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Os sete lagos binacionais

Hoje saímos de San Martin de Los Andes, seguindo para o interior da cordilheira.

1 de Outubro de 2009. Publicado por Família Goldschmidt  

Lago Lacar

Lago Lacar - Foto: Família Goldschmidt

Preciso começar esclarecendo um assunto. Existem duas rotas dos Sete lagos. A primeira dela é na Argentina e compreende a estrada que liga Vila La Angostura a San Martin de los Andes. A segunda rota pode ser chamada de binacional, pois começa na Argentina e termina na costa chilena. Normalmente a fronteira entre Chile e Argentina é determinada pelo divisor de águas, ou seja, os lagos e rios que descem em direção ao oceano Pacífico pertencem ao Chile enquanto os que correm para o Atlântico pertencem a Argentina. No caso do lago Lacar, em San Martin de los Andes acontece uma exceção. Este lago é formado no lado Argentino, mas suas águas correm para Oeste através da Cordilheira dos Andes. Aqui começa a rota internacional dos 7 lagos. As águas atravessam pela passagem de Hua Hum que tem apenas 650 metros de altitude e formam o lago Pirehueico. Este por sua vez forma o rio Fuy e outros 5 lagos: Neltume, Calafquen, Pellaifa, Panguipulli e Riñihue. Finalmente, depois de tanto viajar, as águas formam o rio Calle Calle, que desce a planície costeira até o Pacífico, próximo a cidade de Valdívia onde terminaremos esta expedição.

A nossa curta estada em San Martin nos causou boa impressão, pois encontramos uma cidade linda, organizada e com ótimas opções de turismo. No inverno, o Cerro Chapelco é uma excelente estação de esqui. Durante o verão, apesar de não haver neve é possível praticar esportes de aventura como caminhada, bike, escalada, cavalgada além de esportes aquáticos no lago em frente a cidade.

Hoje saímos de San Martin de Los Andes, seguindo para o interior da cordilheira. Acompanhamos o contorno do lago Lacar até a passagem de Hua Hum, que devido a sua pouca altitude está aberta durante todo o ano. Depois dos trâmites rotineiros, seguimos mais alguns quilômetros por território chileno até as margens do lago Pirihueico (“lugar de águas e neve”, na língua Mapuche). Embarcamos então em uma balsa que nos levou durante 90 minutos através das águas calmas do lago até Puerto Fuy, do outro lado da cordilheira. Foi uma viagem tranqüila, contemplativa, tendo com paisagem enormes montanhas, bosques de lengas e coyhues, picos nevados e glaciares. No barco havia uma cabine protegida do frio, mas decidimos viajar do lado de fora, sentido o ar puro e rarefeito dos Andes. Durante todo o percurso os auto-falantes do barco tocaram uma seleção suave de músicas que variaram desde Beethoven até clássicos do cinema.

Quase chegando ao Porto fomos surpreendidos pela visão do gigantesco vulcão Mocho-Choshuenco com 2.415 metros de altura. Resolvemos ver como era a vista lá de cima. Com o apoio do pessoal do hotel Huillo-huillo, subimos em um 4x4 até a nova estação de esqui que está a 1.200 metros de altura. De lá tivemos uma visão privilegiada dos vulcões Lanin (3.747m), do Quetrupillan (2.009m) e do Villarica (2.840m), além de várias outras montanhas da cordilheira dos Andes. Devido a pouca neve que caiu nesta temporada, a estação já estava fechada, mas mesmo assim o Erick e eu aproveitamos para descer alguns trechos sentados em tubs, ou seja, um tipo de bóia reforçada. Um barato!

Na mesma região aproveitamos e fomos visitar o maravilhoso salto de Huillo-Huillo, um lugar onde estivemos em uma viagem particular há 12 anos atrás. É um salto impressionante por várias razões. Primeiro pela sua formação, pois as águas do rio Fuy foram represadas por uma erupção do vulcão Choshuenco. O rio então literalmente escavou um estreito canal através da rocha porosa e com grande pressão formou esta maravilhosa cachoeira. Outro diferencial é a cor da água que tem origem glaciar. Não estou certo se é verde-azulada ou azul-esverdeada. O que posso garantir é que é lindo demais.

De Huillo-huillo seguimos por uma estrada sinuosa pelas margens do lago Panguipulli, sempre com vulcões e montanhas compondo nossa paisagem. Depois de algumas horas chegamos a vila de Coñaripe, onde visitamos uma corrida de lava produzida pelo vulcão Villarica em 1971. A própria cidade foi totalmente destruída em 1964 por uma outra erupção que produziu uma avalanche de água, pedras e gelo. Naquela catástrofe morreram 22 pessoas.

Mas vulcões como o Villarica não produzem somente tragédias, mas disso eu falo amanhã quando chegarmos a nosso próximo destino, a cidade de Pucon.

Peter e Erick Goldschmidt

Para saber mais sobre a Expedição Lagos Andinos e ler outros diários de bordo, visite o site da Família Goldschmidt – www.familiagold.com.br

Corrida de lava em Coñaripe

Corrida de lava em Coñaripe
Foto: Família Goldschmidt

Salto de Huillo-Hiullo

Salto de Huillo-Hiullo
Foto: Família Goldschmidt

Balsa do lago Pirihueico

Balsa do lago Pirihueico
Foto: Família Goldschmidt

Escrevendo e Estudando

Escrevendo e Estudando
Foto: Família Goldschmidt

Na Fronteira

Na Fronteira
Foto: Família Goldschmidt

Rio Fuy

Rio Fuy
Foto: Família Goldschmidt

Rumo a Puerto Fuy

Rumo a Puerto Fuy
Foto: Família Goldschmidt

San Martin de Los Andes

San Martin de Los Andes
Foto: Família Goldschmidt

Tubbing no vulcão Choshuenco

Tubbing no vulcão Choshuenco
Foto: Família Goldschmidt

Vulcão Choshuenco

Vulcão Choshuenco
Foto: Família Goldschmidt

Vulcão Lanin

Vulcão Lanin
Foto: Família Goldschmidt

Vulcão Villarica

Vulcão Villarica
Foto: Família Goldschmidt

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