VIAJE COMIGO 44 | BRASIL - EUROPA | Portugal - Ilha Madeira

Depois de visitarmos os destinos no Brasil, nosso navio, o Vison of the Seas, seguiu seu caminho em direção a Europa. A Travessia do Atlantico, entre Salvador e o arquipélago da Ilha da Madeira demorou seis dias. Os dias a bordo, sempre cheios de ati

  
  

Depois de visitarmos os destinos no Brasil, nosso navio, o Vison of the Seas, seguiu seu caminho em direção a Europa. A Travessia do Atlantico, entre Salvador e o arquipélago da Ilha da Madeira demorou seis dias. Os dias a bordo, sempre cheios de atividades passaram voando.

A ilha da Madeira faz parte de um arquipélago que está sob o dominio de Portugal desde 1419, quando foi descoberto por Tristão Vaz, João Zarco e Bartolomeu Perestrelo. Desde então a ilha passou a ser porto de parada para quase todo o navegador portugues que viajava em direção a África, Índia ou Brasil. Por aqui passaram nomes como Bartolomeu Dias, Vasco da Gama, Gil Eanes, Pedro Álvaro Cabral e Cristovão Colombo. Este último morou aqui durante muitos anos e casou-se com a filha do governador local. Encontramos no porto, uma réplica da nau Santa Maria pertencente a frota de Colombo na sua viagem de descobrimento da América. Apesar de ter um tamanho menor que original, está réplica navega e leva os turistas diariamente por um passeio pela região do porto.

Quando chegaram aqui no seculo XV os primeiros exploradores se depararam com uma ilha desabitada, quase sem praias e coberta por uma espessa floresta Laurissilva. Para desbravar o interior começaram a incendiar a mata nativa para espantar os animais e abrir caminho para o interior. Dizem os históriadores que a ilha queimou durante sete anos seguidos. O clima tropical e o solo de origem vulcanico ajudaram a ilha a se recuperar deste desastre ecológico. Hoje, a ilha da Madeira está novamente coberta de verde. Parte por mata recuperada, parte por milhares de pequenas hortas repletas de verduras, cana de açucar e banana. Como é uma ilha relativamente pequena, as pessoas plantam de tudo em todos os lugares. Vimos horta na beirada de precipícios e em cima de penhascos rochosos. Alguns lugares do interior se parecem com o Peru, pois os madeirenses fizeram suas plantações utilizando terraços de pedra, iguais aos usados pelo antigos Incas.

O relevo da ilha bem acentuado. É muito dificil encontrar uma parte plana. Quase toda a ilha é coberta por montanhas, serras e vales profundos. Para vencer esta geografica dificil, os madeirenses se fizeram valer da engenharia contruindo pontes colossais e uma infinidade de túneis. Segundo me contaram, são mais de 150 túneis, o maior deles com três quilometros de extensão.

O problema do relevo reapareceu quando o governo resolveu ampliar o aeroporto local para receber grande jatos. Não havia terra suficente, pois a pista terminava em uma grande bahia. Solução? Construir um aeroporto suspenso por pilares. Uma obra de engenharia impressionante! Por cima uma pista de 3 quilômetros de extensão que suporta até jatos 747. Por baixo, entre as imensas pilastras, um complexo esportivo, estacionamento e marinha.

Ficamos encantados com a ilha assim que chegamos. Fomos recebidos pelo George, um dos proprietários da Madeira-Seekers, um ótimo receptivo local. Ele estava acompanhando pelo Jonh, um guia madeirense de corpo e alma. Junto ele nos preparam um super roteiro para as poucas horas que passariamos na ilha e foram muito competentes. O Jonh é uma sumidade em ilha da Madeira e história.

Depois de conhecer Funchal, a capital da ilha, seguimos para a vila de Machico. Nesta pequena baia, desembarcaram no século XV os primeiros portugues e construiram ali um fortim e uma pequena comunidade. Hoje a vila de Machico tem um patrimônio arquitetônico muito bem conservado e ruas simpáticas com restaurantes e cafés. Não deixe de subir ao mirante e observar não só a vila, mas também todo o vale e a parte norte da ilha.

Seguimos depois para o interior da ilha, subindo pelo vale de Machico e depois pelo vale de Faial. Chegamos quase a 1.500 metros de altura. Lá no alto, conhecemos um criadouro de carpas e fomos apresentados a duas tradições locais. A primeira foi a Poncha, uma bebida típica que lembra um pouco a nossa caipirinha. É feita com aguardente de cana, limão e mel de abelha. É servida em bares e restaurtantes de toda ilha, mas o melhor, dizem que é servido no bar do John. Na hora do almoço, paramos no Restaurante do Faísca na região do Ribeiro Frio. Lá experimentamos a espetada, um churrasco de lombo de vaca, feito em espetos de Louro. Tudo acompanhado de polenta temperada, salada e um pão mouro com azeite e ervas aromáticas. Não deixe de esperimentar o refrigerante local chamado Brisa. Uma delícia!

Depois do fabuloso repasto, voltamos para a estrada e atravessamos uma alta cordilheira coberta de pinheiros. Desta vez nos aproximando de Funchal pelo lado norte. No caminho paramos para conhecer a região do Monte. Esta parte de Funchal foi habitata por imigrantes ingleses durante muito tempo. Eles viviam na parte alta da cidade, por ser mais frio e fresco. Para evitar a caminhada montanha abaixo até o centro da cidade, os ingleses contratavam homens que empurravam uma espécie de trenó de madeira em forma de cesto pelas ruas de pedra. Isto foi há mais de 150 anos. Desde então, este diferente meio de transporte foi adotado pelos madeirenses e hoje é um dos principais atrativos turisticos de Funchal. O Cesto não tem rodas, apenas duas lâminas de madeira untadas com banha. Dois homens conduzem cada cesto empurrando e freiando quando é necessário. Eles usam roupas tradicionais com chapeus parecidos aos dos antigos estudantes de Cambridge (Inglaterra), além de botas com solas feitas de pneus. O trajeto dos cestos segue montanha abaixo por vias estreitas e não exclusivas, ou seja, junto com carros, motos e caminhões. Uma verdadeira aventura a toda velocidade.

Depois da emocioante descida, seguimos para a última parada de nossa visita, o Cabo Girão. Este promontório rochoso possui uma parede vertical com 580 metros de altura e ostenta o posto de segunda maior falésia do mundo. É uma queda impressionante!

Devido ao nosso itinerário, passamos apenas um dia na ilha da Madeira, pouco tempo para conhecer tanta beleza. Creio que percorremos apenas 20% de toda ilha e vimos paisagens maravilhosas. Para quem vier visitar a Ilha da Madeira, recomendo ficar entre 3 a 5 dias. Há muito o que ver e aprender sobre este pedacinho de Portugal no meio no Atlântico. Boa viagem!

Peter Goldschmidt

  • Peter Goldschmidt é membro da Família Goldschmidt que desde 1999 viaja pelo mundo descobrindo e divulgando novos roteiros turísticos. É também diretor da agência de turismo Gold Trip. www.goldtrip.com.br – (11) 4411-8254
  • Se vier visitar a Ilha da Madeira, use o serviços da Madeira-seekers. Profissionais competentes e excelente preço. Tel: (351) 918 375 661 / 934 026 255

www.madeira-seekers.com // email: madeira.seekers@gmail.com

  • Fotos Família Goldschmidt e Eduardo Bovo Junior
  • Este diário faz parte de um relato sobre a viagem de travessia de Santos a Lisboa no navio Vision of the Sea em Abril de 2010.
  
  

Publicado por em

123cruzeiros

123cruzeiros

31/05/2012 05:36:39
Bom Dia, adorei seus relatos de viajem e suas aventuras. A ilha da Madeira e Funchal são realmente lugares lindos. Vale à pena visitar.