VIAJE COMIGO 30 | PERU – Ica e Paracas

Nossa expedição pelo Peru agora segue em direção ao deserto que cobre o sul do país.

  
  

Neste trecho da viagem visitaremos a cidade-oásis de ica, suas vinícolas e a reserva de Paracas junto com as ilhas Ballestas. Preparado?
Então acompanhe abaixo os melhores momentos do nosso diário de bordo.

Ica

Hoje saímos cedo, mais uma vez atravessando o deserto, em direção a Ica, localizada uns 300 km o sul de Lima. Na verdade toda a costa peruana é um grande deserto com 2.700 km de extensão. Este deserto é cortado por 55 rios que formam grandes vales por onde passam. E como “onde há água há vida”, estes vales estão repletos de cidades e plantações de todos os tipos de frutas, verduras e legumes.
Ica está em um destes vales, habitado há quase 2 mil anos (pela cultura Paracas). Hoje, esta cidade cercada de dunas é reconhecida como produtora dos melhores vinhos peruanos. São mais de 80 vinícolas artesanais e 3 industriais. A mais conhecida delas é a Tacama. Usando técnicas de irrigação e água do subsolo, os peruanos transformaram areia em vinhos conhecidos em todo o mundo.

Aqui também é produzida a bebida nacional peruana, o Pisco, feito a partir da fermentação da uva. Visitamos a vinícola El Catador, considerada uma das melhores da região. Conhecemos todo o processo de fabricação, incluindo o lagar onde as uvas são pisadas, a prensa, os tanques de fermentação e de destilação. Apesar de não beber nada de álcool, achei o processo interessante. O nome Pisco vem de uma palavra Quéchua que quer dizer ave. Pisco também é o nome das jarras de cerâmica, de formato cônico onde a bebida era armazenada para a fermentação. Daí, por associação, surgiu o nome desta aguardente.
No caminho a Ica fizemos uma parada na cidade de El Carmen, a convite de nosso amigo César, da Fiesta Tour. Esta cidade é conhecida por ter a maior população negra do Peru. Apesar de ter sido colonizada por espanhóis, foram os portugueses que trouxeram para a região os primeiros escravos, vindo de Angola para trabalhar nas fazendas de algodão. Nesta cidade a cultura africana é preservada com orgulho. As danças e as músicas adaptadas à cultura peruana estão sempre presentes. Nas ruas e praças os meninos fazem exibições de sapateado (mesmo descalços) para os turistas. Foi em El Carmen que conhecemos a Família Ballumbrosio, cujo patriarca o Sr. Amador é considerado um ícone da cultura negra no país. Seus filhos e netos viajam o mundo difundindo as músicas e danças afro-peruanas. Um deles fez uma apresentação especial em sua casa com instrumentos típicos como a queixada de burro e o “Cajon”, uma caixa madeira oca usada como instrumento de percussão.

Paracas
Dormimos no oásis de Huacachina em Ica e saímos bem cedo em direção a Paracas (50 km), a mais importante reserva marinha do Peru. Embarcamos em uma lancha para conhecer as ilhas Ballestas, um santuário da vida selvagem. No caminho, fizemos uma parada para conhecer o “Candelabro”, um gigantesco desenho de 70 metros de altura feito na encosta de uma montanha. Ninguém sabe quem o fez, nem porque, só sabem que esta lá a mais de 500 anos. Por causa da terra calcinada, a ausência de chuva e da direção do vento a figura que parece um cactus, continua lá e serve como referência e guia para os pescadores da região.
Seguimos mais 15 minutos no barco até uma das Ilhas Ballestas, que como disse é uma reserva marinha. Ali, milhares, isto mesmo, milhares de aves se reúnem para se acasalar e criar seus filhotes. Nunca havia visto tantas aves juntas. Em alguns lugares não se via nem o chão, apenas uma massa negra que se movia de um lado para o outro. No céu, bandos e bandos de aves voam em todas as direções. Algumas em formações em V, outras de modo aleatório. Pelicanos, gaivotas, cormoranes, enfim, um grande número de espécies dividindo os mesmos rochedos. A ilha é formada por um basalto vermelho e coberta por uma capa branca de excrementos de aves. Este, chamado de Guano, é um dos fertilizantes mais eficazes do mundo e também um dos mais caros. São tantas aves (e tantos excrementos) que o Guano já foi, no passado, um dos principais produtos de exportação do país. Hoje as ilhas são protegidas e o governo só retira o Guano a cada 10 anos para evitar estresse nas aves. Além das aves, as ilhas Ballestas, também são o lar de uma grande colônia de leões marinhos e pingüins de Humboldt. Estes pingüins, menores do que os pingüins de Magalhães, só conseguem viver nesta latitude devido à corrente de Humboldt, uma corrente fria que vem desde a Antártida, seguindo a costa oeste da América do Sul. Esta corrente é rica em fito plâncton, nutriente capaz de atrair grandes cardumes de peixes. Estes peixes, por sua vez, atraem as aves, os lobos e os pingüins. Terminado esta cadeia (de atração), estes animais nos atraem a nós, os turistas, prontos para registrar com nossas câmeras as belezas naturais da reserva de Paracas.
Terminado nosso tour, fomos até a cidade de Pisco, a que mais sofreu com o terremoto de 2007. Visitamos alguns bairros e vimos que um ano depois da tragédia ainda há muito que fazer. Ruas cobertas de entulhos, prédios com rachaduras e famílias vivendo em casas improvisadas são um retrato dos bairros mais atingidos. Creio que levará anos para reconstruir o que o terremoto levou minutos para derrubar.
No meio da tarde resolvemos conhecer o deserto por dentro. Para isto, embarcamos em veículos preparados para a areia, chamados aqui de “Tubulares”. O Peru tem 2.700 km de costa e grande parte dela coberta por desertos. Na sua maioria os desertos são rochosos ou de terra, mas aqui em Paracas, devido a vento constante, formam-se grandes dunas de areia. Pensei que seria um passeio tranqüilo pelas dunas. Ledo engano. Perto do que fizemos com estes carrinhos a montanha russa do Hopi Hari parece um carrossel. O “Tubular” subiam em alta velocidade as imensas dunas de areia, somente para descer (ainda em grande velocidade) dezenas de metros do lado oposto. Só vendo par crer. A habilidade do Mário, nosso piloto e dono da empresa, nos impressionou. Em determinado momento ele desceu conosco (para nosso pavor) uma duna de 150 metros em diagonal. Eu tinha a impressão de que o carro iria capotar a qualquer momento. Mas não, tudo foi calculado e planejado com antecipação. Apesar da extrema emoção os riscos são mínimos. Quando pensamos que tudo havia terminado, paramos no alto de uma grande duna e o Mario nos entregou pranchas de Sandboard. Todos descemos sentados e a uma grande velocidade. O Erick e a Ingrid tentaram descer em pé, mas tomaram tombos homéricos. Gravei tudo em vídeo e depois mostro para vocês. Para terminar o passeio eu, a Sandra e o Erick descemos uma duna ainda maior, que tinha uns 140 metros de altura. Atingimos uma velocidade de 60 km por hora sentados em cima das pranchas. Todos chegaram sãos e salvos. Vocês precisam experimentar!

Peter Goldschmidt

  • Peter Goldschmidt é membro da Família Goldschmidt que desde 1999 viaja pelo mundo descobrindo e divulgando novos roteiros turísticos. É também diretor da agência de turismo Gold Trip. www.goldtrip.com.br – (11) 4411-8254
  
  

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