Os sete lagos binacionais

Hoje saímos de San Martin de Los Andes, seguindo para o interior da cordilheira.

  
  
Lago Lacar

Preciso começar esclarecendo um assunto. Existem duas rotas dos Sete lagos. A primeira dela é na Argentina e compreende a estrada que liga Vila La Angostura a San Martin de los Andes. A segunda rota pode ser chamada de binacional, pois começa na Argentina e termina na costa chilena. Normalmente a fronteira entre Chile e Argentina é determinada pelo divisor de águas, ou seja, os lagos e rios que descem em direção ao oceano Pacífico pertencem ao Chile enquanto os que correm para o Atlântico pertencem a Argentina. No caso do lago Lacar, em San Martin de los Andes acontece uma exceção. Este lago é formado no lado Argentino, mas suas águas correm para Oeste através da Cordilheira dos Andes. Aqui começa a rota internacional dos 7 lagos. As águas atravessam pela passagem de Hua Hum que tem apenas 650 metros de altitude e formam o lago Pirehueico. Este por sua vez forma o rio Fuy e outros 5 lagos: Neltume, Calafquen, Pellaifa, Panguipulli e Riñihue. Finalmente, depois de tanto viajar, as águas formam o rio Calle Calle, que desce a planície costeira até o Pacífico, próximo a cidade de Valdívia onde terminaremos esta expedição.

A nossa curta estada em San Martin nos causou boa impressão, pois encontramos uma cidade linda, organizada e com ótimas opções de turismo. No inverno, o Cerro Chapelco é uma excelente estação de esqui. Durante o verão, apesar de não haver neve é possível praticar esportes de aventura como caminhada, bike, escalada, cavalgada além de esportes aquáticos no lago em frente a cidade.

Hoje saímos de San Martin de Los Andes, seguindo para o interior da cordilheira. Acompanhamos o contorno do lago Lacar até a passagem de Hua Hum, que devido a sua pouca altitude está aberta durante todo o ano. Depois dos trâmites rotineiros, seguimos mais alguns quilômetros por território chileno até as margens do lago Pirihueico (“lugar de águas e neve”, na língua Mapuche). Embarcamos então em uma balsa que nos levou durante 90 minutos através das águas calmas do lago até Puerto Fuy, do outro lado da cordilheira. Foi uma viagem tranqüila, contemplativa, tendo com paisagem enormes montanhas, bosques de lengas e coyhues, picos nevados e glaciares. No barco havia uma cabine protegida do frio, mas decidimos viajar do lado de fora, sentido o ar puro e rarefeito dos Andes. Durante todo o percurso os auto-falantes do barco tocaram uma seleção suave de músicas que variaram desde Beethoven até clássicos do cinema.

Quase chegando ao Porto fomos surpreendidos pela visão do gigantesco vulcão Mocho-Choshuenco com 2.415 metros de altura. Resolvemos ver como era a vista lá de cima. Com o apoio do pessoal do hotel Huillo-huillo, subimos em um 4x4 até a nova estação de esqui que está a 1.200 metros de altura. De lá tivemos uma visão privilegiada dos vulcões Lanin (3.747m), do Quetrupillan (2.009m) e do Villarica (2.840m), além de várias outras montanhas da cordilheira dos Andes. Devido a pouca neve que caiu nesta temporada, a estação já estava fechada, mas mesmo assim o Erick e eu aproveitamos para descer alguns trechos sentados em tubs, ou seja, um tipo de bóia reforçada. Um barato!

Na mesma região aproveitamos e fomos visitar o maravilhoso salto de Huillo-Huillo, um lugar onde estivemos em uma viagem particular há 12 anos atrás. É um salto impressionante por várias razões. Primeiro pela sua formação, pois as águas do rio Fuy foram represadas por uma erupção do vulcão Choshuenco. O rio então literalmente escavou um estreito canal através da rocha porosa e com grande pressão formou esta maravilhosa cachoeira. Outro diferencial é a cor da água que tem origem glaciar. Não estou certo se é verde-azulada ou azul-esverdeada. O que posso garantir é que é lindo demais.

De Huillo-huillo seguimos por uma estrada sinuosa pelas margens do lago Panguipulli, sempre com vulcões e montanhas compondo nossa paisagem. Depois de algumas horas chegamos a vila de Coñaripe, onde visitamos uma corrida de lava produzida pelo vulcão Villarica em 1971. A própria cidade foi totalmente destruída em 1964 por uma outra erupção que produziu uma avalanche de água, pedras e gelo. Naquela catástrofe morreram 22 pessoas.

Mas vulcões como o Villarica não produzem somente tragédias, mas disso eu falo amanhã quando chegarmos a nosso próximo destino, a cidade de Pucon.

Peter e Erick Goldschmidt

Para saber mais sobre a Expedição Lagos Andinos e ler outros diários de bordo, visite o site da Família Goldschmidt – www.familiagold.com.br

Corrida de lava em Coñaripe
Salto de Huillo-Hiullo
Balsa do lago Pirihueico
Escrevendo e Estudando
Na Fronteira
Rio Fuy
Rumo a Puerto Fuy
San Martin de Los Andes
Tubbing no vulcão Choshuenco
Vulcão Choshuenco
Vulcão Lanin
Vulcão Villarica
  
  

Publicado por em

Vinicius de Almeida

Vinicius de Almeida

06/06/2010 12:21:38
Escelente. Apenas acho que falta um mapinha para situar melhor as paragens onde estiveram. A exemplo das fotos um mapinha ajuda bastante. Parabens.