PN Pontões Capixabas - ES

O pequeno e notável município de Pancas, situado no noroeste do Espírito Santo, vive um momento delicado em relação à criação do Parque Nacional Pontões Capixabas.

  
  

O pequeno e notável município de Pancas, situado no noroeste do Espírito Santo, vive um momento delicado em relação à criação do Parque Nacional Pontões Capixabas. O município, que tem uma área territorial de 819,60 km2 e uma população de cerca de 20 mil habitantes, está um pouco assustado com a lei que determinou a criação desta nova unidade de conservação. Durante a minha passagem pelas áreas do parque, tentando registrar imagens, sofri ameaças, fui hostilizado em algumas regiões e até fui obrigado a me retirar de algumas propriedades antes que alguma coisa mais séria pudesse ocorrer.

Motorhome na

Motorhome na "Agulha"
Foto: Eduardo Issa

Não foi muito difícil descobrir o motivo desta insatisfação de alguns habitantes, o que ocorre é que as áreas que foram demarcadas como pertencentes aos limites do parque são pequenas propriedades, que vêm sendo passadas por várias gerações. Estas áreas sempre garantiram o sustento destas famílias, através do plantio de café, milho, cacau e outras culturas. A grande maioria da população ainda é descendente de pomeranos, que sobrevivem de suas terras, com diversificação agrícola, conservando o dialeto e os costumes daquela nação riscada do mapa europeu.

Menina Pomerana

Menina Pomerana
Foto: Eduardo Issa

A influência pomerana é tão marcante que há negros em Lajinha, distrito de Pancas, que ainda falam o dialeto alemão. Que a região deve ser preservada não resta a menor dúvida, pois nascentes de rios, enormes rochedos de granito e florestas repletas de madeiras nobres e animais selvagens constituem este cenário colossal. Esperamos que uma decisão coerente seja tomada pelos responsáveis para que não prejudique estas famílias, e que estas se tornem parceiras na preservação deste tesouro capixaba.

Pedra do Camelo

Pedra do Camelo
Foto: Eduardo Issa

Lendo alguns livros na prefeitura da cidade, encontrei uma boa definição dada por um poeta desconhecido: “na criação do mundo, rochas incandescentes se arrepiaram dando assim origem à cidade de Pancas”. A origem do nome Pancas tem várias versões, a mais plausível é indígena, que significa “terra onde a raiz não penetra”, pela grande concentração de placas de granito no solo.

Lajinha

Lajinha
Foto: Eduardo Issa

Na chegada do município, em apenas alguns quilômetros o visitante já vai perceber que este não é um lugar comum. A entrada deste vale majestoso coloca em cheque conceitos de grandeza, pois a Pedra do Camelo, uma cadeia de cinco pedras, chega a 720 metros de altitude e tornou-se um dos símbolos da cidade. Outra formação que, apesar de não estar dentro dos limites do parque, também desponta na região, é a Pedra da Agulha que, com seus 500 metros de altitude, vem sendo procurada por alpinistas brasileiros e estrangeiros.

Vista da Rampa

Vista da Rampa
Foto: Eduardo Issa

Na verdade, são milhares de rochas, por todos os lados, formando um espetáculo de formas e tamanhos, que pode ser comparado ao Yosemite, o primeiro parque dos Estados Unidos, localizado no estado da Califórnia, famoso também por seus imensos paredões rochosos. A paisagem exuberante aliada a ventos freqüentes que circulam pelo vale, tem atraído uma legião de pilotos do Brasil e de outros países, que decolam com seus pára-pentes, pára-quedas e asas delta em busca das térmicas que propiciam uma visão incomparável.

Para os que gostam de estar com os pés no chão, muitas trilhas para trekking, mountainbike ou somente apreciar os paredões mudando de cor com a incidência da luz. Por uma estrada estreita, mas segura, próxima da cidade, você chega mais perto do céu, é a rampa de decolagem de Pancas. A visão é extraordinária, a cidade cravada meio ao imenso vale, cercada por gigantescos paredões de granito, é aqui que se tem a certeza de que está diante dos legítimos “Pontões Capixabas”.

Seguindo para o PN Chapada dos Guimarães

  
  

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