque atualmente é chegar na nascente do rio Parnaíba, localizado no interior da unidade, entranhado por entre veredas e penhascos. As dificuldades já começam nas estradas, os acessos à unidade ainda são precários, estão em péssimas condições e exigem muito do veículo e também experiência do motorista não só para conduzir como também para desvendar onde estão os caminhos que cortam o parque. Em alguns locais, só mateiros e trabalhadores da região sabem onde andar e qualquer descuido pode custar caro. Numa das passagens cruzando rios, quando chegamos, apenas um tronco de uma ponte formada por quatro ainda estava no lugar, os outros três foram arrastados pela última enxurrada e jogados para dentro do rio. Tivemos que entrar no rio e com um tremendo esforço de seis pessoas conseguimos trazer um destes troncos muito pesados para o lugar e assim, cuidadosamente cruzar o rio com apenas um apoio de cada lado dos pneus, uma empreitada arriscada e perigosa. Seguimos passando por grandes veredas, algumas já alagadas pelas chuvas, e cruzando mais alguns rios e trechos com lama também. Percorrendo as estradas, gaviões, seriemas e muitas aves já dão sinal que estamos no cerrado. Os grandes paredões emolduram a estrada e seguem por quilômetros ao lado da paisagem de árvores contorcidas e verde intenso.

No interior do parque, as veredas dão abrigo a curicacas e patos selvagens

No interior do parque, as veredas dão abrigo a curicacas e patos selvagens
Foto: Eduardo Issa

Chegamos ao local de acampamento, uma estrutura de madeira coberta com palha de buriti, normalmente utilizada por condutores de gado das fazendas existentes na área. Dormimos e no dia seguinte partimos de carro por alguns quilômetros e depois seguimos caminhando. Entre árvores de pequeno e médio porte a trilha vai adentrando pela floresta levando ao pé dos grandes rochedos onde está uma pequena mata. Na trilha fechada pela vegetação já é possível perceber porque esta área é tão importante para o Piauí, várias outras nascentes também brotam nesta área e seguem seu curso. Uma das belas quedas encontradas no parque, a Cachoeira do Pintado tem cerca de 5 metros e é proveniente da nascente do rio de mesmo nome. Na verdade, água e cachoeira não faltam por ali, numa delas a água surge no meio de uma parede rochosa, vinda de um fluxo subterrâneo, surpresas da natureza.

Depois de várias investidas na mata e de observar vários olhos d`água encontramos a verdadeira nascente do rio Parnaíba, um pequeno e tímido poço de fundo cor de ferrugem e águas límpidas. Curioso é passar do Piauí para o Maranhão em apenas um passo, ou seja, atravessar de um lado para o outro do pequeno curso do rio.

Ao lado deste berçário de águas cristalinas um grande tormento assombra o parque, são as plantações de soja que estão invadindo o platô da Serra da Tabatinga e ameaçam as nascentes, pois com as chuvas canalizam e escorrem pelas paredes da rocha, despejando as águas repletas de defensivos agrícolas diretamente no local das nascentes, que estão logo abaixo dos paredões. Para Lustosa, chefe da unidade, ações de fiscalização vêm sendo realizadas nas áreas de plantio de soja, visando coibir e orientar os produtores para a gravidade do problema. Lustosa ainda conclui que a vinda de recursos de uma compensação ambiental irá auxiliar nas atividades de estruturação do parque.

A formulação de um plano de manejo deverá adequar o funcionamento da unidade, como a construção da sede e de trilhas, a colocação de placas informativas, contratação e treinamento de guias, entre outras medidas de extrema importância para o funcionamento de um Parque Nacional. Esperamos que em breve estas melhorias sejam implantadas e assim as nascentes de tantos rios possam contar com uma proteção efetiva.

Seguindo para o PN do Araguaia - Tocantins

  
  

Publicado por em

Natália Lima

Natália Lima

01/10/2008 18:43:38
Oi...
Nossa,essa pesquisa ficou muuuuuuuuuuuuuuuuuuuito boa mesmo!!!
PARABÉNS!!!

Eduardo Issa

Eduardo Issa

Oi Natália Apareça para conhecer as maravilhas dessa região da Serra da Mantiqueira! Obrigada, Naiana.