VIAJE COMIGO 43 | BRASIL - EUROPA | Rio - Salvador

Hoje começamos a mostrar uma nova aventura. Essa que mistura a história do Brasil, um lindo cruzeiro e destinos fantásticos. Ela aconteceu em 2010 e só agora resolvemos publicá-la.

  
  

Hoje começamos a mostrar uma nova aventura. Essa que mistura a história do Brasil, um lindo cruzeiro e destinos fantásticos. Ela aconteceu em 2010 e só agora resolvemos publicá-la. Nossa idéia foi fazer a Rota do Descobirmento do Brasil ao inverso, partindo do Brasil e chegando a onde tudo começou, em Portugal. Para isto, embarcamos em um navio de cruzeiros, o Vison of the Seas da Royal Caribbean e partimos em direção ao velho mundo. No caminho, fizemos paradas no Rio e Salvador, em várias ilhas do Atlântico (Madeira e Canárias) e no porto de Cadiz na Espanha. Nossa viagem terminou com uma visita a Lisboa e ao norte de Portugal. Foi uma viagem fantástica. Tenho certeza de que você também vai gostar. Bem vindo a bordo! Viaje Comigo!

Dois dias depois da nossa partida de Santos/SP, chegamos as quentes praias do Rio de Janeiro. Nossa passagem pela cidade foi rápida e marcada pela chuva constante. Apesar disto, visitamos vários lugares, principalmente o centro histórico. Este lugar é muito marcante na história do Brasil, pois ali foram tomadas importantes decisões que ajudaram a formar a pátria que temos hoje. O lugar que mais me impressionou foi o Palácio Imperial. Foi ele que recebeu em 1808 o rei Dom João VI, que aportou na Baía de Guanabara com toda corte e elite portuguesa. Nos anos seguintes, o rei introduziu no Brasil a moeda, o conhecimento e a tecnologia. A sua chegada mudou o rumo de nossa história e ajudou a transformar a colônia em um país de verdade. Dom João foi responsável pela abertura dos portos, construção de estradas, igrejas, bibliotecas, bancos e pela introdução da imprensa. Desde o Palácio Imperial ele governou não só o Brasil, mas todas as terras portuguesas do planeta. Foi emocionante visitar o lugar por onde passaram Dom João VI, Dom Pedro I, Dom Pedro II e onde ocorreram momentos históricos como o Dia do Fico e a assinatura da Lei Áurea.

Na volta para o navio paramos no Centro Cultural da Marinha, onde pudemos conhecer um verdadeiro submarino, o Riachuelo. Também conhecemos a réplica de uma caravela, idêntica aquelas usadas pelos portugueses na época do descobrimento. Comparar este pequeno barco com o gigantesco navio em que viajamos nos dá a real grandeza da coragem dos antigos navegadores.

Enquanto navegavamos os 1.300 quilômetros que separam o Rio de Salvador, notei quando passamos pela latitude de 17 graus sul. Foi mais ou menos neste ponto, que o Pedro Álvares Cabral depois de 30 dias de travessia do Atlântico, avistou pela primeira vez a costa brasileira. O que ele viu foi um morro arredondado, cercado de terras baixas e coberto de florestas. O morro foi batizado de Monte Pascoal e fica próximo ao atual município de Prado, no sul da Bahia. Infelizmente não pudemos avistá-lo, mas (felizmente) já o tínhamos visitado em 2003 em uma outra expedição. Toda a região, batizada de Costa do Descobrimento é muito linda, repleta de parques nacionais e áreas protegidas. Na época, visitamos também a praia da Barra do Cahy, o provável local do primeiro encontro entre portugueses e índios na manhã de 23 de Abril de 1500. Um lugar impressionante pela história e pela beleza da paisagem.

Chegamos a Salvador pela manhã e nossa primeira parada foi no Mercado Modelo, um dos pontos mais tradicionais da cidade. Ali se encontra representado um pouco de todo artesanato produzido em Salvador. É um local amplo, seguro e bem organizado. Um lugar interessante para ser visitado é o porão do mercado, onde ficavam guardados os escravos antes de serem vendidos.
Saindo do mercado, seguimos até o Elevador Lacerda, construído a mais de 100 anos. Este elevador liga a cidade baixa, a beira do mar, com a parte alta, onde moravam as pessoas mais abastadas. O elevador nos deixou na frente da prefeitura da cidade, bem no meio do centro histórico. Caminhamos por diversas ruas e ladeiras repletas de casarões, palácios, casas antigas e igrejas. Na verdade, igreja é o que mais tem por aqui. Dizem que Salvador tem 365 igrejas católicas, uma para cada dia do ano. Haja devoção! Um das mais impressionantes é a igreja de São Francisco. O seu pátio é recoberto por azulejos portugueses e seu interior, forrado de ouro até o teto.

Percorrendo o centro histórico, chegamos a região do Pelourinho, um labirinto de ruas e vielas cheias de construções da época colonial. Foi aqui que a cidade praticamente nasceu, ou como dizem os baianos, estreiou!

Nossa última parada em outro ícone de Salvador, o Farol da Barra. Ali encontramos uma réplica de um Padrão Português, marcos de pedra deixados pelos navegadores nas terras descobertas para mostrar aos “concorrentes” que aquele pedaço do mundo já havia sido reclamado para o rei de Portugal. Do Farol da Barra, olhamos para o mar na direção nordeste. Ali, a cerca de 6 mil quilômetros está nossa próxima parada, a ilha da Madeira, na costa africana. Serão seis dias de navegação continua através do Atlântico. Mas isto é história para o nosso próximo encontro. Adeus Salvador! Adeus Brasil! Olá Europa!

Peter Goldschmidt

  • Peter Goldschmidt é membro da Família Goldschmidt que desde 1999 viaja pelo mundo descobrindo e divulgando novos roteiros turísticos. É também diretor da agência de turismo Gold Trip. www.goldtrip.com.br – (11) 4411-8254
  • Quando visitar o Rio de Janeiro, recomendamos contratar a Inter Touring Receptivo. Ótimos veículos e profissionais experientes.Fone: (21) 2549-0272 – www.intertouringreceptivo.com.br
  • Agradecemos a Bahiatursa pelo apoio que nos deram em Salvador. Parabéns pelo trabalho que realizam na divulgação do turismo na Bahia.
  • Este diário faz parte de um relato sobre a viagem de travessia de Santos a Lisboa no navio Vision of the Sea em Abril de 2010. Fotos Família Goldschmidt e Eduardo Bovo Junior

Curiosidade
Uma história curiosa aconteceu com relação à fuga da Família Real Portuguesa para o Brasil em 1808. Depois de mais de 30 dias no mar em navios abarrotados de gente, bagagens e com higiene precária, todas as mulheres da corte foram acometidas por uma praga de piolhos. Para amenizar a infestação as mulheres cortaram seus cabelos, ficando praticamente carecas. Na chegada a Salvador, a primeira parada da esquadra fugitiva, a rainha e as princesas desceram para terra com as cabeças enroladas em turbantes. No dia seguinte grande parte das mulheres baianas, acreditando que se tratava de uma nova moda européia, saíram as ruas com seus turbantes imitando a família real.

  
  

Publicado por em