Deserto do Atacama - Gente

Estávamos numa poeirenta estrada de terra em nosso caminho para as termas de Puritama, quando cruzamos com uma nativa do deserto de Atacama. Ela aceitou nossa carona e seguiu conosco os 25 quilômetros seguintes. Quando chegamos ao vale de Puritama, corta

  
  

Estávamos numa poeirenta estrada de terra em nosso caminho para as termas de Puritama, quando cruzamos com uma nativa do deserto de Atacama. Ela aceitou nossa carona e seguiu conosco os 25 quilômetros seguintes. Quando chegamos ao vale de Puritama, cortado por um rio quente, a mais de 3 mil metros de altura, ela desceu da pick up, nos agradeceu e seguiu em direção a um paredão de pedras com 50 metros de altura, quase vertical. Foi espantoso! Em apenas 20 minutos, aquela mulher com cerca de 50 anos, pele curtida pelo sol e carregando uma sacola de compras subiu a escarpa e desapareceu no altiplano. Seu destino? Uma vila a 10 quilômetros de distância. Esta foi sem dúvida o mais fascinante contato que tivemos com este povo simples, porém fantástico que são os Atacameños. Sua origem se perdeu no tempo. Há ruínas, como a da cidade de Tulor, datadas de até 1.000 a.c.. O povo original era chamado Lincan Ankai, que quer dizer “povo da terra” na língua Kunsa. Esta língua também quase desapareceu, sobraram apenas palavras isoladas e nome de lugares. A influencia dos povos Inca e Tiwanaku foi grande e junto com a colonização espanhola ajudou a formar a identidade do Atacameño moderno. Eles ainda vivem em pequenas vilas e sobrevivem baseados na cultura irrigada e na criação de ovinos. Sua religiosidade e grande, misturando ritos católicos a antigas cerimônias a Pacha mama, a mãe terra. Sua maior luta é resistir a chegada do turismo descontrolado e a invasão de suas vilas por estrangeiros oportunistas. Apesar de viverem em uma terra rica em minérios, o povo é pobre, porém forte e corajoso como nos provou aquela nativa que encontramos em Puritama.

Mulher atacameña

Mulher atacameña

Nativa do Atacama

Nativa do Atacama

Tear tradicional

Tear tradicional

Ruínas da cidade de Tulor (1.000 a.c.)

Ruínas da cidade de Tulor (1.000 a.c.)

A seta indica a mulher subindo o paredão de pedra

A seta indica a mulher subindo o paredão de pedra

  
  

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