Descobrindo a nossa história - Tavessia do Atlântico

Amanhã chegaremos as ilhas Canárias, um dos quatro arquipélagos na costa norte africana.

  
  

Amanhã chegaremos as ilhas Canárias, um dos quatro arquipélagos na costa norte africana. São eles: Canárias, Açores, Madeira e Cabo Verde. Por este último passamos ontem a noite, sem paradas. Estas ilhas, representavam para Portugal (e Espanha) as últimas paradas antes dos navegadores lançarem suas caravelas para o mar tenebroso, o oceano Atlântico, o mais temido dos oceanos. Este último pedaço de terra natal era uma despedida importante para estes heróis dos mar. Muitos deles, quase um terço, não voltariam para ver terra novamente e encontrariam seu descanso no fundo do mar.
Devido a precariedade de instrumentos, muitos acidentes, lutas com inimigos, má alimentação e doenças, era muito comum morrer durante as viagens transoceânicas nos séculos XV, XVI e XVII. Tanto que muito marinheiros recebiam seus salários adiantados, para que sua família pudesse fazer frente às necessidades no caso de morte.

Fazendo esta travessia, mesmo que em um grande navio com este, pude ter uma idéia do que é viajar em mar aberto. É água para todo o lado (e quando chove mais ainda). Viajamos 6 mil quilômetros de mar, sem ver uma terrinha sequer. Nadinha de nada.
Pegamos ondas de até 4 metros e também dias de calmaria. Imagine então como era a viagem de nossos descobridores e colonizadores. Naquela época, a travessia era feita em Caravelas e Naus, barcos com cerca de 30 metros de comprimento, feitos em madeira e impulsionados a vela. Se tinha vento andava, se não tinha... Neste espaço vivia uma tripulação que variava entre 40 a 60 pessoas, distribuídos entre: marinheiros, oficiais, soldados, padres e degredados. Este número variava de acordo com a duração da viagem e missão. A higiene a bordo era precária (como o costume da época) e a alimentação pobre em vitamina, o que causava doenças como o Escorbuto, por exemplo.

A travessia de Portugal e Brasil demorava cerca de 30 dias. Às vezes mais, as vezes menos. Isto quando era completada. Uma das caravelas de Cabral afundou logo depois de deixar a África, mais ou menos onde estamos passando agora. Na verdade assumimos que ela afundou pois, depois de uma tempestade nunca mais se ouviu falar dela. Depois de atravessar o oceano, a viagem poderia durar de 6 a 18 meses, No caso de Cabral, depois de tomar posse do Brasil, ele ainda foi para Calicute na Índia, fundar feitorias e brigar contra o Samorim de lá. Ficou quase dois anos no mar e perdeu dois terços de sua frota (e homens).

O nosso próximo destino, as Ilhas Canárias, foi o ponto de parada usado por Cristovam Colombo em algumas de suas viagens a América. Afinal, ela pertence a Espanha.
Por estas ilhas passaram também grandes navegantes e gente que fez história, como Américo Vespúcio, o homem que acabou, com seu nome, batizando nosso continente.

Bom, chega de história (por hoje). Vamos nos preparar para o desembarque amanhã. Estamos a seis dias do mar e já loucos por terra. Amanha cedo vou para frente do navio e quando ver uma pontinha da ilha, vou gritar bem alto: Terra a vista!

Você poderá acompanhar nossa aventura aqui ou em www.familiagold.com.br

Peter Goldschmidt
Membro da Família Goldschmidt.
Aventureiro, palestrante e Consultor de turismo da Gold Trip www.goldtrip.com.br

  • Este diário faz parte de um relato sobre a viagem de travessia de Santos a Lisboa no navio Vision of the Seas em Abril de 2010.
  • Fotos Família Goldschmidt e Eduardo Bovo Junior
Personagens da nossa história
Naus
Mastro
Naus - Caravela portuguesa
Família Goldschmidt
  
  

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