A Cultura de Nasca e suas misteriosas linhas

Que calor! Não sei quantos graus fez hoje, mas sei que fez bastante calor. Não é a toa que Nasca é conhecida como a cidade do “Eterno Verão”.

  
  

Que calor! Não sei quantos graus fez hoje, mas sei que fez bastante calor. Não é a toa que Nasca é conhecida como a cidade do “Eterno Verão”. Está localizada entre altas montanhas em uma região muita árida do deserto. Quase não chove e o rio que corta a cidade fica seco por cerca de 10 meses no ano. Só pedras! Mas, graças a esta aridez é que a cidade se tornou famosa no mundo inteiro.

Família Goldschmidt

O clima seco, a ausência de chuvas e os ventos amenos preservaram sítios arqueológicos importantes como por exemplo, Cahuachi, a capital do império Nasca, assim como as famosas linhas que cobrem quilômetros do deserto. Este antigo povo que viveu aqui há mais de 1.500 anos atrás, descobriu logo que a água não corria por cima da terra e sim através de lençóis freáticos. Com muita técnica construíram aquedutos subterrâneos captando a água que descia das serras e as conduzindo para suas plantações e casas. Estes túneis foram construídos com pedras e cobertos por uma madeira muito dura chamada Huarango. Esta madeira é tão resistente que ainda hoje os aquedutos continuam a ser utilizados pela população e a madeira original continua firme, sem apodrecer. Para manter os canais abertos os Nascas construíram poços de manutenção em forma de espiral, facilitando assim o acesso aos túneis. Alguns tem até 12 metros de diâmetro e cerca de 5 metros de profundidade.

Hoje visitamos também as ruínas da antiga capital Nasca, contemporânea aos aquedutos. Ela foi descoberta no começo do século 20, mas só foi realmente estudada a partir de década de 90 pelo arqueólogo italiano Giusepe Orefeci. Até agora, já se descobriram 36 pirâmides escalonadas, algumas com mais de 30 metros de altura. A cidade inteira ocupa uma aérea de 24 quilômetros quadrados e fica as margens da planície onde foram encontradas as famosas linhas. Devido principalmente aos poucos recursos as escavações só acontecem alguns meses por ano, por isto somente uma das pirâmides esta sendo restaurada. As outras continuam debaixo da areia, protegidas das intempéries, mas infelizmente longe dos olhares dos turistas. A riqueza do local é tão grande que por todo lado se encontram cerâmicas ricamente adornadas, objetos líticos e fragmentos de ossos. Temos que esperar mais alguns anos para conhecer Cahuachi em todo seu esplendor.

Hoje o Erick não saiu do hotel. Foi a vez dele de ficar doente. Nada de grave. Digo que foi sua vez, porque eu e a Ingrid já tivemos nossos dias de “molho”. Agora a noite ele já estava melhor e amanhã deverá sobrevoar as linhas conosco.

Hoje também foi o dia dos brasileiros. Depois de passar 10 dias sem ver nenhum “brazuca”, encontramos 10 deles de uma vez. E logo aqui em Nasca, um destino que é tão pouco visitado por nossos conterrâneos. Ficamos felizes em encontrá-los. Boa viagem a vocês!

Não posso encerrar hoje sem falar nas famosas linhas de Nasca. As linhas e os desenhos feitos a cerca de 1.500 anos atrás pela cultura Nasca, se estendem por dezenas de quilômetros sobre uma planície seca e calcinada. As linhas e figuras geométricas são muito maiores do que os desenhos. Algumas linhas tem até 20 kms de comprimento e ultrapassam a planície subindo e descendo montanhas. São perfeitamente retas e muitas delas se cruzam entre si. Alguns dizem que foram feitas por extra-terrestre, mas a teoria mais aceita (e que também acredito) é de que algumas linhas (30% delas) apontavam para fontes de água, as figuras geométricas eram lugares de cerimônias religiosas e que os desenhos de animais e algumas linhas marcavam a posição do sol, da lua e das estrelas em diferentes épocas do ano, como os solstício de verão e inverno. Com estas informações, os Nascas podiam prever as chuvas, ventos e consequentemente, saber a melhor época para plantar e colher. As figuras, geralmente bem menores (de 10 a 300 metros) estão espalhadas entre as linhas e parecem representar as constelações celestes. Elas são desenhadas uma única linha continua, como se fosse um fio desenrolado sobre o chão. Há um só inicio e um só final. Muitos estudiosos crêem que os desenhos eram usados em rituais de adoração e sobre eles adoradores caminhavam em procissão homem após homem. Quando faziam isto, tornavam as linhas mais profundas e marcantes, agradando assim a seus deuses. Muito interessante!

Estivemos em um mirante das linhas e no museu Maria Richie, mas isto eu vou deixar para amanhã. Assim conto tudo junto com as linhas foram descoberta e o que vimos hoje do chão e o que veremos amanhã do avião.

Abraços e até amanhã!

Peter Goldschmidt - www.familiagold.com.br

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Linhas do deserto
Aqueduto de Cantalloc
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